SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sexta-feira, 25 Setembro 2020, 12:00

O Ensino no Concelho de Torres Novas na 2ª Metade do século XIX -21 1884 -1885

Renova-se o governo Fontista (14-11-1881/24-10-1883), no 40º governo constitucional (24-10-1883 -20-2-1886). É uma fase em que a política regeneradora da implementação das infra-estruturas ferroviárias e rodoviárias retomam a primazia, para desenvolvimento do comércio nacional. O recenseamento populacional, as estatísticas, a reforma do sistema administrativo, a legislação eleitoral, a colonização africana, o desenvolvimento do mundo urbano, os movimentos associativos, os partidos socialistas e republicano, abrem fissuras num sistema parlamentar, controlado à vez por dois partidos tradicionais da Regeneração: os regeneradores e os progressistas.

Regressemos ao concelho e ao estabelecimento gradual do ensino público.

Os anos de 1884 e 1885, no segundo governo de Fontes Pereira de Melo, são caracterizados, no sector, por uma estabilização concelhia do ensino elementar e complementar, com a implementação dos decretos e regulamentos de António Rodrigues Sampaio, começando a efectivar-se nas escolas concelhias, por atingirem os três anos de bom e efectivo serviço, os professores interinos.

Em 1885 destaca-se, como se verá, a criação do ensino industrial e, por se não ter conseguido a implantação de um liceu, a instalação dum colégio privado, que permitirá a continuação dos estudos, além do complementar do ensino primário, que se tinha de procurar em Santarém.

Sigamos, de forma sintética, alguns dos acontecimentos desses dois anos

A 2 de Janeiro de 1884, a Câmara toma posse, tendo sido reeleitos novamente para o quadriénio 1884-1887, a maioria da vereação regeneradora de 1882.

Uma das primeiras medidas foi a solicitação ao governo da criação duma escola industrial, conforme o decreto de 3 de Janeiro corrente, oferecendo para o efeito a casa que fora  do 1º Conde de Torres Novas, na época, propriedade da Câmara.

Em Fevereiro, a professora de Alcanena, pede a demissão do cargo, que foi aceite, abrindo-se concurso. A 17 de março, a Câmara resolve, por questões económicas, suprimir todos os ajudantes escolares das freguesias rurais, que não tivessem 60 alunos.

É concedido ao professor da Mata, Nicolau Jorge Calado, licença por 7 meses, com perda de vencimento, sendo substituído por sua filha D. Maria Estefânia de Jesus Calado. Na mesma sessão delibera-se que o recenseamento escolar, a cargo das juntas, se realize de 15 a 30 de Junho. A 23/5 é deferido o pedido de transferência da profª Maria das Dores Gameiro, de Monsanto para Alcanena, tomando posse a 29;e deferido ao prof. Vicente Duarte a autorização para concorrer ao exame do magistério, para passar a vitalício.

A reorganização do ensino na vila leva à entrega da Casa do Conde de Ferreira às quatro Juntas de Paróquia, ficando da sua responsabilidade «o custeio,reparos, mobiiia, utensiiios escolares».  Ao professor da Zibreira, Padre José Rodrigues Neto, é concedida licença para a criação dum curso nocturno. A mesma concessão é feita ao professor de Riachos, José Maria Alves. É deliberado pôr a concurso a cadeira, agora vaga, do sexo feminino de Monsanto. A ajudante da escola do ensino elementar da vila, Adelina Amélia da Encarnação é substituída, a seu pedido, por Adelaide Augusta de Gouveia Prestes, gozando uma licença de 6 meses, para se habilitar ao ministério de Lisboa.

A Câmara contacta o professor António dos Reis, com licença para o cargo de subinspector, em relação à Escola do Conde de Ferreira, onde está substituído interinamente por João Maria Lúicio Serra, para saber se põe ou não o lugar a concurso. É informada que aquele desiste do lugar da escola, por ser inspector da 5ª circunscrição de Bragança. Pôe-se  o lugar a concurso,a 18 /9, com o vencimento de 180 mil réis anuais, e mantém-se, enquanto o lugar não for preenchido, o interino .

Manuel Bento, de Carrascos, solicita ser colocado interinamente na cadeira de Carrascos, por o professor se ter transferido para Tomar. A 23/10, é colocada no lugar feminino de Monsanto, D. Ermelinda Mesquita da Silva, que toma posse a 23/11; e para o lugar masculino, o padre Paulo da Silva Costa requer o lugar vitalício, mas durante 1885, a colocação continua nas actas a vir com temporária. João Pedro Vieira, dos Pousos, com o parecer da Junta Escolar, é colocado interinamente no Paço.

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