SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Setembro 2020, 10:00

O Ensino no Concelho de Torres Novas na 2ª metade do século XIX -28 1890 – 1891

Os acontecimentos nacionais surgidos com o ultimato, mudança de governo, instabilidade social, crise económica, reflectem-se no ensino. O governo regenerador, como vimos no último artigo, cria o ministério da instrução, mas o agravamento económico, até à bancarrota, em 1892, leva à sua reintegração como secretaria de estado, no Ministério do Reino, no governo de Dias Ferreira.

Localmente, são escassas as alterações escolares.

A primeira notícia de colocação é a da ajudante D. Genoveva Rodrigues Sant’ana, da professora do Outeiro Grande, Maria Clara Sandra e Silva.[1] A 23 de Março, cidadãos da Meia Vi a solicitam à Câmara a criação de uma aula elementar.[2] O assunto não ficou esquecido, já que no mês seguinte o subdelegado de saúde[3] dá o seu parecer positivo a uma casa para escola do lugar, desde «que se façam algumas alterações».[4]Ainda nesse mês foi concedida a propriedade da cadeira do ensino elementar e complementar da vila à professora D. Ermelinda Mesquita da Silva.[5] A 1 de Maio, o padre João Ferreira do Rosário aceita o cargo de professor interino da Meia Via, iniciando a docência no dia seguinte.

Em Maio a Câmara delega em Francisco Xavier Rodrigues a presença na festa anual da escola de desenho industrial, cuja importante actividade se deve «ao zelo e dedicação do respectivo professor», propondo-lhe um voto de louvor, que foi aprovado por unanimidade.[6] Só em Agosto nos surge outra nomeação, esta para o lugar de Árgea, cujo professor pedira a demissão, sendo substituído interinamente pelo Padre José Duarte de Araújo. Também se pede ao subdelegado de saúde que vistorie a casa em Fungalvaz escolhida pela Junta para escola.[7] Em Setembro a Câmara reconhece um grande afluxo de alunos na cadeira da Brogueira, nomeando para ajudante Emília da Silva Roda.[8]Ainda nesse mês, a Câmara concede licença por dois anos ao professor do ensino elementar e complementar da vila, José Brandão, substituido interinamente pelo padre de S. Pedro, Fernando Eduardo da Silva.[9]Em Outubro, é nomeado com ajudante da escola dos Riachos José da Silva, por pedido de exoneração do anterior.[10]

Uma epidemia de varíola obriga ao encerramento das escolas de ambos os sexos do lugar de Alcanena.[11]

Só em Janeiro de 1891,a 5, se determina a abertura das aulas, «pois o motivo do encerramento tende a desaparecer».[12]Não sem antes, a 2 de Janeiro, se ter procedido à eleição do presidente e do vice-presidente para o corrente ano, tendo ficado os mesmos, respectivamente Dr. António Pessoa de Amorim e Dr. António Luis Machado.[13]Nos finais de Abril, a administração recoloca uma vez mais o uso indevido da Casa da Enfermaria, o que o Presidente da Câmara contesta, pela decisão de se manter a regência interina do ensino complementar na vila, com o ensino gratuito das línguas latina, francesa e outras disciplinas com manifesto benefício para os alunos do concelho, visto que as escolas elementares «se acham a cargo das Juntas de Paróquia».[14]A 11 de Junho, Governador Civil e Câmara, devido ao julgamento do professor da Rexaldia, concordam em considerar vaga a respectiva aula e ser posta a concurso.[15] Foi no mesmo dia recebido ofício do professor interino do ensino complementar da vila, apresentando para adjunto António Carlos, aluno da mesma escola, habilitado com exame elementar.

Em Outubro,a 9, a Câmara informa o subinspector de  que foi deliberado criar uma escola elementar para o sexo feminino no lugar de Carrascos, freguesia do Paço, e abrir o respectivo concurso, assim como oficiar a junta de paróquia a destinar uma casa para o feito, nos termos da lei.[16] Foi deliberado, nesse mês, criar um curso nocturno na freguesia de Parceiros.[17]No fim do mês, a 29, foram nomeados para a Junta Escolar de 1982/82, os cidadãos Dr. Eduardo dos Santos Rodrigues, João Caetano Pereira, Francisco António Pereira Flores.[18]

Novembro traz-nos as últimas notícias do ano: a 5, é nomeada ajudante da escola elementar feminina de Alcanena, Hermínia Pereira da Silva.[19] A 20, após o encerramento do concurso do Diário do Governo para as escolas regidas interinamente no Concelho e a do sexo feminino de Carrascos, foi  deliberado: colocar interinamente no lugar de Carrascos D. Lucinda Cândida Borges Pereira da Silva, natural da cidade de Évora, vencimento de 100mil réis e gratificações legais. Manter interino Manuel Vieira, de Assentis, nas Moreiras Grandes. Exonerar, a seu pedido, do lugar de ajudante da escola do Pedrógão, Manuel de Matos Branco, actualmente professor interino na Rexaldia, e nomear para o lugar vago, Fernando Cordeiro, também do Pedrógão.


[1] Act. Camarárias, 122 v -Toma posse a 20 de Março.

[2] Idem, 124.

[3] Dr. Eduardo dos Santos Rodrigues.

[4] Idem, 10/4/1890,125.

[5] Idem,24/4/1890, 127v.

[6] Idem, 22/5/1890, 137 v.

[7] C.OF.nº296, nº140,95v.

[8] A.Cam. , 11/9/1890,148.

[9] Idem, 18/9/1890,149.

[10] Idem, 30/10/1890,151v.

[11] Idem, 20/11/1890,155; C. Of. nº297,20/11,206,7v. Os professores D.Maria das Dores Gameiro e António Rodrigues Teixeira são informados do encerramento enquanto grassar a epidemia.

[12] C. OF.,nº2,5/1/1891,12v.

[13] A. Cam., 10 v.

[14] Idem,30/4/1891,170 v.

[15] Idem,11/6/1891,173.

[16] C. Of., nº192, 47. Nº 193, informação à Junta de Paróquia.

[17] A. Cam ,22/10/1891,187 v.

[18] Idem, 188v.

[19] Idem,190.

Partilhe!
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email
Share on print
Print
Share on reddit
Reddit
Jornal O Almonda, 2020 © Todos os direitos reservados