SEMANÁRIO REGIONALISTA DE TORRES NOVAS | FUNDADO EM 1918 | ANO CI | Diretor: Nuno Vasco Batista Nunes | Sábado, 8 Agosto 2020, 09:41

O palhaço que há em todos nós

Miguel Sousa Tavares utilizou o termo “palhaço” numa entrevista recente, associando este mesmo termo a Sua Excelência o Senhor Presidente da República. O mundo político ficou em polvorosa, tendo à volta deste facto criado um sem número de novelas. Alguns defendendo o Senhor Presidente, dizem ser inqualificável que alguém se dirija a tão alta figura da nação nesse termo. Outros, aproveitando esse acontecimento para tentar cavalgar a onda de descontentamento que grassa na sociedade portuguesa contra os políticos (em especial aqueles que exercem altos cargos na política portuguesa) viram na defesa a Miguel Sousa Tavares uma forma de reforçar e instigar ainda mais essa revolta, que mais não é que um descontentamento generalizado contra o atual estado em que se encontra o nosso país.

Não partilho de nenhuma dessas visões.

Exerço, com muita honra e sentido de serviço da causa pública, funções de eleito na Assembleia Municipal deste município. Participo, por isso, no dia a dia político do nosso concelho e da nossa região, tendo no âmbito dessas mesmas funções travado debates e discussões políticas, com outros cidadãos, eleitos ou não para funções políticas. Como será óbvio, nunca me travei de razões com o Senhor Presidente da República. Mas não preciso que do outro lado esteja tão alta figura do Estado, para saber que devo ter para com o outro um dever de respeito, de consideração, e de elevação no trato. Pouco me importa se o meu interlocutor tem o cargo de Presidente da República, de Presidente de Câmara, de Presidente da Assembleia, Presidente de Junta, Presidente de uma qualquer coletividade da terra, escritor de renome como Miguel Sousa Tavares ou se nem sequer é nenhuma destas coisas. O respeito que me merece qualquer um, portanto, não advém do cargo que desempenha, do título que ostenta, da profissão que tem ou sequer do carro que conduz. O respeito advém da formação moral de cada um de nós, e da forma como entendemos a nossa relação com o outro. E de um outro fator, não menos importante. Não podemos, qualquer um de nós, por esta ou aquela razão, ser apelidados de “palhaço”?

Claro que sim!

Então e gostamos? Claro que não!

E o verdadeiro problema, na minha óptica, é mesmo este. Esquecemos muito os nossos deveres, sobrevalorizando os nossos direitos. Exigimos respeito, quando não nos damos ao respeito. Queremos ser considerados, quando nem sempre consideramos o outro.

No fundo, o problema de Miguel Sousa Tavares, do Presidente da República e do “palhaço” não tem rigorosamente nada que ver com estatutos e cargos. Antes com a educação e formação pessoal de cada um.

Porque no fundo, nenhum de nós tem a capacidade de despertar empatia e a capacidade de todos gostarem de nós, por muito que nos esforcemos. E, pelo menos na opinião de uma qualquer pessoa que por aí ande, todos temos um pouco de palhaço.

Felizmente, o que existe é muita gente bem formada que não nos anda por aí a ofender aos quatro ventos.

António Nobre

Deputado municipal do PSD

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