SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Domingo, 9 Agosto 2020, 08:57

Memorabilia XXVI 1970 -3

Fechemos o ciclo de 1970, com as mudanças socioculturais, individuais e colectivas, mais divulgadas pelo semanário O Almonda.

Do ciclo que se fecha: o agradecimento do Estado Corporativo ao Dr. João Mexia de Oliveira Serpa, agraciado pelo Chefe do Estado com a Ordem da Benemerência;[1] também ao Dr. José Marques, uma das figuras mais salientes na defesa da agricultura concelhia, condecorado, pela mesma figura presidencial, com o grau de grande oficial de Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.[2]

No novo ciclo económico, a inauguração, que se prometia há anos, a 29 de Janeiro, do Banco Nacional Ultramarino.[3]

A continuação da cobertura de energia eléctrica concelhia, tomada a peito pela Câmara de Fernando Cunha, reconduzido no cargo[4].

No sector sociocultural, a aproximação entre a Câmara e o Cineclube, com acções comuns, como a apresentação no Virgínia, a 6 de Janeiro, do filme sobre o ballet russo, Le Petit Cheval Bossu[5], ou a presença nas exposições comemorativas do 10 º aniversário da associação ou do 1º Festival de Cinema Amador[6], ou o 1º Concurso Regional de Fotografia de Amadores[7].

Mantinha-se em actividade o Choral Phydellius, com acções públicas diversas.

Celebram-se igualmente, nas freguesias, significativas efemérides. Em Riachos, O 50º aniversário da freguesia [8]. O Rancho Folclórico da respectiva Casa do Povo representa Portugal no festival de Folclore em Madrid[9]; o grupo cénico da Casa do Povo apresenta-se em público com a peça A Muralha[10].

Das Lapas, publica-se um suplemento autónomo, nos seus múltiplos aspectos. Nova sala de aula, posto clínico e jardim-de-infância no local de Almonda[11], e na Zibreira, edifício escolar e nova sede da Junta de Freguesia[12].

No Carvalhal festeja-se a inauguração da Igreja.[13]

Do desporto, especificamente, o futebol, uma página semanal vai cobrindo os acontecimentos, da responsabilidade do legionário Portalete Coelho, continuada pelos Remates de Mário Nuno Cardoso. Chama-nos a atenção um texto de José Afonso Antunes Palla, que recorda com muito pormenor, a criação do Clube Desportivo de Torres Novas[14]. Realiza-se, em Fevereiro, no Almonda, levada a efeito pela secção de pesca do Clube Desportivo, o I Concurso de Inverno de Pesca Desportiva.[15]e em7deAgosto, a 2ª Mão da V Taça das Nações de O Rio Almonda.[16]

Mas em relação a temas provocatórios e de mudança, refira-se a continuidade da secção Cinema, com colaboração de Vitor Pereira da Rosa, professor universitário no Canadá, que se alarga, na literatura, a uma nova secção, da responsabilidade de Joaquim Canais Rocha, «Onde se Fala de Literatura e Coisas Mais», onde, pela primeira vez pela pena do colaborador citado, se fala duma das maiores escritoras mundiais, Clarice Lispector e das suas bodas de prata literárias.[17] Também importantes, pela qualidade literária, a colaboração de Joaquim Rodrigues Bicho com a secção Apontamentos[18], de Faustino Bretes, com uma curiosa série sobre a história de Torres Novas muito pouco conhecida, «Joaquim Teixeira Alvarenga e mais que de permeio se verá»[19], Alexandre Martins, com as suas páginas de divulgação «Tauromaquia» e «Página» 5, Jorge Morte, com Comentando, sobre música clássica, Vítor Machado com os programas na rádio de Santarém e espectáculos no Virgínia.

No sector cultural assinale-se a tomada de posse do novo director da biblioteca Municipal, Dr Robalo Pombo.[20]

No sector da juventude, o grupo JET (Juventude Ecuménica Torrejana), com a sua página de renovação católica, Coisas de Gente Nova, que irão, comemorar, pela primeira, entre 30 de Maio e 6 de Junho, o Dia da Juventude.[21]

Conclua-se 1970. Um ano em que a transição política, de Salazar a Marcelo, criou esperança duma mudança, anunciada inclusive numa revisão da Constituição Política, tendo sido suspensa a Assembleia Nacional, que reabriria só e 25 de Novembro. Talvez por isso fosse possível enunciar, esse ano, no jornal, a morte de Henrique Galvão, no Brasil[22], ou a criação, na vila, duma Comissão Pró-Centro Popular Alves Redol, sendo responsável o cidadão José Ribeiro[23].


[1] O Almonda nº2432, 3/1/1970.

[2] Idem, nº 2455, 13/6/1970.

[3] Id., nº2432, 3/1/1970.

[4] Id., nº 2442, 14/3/1970.

[5] Id.,nº 2432, 3/1/1970.

[6] Id.,nº2437,7/2/1970;nº2438,14/2/1970;nº2440, 28/2/1970;nº 2441,7/3/1970;nº 2442,14/3/1870 ;nº 2447, 18/4/1970;nº2449,25/1970.

[7] Id.,nº 2462, 1/8/1970.

[8]Id., nº2436,31/1/1970; nº 2439, 21/2/1970.

[9] Id., nº2447,18/4/1970, nº2448, 25/4/1970,

[10] Id., nº2446,11/4/1970.

[11]Id., nº2445, 34/4/1970.

[12] Id.,nº2452, 23/5/1970

[13] Id.,nº2472, 10/10/1970

[14] Id.,nº 2436 , 31/1/1970.

[15] Id.,nº 2436,31/1/1970.

[16] Id.,nº 2463,8/(/1970.

[17] Id.,nº2456,20/6/1970. Joaquim Canais Rocha, tipógrafo reformado de O Almonda, desde finais dos anos 50, foi a figura mais perseverante na divulgação e defesa do património sociocultural concelhio, quer na divulgação cinematográfica, através do Virgínia, quer na sua intervenção nas direcções do Cineclube, Campismo, como redactor e colaborador d semanário, criador dos suplementos e secções mais importantes e de grande abertura à divulgação literária e artística que o jornal publicou no período da ditadura e, depois, após o 25 de Abril. Grande defensor da sua terra e concelho, é uma das figuras cujo acervo documental deveria ser recolhido pelo Arquivo Municipal e a quem Torres Novas nunca agradecerá suficientemente um labor ininterrupto de mais de cinco décadas.

[18] Id., nº2456,20/6/1970, termina uma colaboração de dois anos, devido aos muitos afazeres do autor, na Fiação e Tecidos, na vereação camarária, além dos sempre assumidos no sector assistencial religioso.

[19] Id.,nº2477, 21/11/1970, que se prolonga pelo ano da 1971.

[20] Id.,nº2463v,8/8/1970.

[21] Id.,nº2452, 23/5/1970.

[22] Id, nº 2458,4/7/1970,

[23] Idem nº2481,12/12/1970. Preso político entre 1960/65, trabalhava por conta própria, na vila, em 1970, como técnico de electricidade de automóveis, sendo um entusiasta colaborador do cineclube local.

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