SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Segunda-feira, 10 Agosto 2020, 20:25

1918 – Um Ano Trágico

O ano de 1918, em Portugal, sob o signo do Sidonismo, foi caracterizado pela eleição directa para a Presidência da República, que alterando o regime censitário, conduziu a uma quase duplicação da população recenseada e votante.

No campo político, abre-se uma nova ditadura, com total desprezo dos partidos políticos reinantes, o partido unionista, com ministros no governo, até Março, depois na oposição; o partido evolucionista, donde saíram os dissidentes que formaram em Outubro de 1917, com monárquicos, o partido Centrista, de Egas Moniz; o partido democrático, com os principais chefes presos, os centros políticos encerrados, a imprensa censurada e proibida. Caminhou-se para a criação dum partido único, O Partido Nacional Republicano, defensor da ordem, da justiça, de nova república, baseado na unidade da família portuguesa, contra a desordem e a demagogia democrática, espelho da mentalidade de Sidónio Pais. Em 20 de Fevereiro o conselho de ministros decidira que se realizassem as eleições presidenciais por sufrágio directo e, em simultâneo, se elegessem os representantes do país, com poderes constitucionais: Deputados e Senadores, mas parte destes últimos com elementos das entidades socioprofissionais, numa primeira concretização pública do corporativismo, mais tarde vitorioso com António de Oliveira Salazar. Os unionistas abandonam o poder (7 de Março), o Partido Centrista acolhe-se no seio do Partido Nacionalista de Sidónio. Monárquicos e católicos assumem, principalmente os primeiros, o poder. Os três principais partidos políticos da república, democrático, evolucionista e unionista, abstêm-se de participar nas eleições, nelas participando, além do partido Unionista, o Socialista,o Centro Católico Português, desde 1917,organizado também em partido. No sector religioso, inicia-se com a legislação do ministro unionista Moura Pinto, que altera a lei da Separação, uma abertura de moderação às relações do Estado com a Igreja Católica Portuguesa, que se manteve até o fim da 1ª República Portuguesa. No campo sindical, a União Operária Nacional, que se colocara ao lado de Sidónio no 5 de Dezembro, afasta-se e opõe-se à política do poder pessoal da figura de Sidónio Pais. Militarmente, a política contra a guerra, defendida por grande parte do oficialato, vai abandonando as forças militares, quer na Flandres, quer nas colónias, sem substituição. A derrota do dia 9 de Abril, ante a ofensiva alemã, em La Lyz, mais agrava a situação política no continente. As eleições, realizadas a 28 de Abril, deram os seguintes resultados: Sidónio Pais foi eleito por uma votação de513.958 votos.Sol de pouca dura! Preparada para discutir e aprovar a nova Constituição, esta em funcionamento só de 15 de Julho a 6 de Agosto, encerrando para férias, com abertura em Novembro. Mas, nessa época, passou para Dezembro. Entretanto a situação económica complicava-se. A falta de produtos no mercado, o açambarcamento dos géneros, o aumento de preços, conduziram ao descontentamento social, ao reaparecimento das greves. A 12 de Outubro rebenta, logo rapidamente sufocada, uma revolta para repor a constituição suspensa. Prisões e perseguições, sucedem-se, um pouco por todo o país. Outubro é o mês da difusão da gripe pneumónica, que vai criar até ao fim do ano, um morticínio avassalador (Setembro,2270; Outubro,31.785; Novembro,18.123, Dezembro,22169), não contando os casos de tifo e outras doenças epidemiológicas. Em Novembro, a greve geral marcada para 18, perde força, devido ao fim da Guerra, com a vitória dos aliados. em 11 desse mês, data da assinatura do armistício, e à avassaladora destruição de famílias operárias pela pneumónica. Mesmo assim, nos ferroviários de Sul e Sueste avança até 25. Na outra banda, Moita, Setúbal Barreiro, no Alentejo, Algarve, noutras zonas do país, surgem conflitos e greves. A repressão não se fez esperar, com muitas centenas de operários presos. a Sede da UON, em 21 é assaltada. Mas o governo consegue vencer, ainda que por pouco tempo, a luta operária, não só por melhores condições de vida, mas, influenciada, pela revolução de Outubro de 1917, na Rússia, levada a cabo pelos bolcheviques, com o fim da Revolução Social. Na noite de 14 de Dezembro, quando da sua partida para o Porto, Sidónio é assassinado à entrada da estação do Rossio por José Júlio da Costa, antigo sargento do exército, combatente em África contra os Alemães. O Sidonismo, sem o seu mentor, pouco sobreviveu ao desaparecimento do seu chefe carismático. Todas estas situações do ano de 1918 têm a sua repercussão, como veremos, no concelho de Torres Novas.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2020 © Todos os direitos reservados