SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 10 Agosto 2020, 20:17

Governo de Gomes da Costa (17/6/1926 – 9/7/1926)

Com a tomada do poder pela facção militar mais conservadora, o general Gomes da Costa substitui o almirante Cabeçadas, assumindo a presidência do Governo e a Presidência da República, instalando-se com a família em Belém. O novo governo, de maioria militar, fica completo a 19: Filomeno da Câmara, nas Finanças; Armando da Gama Ochoa, Colónias; Manuel Rodrigues Júnior, Justiça; Artur Ricardo Jorge, Instrução; Jaime Afreixo, Marinha; Alves Pedrosa, Agricultura; Passos e Sousa, Comércio; Carmona, Negócios Estrangeiros. No dia seguinte, o Dr. António Claro, Interior.

Inicia-se um período de endurecimento, com as primeiras perseguições, despedimentos, encerramento de jornais. Em 23 de Junho é decretada a censura prévia. O regresso das tropas fiéis a Cabeçadas e, depois, as de Gomes da Costa, regressam aos quartéis. A polícia é reorganizada, como a da informação política. Os que, na véspera do 28 de maio, entronizaram Gomes da Costa, como chefe do movimento, preparam a sua substituição. As suas relações republicanas, as suas indecisões, o seu narcisismo militarão, a sua total ausência de objectivos claros, a sua frágil personalidade, sujeita a todas as influências e compromissos, serviram-lhes numa primeira fase, mas o que se defende desde o golpe conservador de 18 de Abril de 1925 , a ditadura militar de raiz antiliberal e antidemocrática, e as ideias fascistas que se disseminam na Europa, com mais influência em Espanha e na Itália, exigem outra gente no poder e outra estratégia mais dura contra os defensores militares e civis do regresso à democracia político-partidária.

Aproveitando a polémica, em 7 de Julho, entre o ministro da justiça e outros, sobre a Lei de personalidade jurídica da Igreja Católica, que mantinha, contra a opinião do Patriarcado, as comissões jurisdicionais dos bens da igreja, Gomes da Costa desautoriza o ministro da justiça e o conselho de ministros delibera, contra aquele, a respectiva eliminação. As movimentações para a sua substituição começam nesse mesmo dia, quando todos os ministros, excepto os dois monárquicos, Filomeno da Câmara e João de Almeida (Colónias), apresentam por escrito a sua demissão. Uma reunião das altas patentes militares, no próprio palácio de Belém, sem a presença de Gomes da Costa, delibera o futuro da presidência. A 8, «os altos comandos conluiados vão a Belém: o general Luís Domingues, comandante militar de Lisboa, coronel Valadas, comandante da guarda republicana, coronel Mouzinho de Albuquerque, comandante das tropas ainda em Sacavém[,…], general Sinel de Cordes e tenente coronel Raul Esteves» (Rego, Raul, História da República, vol.V, 69). Pressionam o velho general contra as demissões ministeriais, principalmente de Claro, Ochoa e Carmona, mas aquele não cede. Tenta verificar que quartéis ainda o defendem, mas o resultado é decepcionante. As suas tropas já estavam pacificadas e nas suas unidades. As chefias militares que aprovara, com as mudanças no despedimento de Cabeçadas, não aceitavam as suas ordens. A 9, recebe ordem de abandonar o palácio, sendo conduzido para Caxias. Daí seguirá para a cidadela de Cascais, A 11, é embarcado no Carvalho Araujo que o leva para o exílio nos Açores.

Em Torres Novas, neste período, o administrador do concelho, capitão Jorge Pedreira , a 28 de Junho, dentro do princípio da substituição concelhia dos elementos democráticos, propõe a substituição dos se
guintes regedores (Corresp. Admini. c/ Gov. Civil,Lº1612 .fls.403, 22/6):

Alcorochel: efectivo – António Maurício Júnior. Suplente – Manuel Nunes Damas. Brogueira: efect – José Correia. Supl. – João Carvalho Filipe Chancelaria: efect – António Gomes Vieira Martins Lapas: efect. – Joaquim Ferreira Fagulha. Supl – Luís Antunes Trincão Paço: efect – Jacinto Mendes Páscoa. Supl – João Franco. Pedrógão : efect – José da Silva Lemos Ribeira Branca: – efect – João Antunes do Canto Riachos: efect – Feliciano Tuna sapateiro

Propondo a sua substituição: Alcorochel – Joaquim Brites Moita. Brogueira – José Pedro Gonçalves. Chancelaria – Joaquim Godinho de Matos Júnior Lapas – Eduardo Pedro Trincão. Paço – Manuel Lucas Neto Pedrógão – António Carlos dos Reis e Silva R. Branca – Francisco do Nascimento Sousa Riachos – José Dionísio Olaia – Henrique Martins da Silva

A 28, propõe como regedores (id, Ibid, 412): Zibreira – Manuel Joaquim Fernandes Parceiros de Igreja – João Rodrigues da Cruz Feio Assentis – João dos Santos Bernardo Gonçalves Alcorochel – supl. – Joaquim António Moita A 1 de Julho, propõe: Chancelaria – subst – José Jorge de Oliveira (Id, Ibid, 413). A 5, Pedrógão, subst. – Francisco Ferreira do Rosário.(Id. ibid, 417).

Também no primeiro dia de julho, em ofício ao Governo Civil, «cumpre-me indicar- -lhe os nomes dos indivíduos
que, segundo o meu critério, devem constituir a Comissão Administrativa que há-de substituir a Câmara Municipal deste concelho. Desde já posso afirmar a V. Exª que a escolha foi feita com todo o critério e com maior cuidado e que todos os indivíduos que cito, reúnem as condições expostas na supracitada circular (nº 326, de 26/6). Assim, indico a V. Exª os seguintes cidadãos:

Efectivos: – Dr. João Martins de Azevedo, proprietário e presidente do Sindicato Agrícola de Torres novas; Mário Ramos de Deus, proprietário; João Baptista Vassalo Júnior, proprietário e industrial; António Baptista de Oliveira, proprietário e comerciante

Substitutos José Antunes Barroso, pro- prietário; Dr. Adelino de Castilho Rodrigues, proprietário e comerciante; José Rodrigues, comerciante» (Id, ibid, fls.414). Como veremos mais tarde, a comissão toma posse em 15 de Julho, curiosamente a data em que em O Almonda aparece pela primeira vez e que se manterá até finais de Abril de 1974, « visado pela Comissão de Censura».

 

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