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Historial

http://oalmonda.net/wp-content/plugins/downloads-manager/img/icons/pdf.gif download: Primeira Edição: 24 Novembro 1918 (1.05MB)
adicionado: 08/04/2009
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 JORNAL “O ALMONDA”

 

(Separata de “A Igreja em Torres Novas no século XX”,

de Joaquim Rodrigues Bicho, 2008)

Cabeçalho de 1924

 

          O Almonda” é um semanário de fim de ciclo, que aparece quando já cerca de duas dezenas deles haviam desempenhado o seu papel de instrução e recreio, doutrinação partidária e política, serviço literário e informativo.

            Surge mais de 65 anos depois de “O Janota Almondino” que, com alguns números manuscritos, abriu a série de periódicos torrejanos. Antecede-o de poucos meses o último número de “O Torrejano”, “semanário republicano, defensor dos interesses da região”, fundado e dirigido por Artur Gonçalves, e suspenso pelo Governo Civil de Santarém ao fim de pouco mais de dois anos de vida. Todos os antecessores de “O Almonda”, com excepção do “Jornal Torrejano”, tiveram vida efémera, de alguns meses ou dias apenas.
        Criar jornais era uma sedução para quem desejava divulgar os seus ideais ou simplesmente exercitar os seus dotes literários. O Rio e a Vila constituíam referência para cabeçalhos. “O Janota Almondino”, “Eco Torrejano”, “Jornal Torrejano”, “Jornal de Torres Novas”, “O Almonda”, “O Comércio de Torres Novas” e “O Torrejano” são títulos que atestam a propensão para enaltecer a Vila e o Rio, porque, se a Vila era motivo de aprazimento e orgulho, o Almonda banhava-a e dela se ia em meandros caprichosos, como se quisesse permanecer mais tempo junto do povoado, de que ele foi fertilidade e fonte primeira.
       
Esta florescência de jornais à medida dos homens e do tempo, pressupõe uma cultura, um saber adquirido e acumulado, uma vontade de divulgar ideais, promover Torres Novas. No fundo, todos desejam uma Terra à sua maneira e, por isso, terçam penas e assumem compromissos.
      
A imprensa regional pode, simultaneamente, ser farol e motor, elemento congregante e dinâmico. Mesmo quando suscita confronto de ideias e caminhos diferentes, ela pode proporcionar emulação, concorrência, disputa saudável e criadora.
      
O Almonda” foi uma presença continuada nas últimas oito décadas do século XX. Acompanhou metade do período daPrimeira República, sobreviveu à segundae assumiu, já depois do 25 de Abril, uma posição moderadora, numa linha eclesial e regionalista.
     
Dividiremos em seis etapas o seu percurso, porventura nem sempre isento, porque condicionado pelo clima reinante, pela opção política dos seus dirigentes. Os jornais são como as pessoas: sujeitos à pressão do meio, vulneráveis ao pulsar das gentes.

 

1ª. etapa

  coronel-am        

           “O Almonda” nasce a 24 de Novembro de 1918, com quatro páginas de 29 x 43 cm, graças a um grupo de jovens de boa vontade que o ambicionava “Semanário noticioso e literário”. Eram eles o redactor principal Pedro Augusto Martins, o director António Manuel da Cunha Ferreira, o administrador José Antunes da Silva Júnior, o editor Alexandre Manuel de Queiroz Alva, e o secretário da redacção Joaquim Vassalo Mendes.
       
 Bem pouco tempo se manteve o redactor principal. Em 24 de Agosto de 1919 (nº. 10), substituía-o Manuel Simões Pinho, que, por sua vez, deixa em 2 de Novembro de 1919 (nº. 20) esse lugar, que é, cumulativamente, assumido pelo director. 
       
Com redacção e administração na Rua Queiroz e composição e impressão na Praça Cinco de Outubro, era sua proprietária a Empresa d’O Almonda. Mas enquanto a redacção e administração se transferiam, em 6 de Janeiro de 1919 (nº. 7), para a Avenida Carlos Reis, a composição e impressão era feita, em 10 de Agosto de 1919 (nº. 8), na Rua Mouzinho de Albuquerque.
        
 O título do jornal, modesto e reduzido no primeiro número, logo no nº. 2 foi melhorado e assim se manteve até 25 de Dezembro de 1920 (nº. 76).
        
Não sabemos se o grupo de jovens que integrou a Juventude Católica Torrejana, fundada em 4 de Agosto de 1916, teve ou não interferência na fundação do jornal. Mas sabemos, garantidamente, que da Juventude Católica foi Alexandre Manuel de Queiroz Alva, seu primeiro editor e Manuel Jacinto de Oliveira e Manuel Rodrigues Cardoso também editores, como a ela andou, igualmente, ligado Justiniano da Luz Fuzeta, que assumiu a direcção de “O Almonda” em 12 de Abril de 1924.
         
O jornal passou por dificuldades logo após o seu nº. 7. Devido ao encerramento da tipografia que o compunha e imprimia, teve de interromper a publicação durante sete meses. Esta longa suspensão prestou-se a comentários e insinuações que feriram a dignidade dos jovens. Eles continuaram, no entanto, a fazer sair o jornal até 7 de Dezembro de 1919 (nº. 25) e só então deram por finda a sua missão.
        
Na hora da partida, António Manuel da Cunha Ferreira deixava o seu desabafo: “Não foi uma criancice da nossa parte o termo-nos lançado a este humilde empreendimento. Foi um grato desejo de sermos um pouco úteis, de contribuirmos em parte para a campanha pró-interesses da nossa terra natal […]”. E ao referir-se à linha de rumo seguida, havia de considerá-la “ […] sempre independente, sempre batalhando, nobremente, com a mesma acrisolada dedicação que nos dirigiu e guiou […]” (nº. 24, de 30.11.19).
        
Para os jovens não era fácil ultrapassar barreiras, vencer resistências. Mas se a sua generosidade saía vencida, a semente germinara. E sem se deter, “O Almonda” entra na etapa seguinte.

 

Cabeçalho de 1934

 

 

   

2ª.etapa                                                                                                                               

            A segunda etapa é marcada por grande instabilidade directiva e administrativa. Mantendo-se embora propriedade da Empresa d’O Almonda, sucedem-se as substituições do seu corpo redactorial, directivo e administrativo, ora por motivos de vida profissional, ora por outras razões que desconhecemos. Mas aqueles que, neste período, mais cuidaram do jornal e lhe imprimiram uma orientação bairrista e cristã, não mais o abandonaram. Se há traços deles no jornal, também este os marcou.
       
Augusto de Azevedo Mendes, Pe. José Maia dos Santos, José Rodrigues dos Santos Gomes Júnior e Manuel Simões Pinho escreveram em “O Almonda” até ao fim dos seus dias. Cada um no seu estilo e todos no desejo evidente de servir a Região e a Igreja, asseguraram uma continuada, longa e preciosa colaboração.
       
Esta etapa inicia-se a 14 de Dezembro de 1919 (nº. 26) com o Pe. José Maia dos Santos em director e redactor principal e Francisco Maia dos Santos em editor e administrador. Agora composto e impresso na Tipografia S. Miguel do Dr. Alberto Dinis da Fonseca, tem a sua redacção e administração na Praça Cinco de Outubro a partir do número seguinte.
       
Bairrismo e independência são os traços marcantes desta nova equipa. “Anima-nos exclusivamente o desejo de trabalharmos pela nossa terra e nada nos impedirá de falarmos, de gritarmos a plenos pulmões, se os interesses de Torres Novas assim o exigirem […] Amamos muito a nossa independência e ela será a norma […]”.
       
Em 2 de Janeiro de 1921 (nº. 77), o jornal reduz o formato, por ter aumentado o custo do papel e da impressão. Com 22 x 32 cm, título minúsculo e quatro páginas, mais parece um jornalinho de crianças. Já não se denomina “Jornal noticioso e literário”, nem diz onde tem a sua redacção e administração.
       
A 19 de Junho de 1921 (nº. 100), assume a chefia do jornal José Rodrigues dos Santos Gomes Júnior como director e redactor, e Manuel Rodrigues Cardoso como editor, que a 30 de Outubro do mesmo ano (nº. 119) o proclamam “semanário noticioso, literário e independente”, ampliam o formato para 24,5 x 36,5 cm e alteram cabeçalho e roupagem da primeira página. Dez números depois, a 8 de Janeiro de 1922 (nº. 129), aumenta de quatro para seis o número de páginas, e a 5 de Março seguinte (nº. 137), o formato para 30 x 43 cm, com redução de seis para quatro páginas.
      
A 19 de Novembro de 1922 (nº. 174), fica só José Rodrigues dos Santos Gomes Júnior em director do jornal e, pouco depois, a 7 de Janeiro de 1923 (nº. 181), também ele o deixa para só aparecer Manuel Jacinto de Oliveira como editor. A direcção, não revelada, é assumida pelo Dr. Augusto de Azevedo Mendes (nº. 1219, 5.12.42). O cabeçalho é substituído por outro mais sofisticado com desenho do castelo, e algumas casas a servirem de fundo ao título.
      
O formato volta a alterar-se, em 19 de Agosto de 1923 (nº. 213), agora para 35 x 50, mantendo as quatro páginas.
       
Em 12 de Abril de 1924 (nº. 247), ao lado do editor Manuel Jacinto de Oliveira, surge o novo director Justiniano da Luz Fuzeta que, a 25 de Abril do ano seguinte (nº. 300), deixa o cargo, logo preenchido, em 9 de Maio (nº.302), por Dr. Evaristo de Matos Branco que conta com José Rodrigues dos Santos Gomes Júnior em redactor e Manuel Jacinto de Oliveira em editor.
       
 Com o nº. 306, de 6 de Junho de 1925, o jornal adopta a máxima de Santo Agostinho “Amai os homens e combatei o erro” e propõe-se pugnar “por Deus, pela Pátria e pela Família”.
      
Em 24 de Outubro de 1925 (nº. 326), desaparece o nome do director e José Rodrigues dos Santos Gomes Júnior afasta-se do jornal, aonde volta poucas semanas depois integrado numa nova equipa. Do elenco, apenasManuel Jacinto de Oliveira permanece como editor.
        
Durante esta segunda etapa, anda por “O Almonda” a sombra tutelar do Dr. Alberto Dinis da Fonseca, homem de iniciativa e de fé, poeta e jornalista, que criara a Tipografia S. Miguel onde o jornal é feito.
       
Distinto advogado e notário em Torres Novas, não deixou “O Almonda”, enquanto não conseguiu interessar nele o seu amigo Dr. Carlos de Azevedo Mendes (nº. 1271, de 4.12.43).
      
Ao longo desta etapa de seis anos, é o Dr. Alberto que, discretamente, assegura a continuidade do jornal, ora proporcionando-lhe meios de subsistência, ora empenhando o Pe. Maia dos Santos e o funcionário do seu cartório José Rodrigues na direcção, e outros amigos nas restantes funções (Cf. Pinharanda Gomes, “O Servo de Jesus Alberto Diniz da Fonseca”).
      
Também o Dr. Augusto de Azevedo Mendes intervém activamente na orientação do jornal e é ele que, depois de uma conversa com o pároco de Lapas Pe. Manuel Caetano, faz “O Almonda” adoptar a máxima de Santo Agostinho, “síntese do pensamento que [o] levara a dar, três anos antes, o [seu] melhor esforço ao semanário local” (nº. 1271, de 4.12.43).

Cabeçalho de 1944

3ª. etapa

 

            Esta etapa inicia-se em 5 de Dezembro de 1925 (nº. 332), encabeçada por Dr. Carlos Dr. Carlos de Azevedo Mendesde Azevedo Mendes em director e José Rodrigues dos Santos Gomes Júnior como administrador.

            O jornal continua propriedade da Empresa O Almonda, é composto e impresso na Tipografia S. Miguel, mas apresenta-se com redacção e administração no Largo do Salvador, nº. 1-1º. Deixa de se proclamar “semanário noticioso, literário e independente”, mas mantém o cabeçalho, as habituais quatro páginas, o lema “por Deus, pela Pátria e pela Família” e a fidelidade à máxima de Santo Agostinho “Amai os homens e combatei o erro”, que corrige, em 13 de Fevereiro de 1926 (nº. 342), para “Amai os homens e combatei os erros”. O seu novo director afirma-o, claramente, jornal de inspiração cristã e propõe-se defender os princípios cristãos, pugnar pelas liberdades e seguir uma orientação vincadamente regionalista.

            Em 6 de Fevereiro de 1926 (nº. 341), o formato é alterado de 35 x 50 para 38 x 51 cm e assim se mantém durante quase treze anos. Em 3 de Julho de 1926 (nº. 362), o jornal começa a ser visado pela comissão de censura e na semana seguinte (nº. 363), José Rodrigues dos Santos Gomes Júnior acumula o cargo de editor com o de administrador que já exercia. Em 5 de Março de 1927 (nº. 397), a administração está instalada na Casa S. Miguel, na Praça Cinco de Outubro e a redacção (tipografia) no Largo do Salvador, nº. 1.

            No nº. 405, de 30 de Abril de 1927, aligeira-se o cabeçalho, ao lado do qual se perfilam as torres do castelo e omite-se o local de impressão e o proprietário que reaparece, ainda o mesmo, quatro números depois. O lema “por Deus, pela Pátria e pela Família” mais se destaca no topo da primeira página. É ainda seu director Carlos Mendes e administrador José Rodrigues. “Amai os homens e combatei os erros” e locais de redacção e administração mantêm-se.

            Ainda que, muito provavelmente, “O Almonda” disponha de tipografia própria desde Março de 1927, só em 13 de Outubro de 1928 (nº. 481) se anuncia composto e impresso na tipografia de O Almonda.

            Em 21 de Maio de 1932 (nº. 669), o Dr. Carlos de Azevedo Mendes aparece como director e proprietário, para deixar de figurar como proprietário em 24 de Novembro de 1934 (nº. 800) e reaparecer em 1 de Maio de 1937 (nº. 927). Todavia, tanto o prédio, como as oficinas de composição e impressão do jornal nele instaladas, foram adquiridos pelo Patriarcado de Lisboa ao Dr. Alberto Dinis da Fonseca, por escritura de 1 de Março de 1934, lavrada no cartório do Dr. Evaristo de Matos Branco, ficando o Pe. Augusto Durão Alves como delegado do Cardeal Patriarca junto da direcção e administração do jornal (nº. 1219, 5.12.42), situação que nesta data se mantinha.

            A 14 de Abril de 1934 (nº. 768), a administração junta-se à redacção no Largo do Salvador, nº. 1. Por ocasião do seu aniversário em 24 de Novembro de 1934 (nº. 800), “O Almonda” apresenta um cabeçalho ainda mais simples e a redacção, administração, composição e impressão no Largo do Salvador, nº. 1. O lema “por Deus, pela Pátria e pela Família” aparece mais discreto, por diminuição do volume de letra.

  dr-alberto-dinis-da-fonseca          Em 7 de Janeiro de 1939 (nº. 1015), o formato altera-se para 27 x 38 cm que vai continuar durante quase quinze anos, o número de páginas sobe de quatro para oito e o título apresenta-se ainda mais simples, até mudar para gótico em 5 de Fevereiro de 1944 (nº. 1280). E assim se mantém até ao fim desta etapa, a 14 de Junho de 1947.

            Durante quase um quarto de século, que tanto ela durou, “O Almonda” segue o lema “por Deus, pela Pátria e pela Família” e a máxima de Santo Agostinho “Amai os homens e combatei os erros”.

            Também o director e o administrador, sempre os mesmos, o acompanham no seu caminhar e lhe animam as páginas com a sua inconfundível prosa bairrista e cristã.

            Podemos invocar, em desfavor, que o jornal apoiava o Estado Novo. Mas não podemos nem devemos esquecer a situação de descrédito a que chegara o País nos últimos anos da Primeira República, o que, desapaixonadamente, a história já vai relevando, e o clima de relativa tranquilidade vivido durante a guerra, ainda que com as restrições de abastecimento que, muitas vezes, se fizeram sentir.

            Os jornais, como as pessoas, não conseguem, geralmente, subtrair-se ao ambiente que os envolve. Ao viverem uma época, com ela se identificam e confundem. Já é bastante que, nesta longa etapa, ele se tenha mantido dentro de uma linha de defesa dos interesses da região e de fidelidade à Igreja. O que, por si só, revela uma admirável persistência nos nobres ideais que o norteavam.

Cabeçalho de 1953 

 

4ª. etapa

            Se pomos fim à terceira etapa em 14 de Junho de 1947, é porque o jornal de 21 desse mês e ano (nº. 1456) apresenta como novo proprietário a sociedade Luz & Progresso, Lda., sedeada no Patriarcado de Lisboa, no Campo dos Mártires da Pátria, nº. 43. Logo a seguir, em 12 de Julho (nº. 1459), é a vez da Tipografia de “O Almonda” ceder o seu lugar, no Largo do Salvador, à Gráfica Almondina, também ela propriedade da mesma sociedade Luz & Progresso, Lda.

            Mas o director e o administrador ainda são, respectivamente, Carlos Mendes e José Rodrigues, que mantêm esses cargos até à morte.

            A mudança de proprietário do jornal e da tipografia compromete mais a Igreja nestas actividades e nelas assume maior intervenção o Pe. Augusto Durão Alves, dispensado, há alguns anos, de paroquiar por motivos de saúde. Aliás, já no final da etapa anterior, aquele sacerdote ali exercia papel relevante.

            Durante mais de outro quarto de século, o jornal vai prosseguir a mesma orientação, embora, sempre por motivo de falecimento, tenha mudado de director e administrador. Assim, em 24 de Novembro de 1956 (nº. 1950), o Pe. Augusto Durão Alves torna-se administrador e editor por morte de José Rodrigues dos Santos Gomes Júnior; em 8 de Junho de 1957 (nº. 1979), o Pe. Joaquim José Búzio ocupa os mesmos cargos por morte do Pe. Augusto Durão Alves; e em 19 de Maio de 1962 (nº. 2137), também o de director interino, por morte do Dr. Carlos de Azevedo Mendes. Em 27 de Maio de 1972 (nº. 2657), a redacção, administração, composição e impressão mudam do Largo do Salvador para a Rua do Cid, 17.

            O prosseguimento da mesma orientação não impede que, em 30 de Agosto de 1952 (nº. 1731), omita a máxima “Amai os homens e combatei os erros”, de Santo Agostinho e se afirme regionalista no cabeçalho; em 4 de Abril de 1959 (nº. 2074), elimine a trilogia “por Deus, pela Pátria e pela Família”, que vem a retomar em 5 de Janeiro de 1963 (nº. 2171), para a omitir, de novo, em 27 de Novembro de 1965 (nº. 2320), reaparecer em 7 de Janeiro de 1967 (nº. 2376) e desaparecer, definitivamente, em 19 de Outubro de 1968 (nº. 2877).

            Já “regionalista”, se desaparece, às vezes, do seu frontispício, mais se deverá a omissão ou arranjo tipográfico do que a qualquer outro motivo.Pe. Joaquim José Búzio

            Se a orientação se mantém, já o cabeçalho muda com frequência inaudita: em 30 de Agosto de 1952 (nº. 1731), é o título reproduzido por letras em branco, sobre fundo desenhado do castelo; em 15 de Maio de 1954 (nº. 1819), adopta cabeçalho mal conseguido que dura poucos meses, formato de 35 x 50 cm e quatro ou, acidentalmente, seis páginas; em 21 de Agosto de 1954 (nº. 1832), letras abertas e sombreadas sobre castelo desenhado; em 26 de Novembro de 1955 (nº. 1898), título de letras negras sobre esboço da pérgula, oito páginas e formato de 30 x 42 cm; em 4 de Janeiro de 1958 (nº. 2009), letras de título maiores e ainda mais negras, formato de 35 x 50 cm e seis páginas; em 28 de Março de 1959 (nº. 2073), o mesmo título, mas geralmente em cor verde; em 7 de Janeiro de 1961 (nº. 2066), título menos feliz, negro, a que se subpõe a ficha do jornal inserta em tarja verde; em 25 de Março de 1961 (nº. 2077), oito páginas; em 5 de Janeiro de 1963 (nº. 2171), título de letras brancas, sombreadas a vermelho e inscritas em rectângulo tracejado da mesma cor; em 21 de Setembro de 1963 (nº. 2207), ainda título de letras brancas, mas sombreadas a preto, em rectângulo tracejado a preto também.

            A partir de 11 de Dezembro de 1965 (nº. 2322), o cabeçalho anterior, que se localizava no centro da página, ora se situa à direita, ora à esquerda e o sombreado das letras e tracejado do rectângulo tomam várias cores; em 7 de Janeiro de 1967 (nº. 2376), altera-se o título para letras brancas inclinadas, em rectângulo vermelho, letras que se apresentam direitas em 19 de Outubro de 1968 (nº. 2877); em 28 de Fevereiro de 1970 (nº. 2440), as letras encorpam-se e alargam-se para preencher todo o topo da primeira página, em rectângulo, ora verde, ora vermelho.

            São, pois, alterações excessivamente frequentes e nem sempre conseguidas, que alteram o rosto do jornal, mas não lhe afectam o conteúdo.

Cabeçalho de 1955

 

 

 5ª. etapa

 

            Com o 25 de Abril, o jornal adequou-se aos tempos da Revolução. Franqueou as suas colunas à euforia e denúncia, relatou acontecimentos, acolheu comunicados, pulsou ao ritmo do tempo. É um rumo que pode discutir-se, como tudo o que os outros fazem e não alcança a nossa adesão. Todos sabemos como fazer, tantas vezes ao retardador.

            Então não gostaram uns, como antes não gostavam outros de sinal contrário. Seria melhor que o jornal se mantivesse estático, alheio à mudança, indiferente ao que ocorria à sua volta? É a interrogação que deixamos.

            Durante os meses quentes da Revolução, “O Almonda” fez história. Como sempre fizera e tem continuado a fazer. Mas ninguém pode negar que, antes, durante e depois, sempre se respirou nas suas páginas o mesmo sentimento regionalista, a mesma atitude de fidelidade à Igreja.

            O bom senso e o tempo suavizaram alguns excessos da Revolução e “O Almonda” continuou a caminhada na linha de defesa dos interesses da sua Terra e da promoção humana e social das suas gentes. É assim que o julgamos, embora respeitemos quem outro juízo faça.

            Pareceu-nos ajustado fixar uma nova etapa aos tempos da Revolução e pós-Revolução e estendê-la até finais de 1991, por quatro direcções distintas: de Eduardo de Jesus Bento, com início em 18 de Maio de 1974 (nº. 2960), de Pe. Amílcar Luís Fialho, que lhe sucede em 24 de Maio de 1975 (nº. 3013), de Pe. Frutuoso Duarte Matias, que, interinamente, em 16 de Novembro de 1979 (nº. 3185) e, efectivamente, a partir de 18 de Janeiro de 1980 (nº. 3193), o substitui, e de Pe. Manuel Alves, que em 2 de Novembro de 1984 (nº. 3442), lhe dá continuidade.

            É interessante assinalar o rumo que Eduardo Bento e Pe. Amílcar se propõem dar ao jornal. Eduardo Bento traça-o claramente em 18 de Maio de 1974 (nº. 2960): “Agora, quebradas as amarras, caídas as mordaças, temos a palavra exacta, sem disfarce, sem camuflagens. É sempre o tempo da verdade […]. Queremos que “O Almonda” seja um jornal independente, apartidário, aberto a todos aqueles que, sem demagogias, pretendem erguer este País despovoado”.

            Também o Pe. Amílcar escreve, a 24 de Maio de 1975 (nº. 3013), em “Perspectivas do novo Director”: “Uma coisa é certa. Empenhar-me-ei desde o primeiro momento, não em servir ninguém, mas a Verdade, que é revolucionária. Desde já garanto que não irei publicar tudo aquilo que as pessoas quiserem ver escrito no jornal “O Almonda”, talvez por ‘narcisismo’ ou desejo de evidência. Mas publicarei tudo aquilo que liberte o Homem, no respeito pela sua liberdade e dignidade”. E nos números seguintes, desenvolve o esquema: uma tentativa experiência ao serviço dos que não têm voz (como meio de Comunicação Social e como Jornal Regional), pluralismo de opiniões-ideia sem partidarismos, uma leitura cristã das situações acontecimento, uma procura de o situar no actual contexto sócio-político em que vivemos.

            Para na saída, em 9 de Novembro de 1979 (nº. 3184), confessar a sua frustração: “Passados mais de quatro anos de fortes tensões provocadas pela angústia constante de me sentir ‘bola de pingue-pongue’ nos jogos de interesses, verifico, com pena, a necessidade de abandonar o campo por falta de forças físicas. Numa luta permanente e desgastante, obrigando-me, tantas vezes, a enfrentar problemas e situações cheios de imponderáveis e contradições, o confronto humano, social e cristão arrasa o sistema nervoso, provocando possíveis doenças de consequências incalculáveis”.

            O Pe. Frutuoso, que lhe sucede, muito dá ao jornal do seu bom gosto na fotografia e no arranjo, ao mesmo tempo que lhe imprime a sua prosa inconfundível e o seu dinamismo criador. Mas com a saída para Rio Maior, sentem-se dificuldades em substitui-lo.

            Constitui-se, entretanto, uma equipa com Joaquim Rodrigues Bicho e José da Silva Gonçalves, a que dão colaboração permanente as teresianas Deolinda Machado, Felisbela Valente e ainda Mário Bernardino. Mas esta equipa só em 10 de Julho de 1987 (nº. 3582) se dá a conhecer.

            É com esta equipa que, num clima de confiança e de boa vontade, o Pe. Manuel Alves se dispõe a assumir, nominalmente, a direcção do jornal. Na verdade, por mais que ele o desejasse, as suas funções no Colégio Diocesano Andrade Corvo não lhe consentiam disponibilidade para exercer essa direcção. Escrevia-se a 2 de Novembro de 1984 (nº. 3442): “Não vão mudar as directrizes de “O Almonda”. Jornal regional, vai continuar na defesa da vasta região de Torres Novas e dos seus valores, sem se perder em discussões estéreis e não tendo outro objectivo que não seja o de contribuir para a missão de todos os Torrejanos”.

            Por motivos da sua vida particular, saem desta equipa Deolinda Machado e Felisbela Valente nos finais de 1988 e José Gonçalves um ano depois. Mas a Joaquim Rodrigues Bicho e Mário Bernardino vêm juntar-se António Belo Barreto em 6 de Janeiro de 1989 (nº. 3660) e Jorge Manuel Santos Correia em 5 de Janeiro de 1990 (nº. 3712), em reforço da equipa que vai manter-se até ao fim da etapa.

            Também a administração mudou: Pe. Joaquim José Búzio no início da etapa e Pe. Frutuoso Duarte Matias em 10 de Maio de 1975 (nº. 3011). Mas em 16 de Novembro de 1979 (nº. 3185), quando assume a direcção do jornal, o Pe. Frutuoso deixa de mencionar o seu nome como administrador, embora exerça, de facto, este cargo até 26 de Outubro de 1984 (nº. 3441). Depois da entrada do Pe. Manuel Alves, o jornal não mais teve administrador nomeado, cabendo essa responsabilidade a Manuel Lopes Inês, administrador da Gráfica Almondina.

            Em 8 de Maio de 1987 (nº. 3573), “O Almonda” apresenta, pela primeira vez, o suplemento “O Almonda Desportivo”, coordenado por Joaquim Canais Rocha, que já vinha dando orientação e coordenação a “Desporto é Vida”.

            Em 18 de Setembro de 1987 (nº. 3592), a propriedade do jornal é transferida da sociedade Luz & Progresso, Lda. para a Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de S. Pedro de Torres Novas.

            Quanto a título, em 18 de Maio de 1974 (nº. 2960), volta a reduzir-se, com letras minúsculas vermelhas e inclinadas que ocupam apenas parte do topo da página, para em 9 de Janeiro de 1976 (nº. 3046) ser inserto sobre barra vermelha com letras minúsculas brancas e direitas, e em 2 de Janeiro de 1981 (nº. 3242), apenas com letras minúsculas e vermelhas que cobrem a quase totalidade do topo da página.

            Também o número de páginas se altera: oito, dez e doze em 1978, dez em 1979, doze e acidentalmente mais em 1980.

            Durante todo o período, “O Almonda” assume-se como “semanário regionalista”, com uma tiragem de 3350 exemplares em Janeiro de 1979 e 4850 em Dezembro de 1991 e oscilações crescentes e decrescentes ao longo do período.

Cabeçalho de 1956

 

6ª. etapa

 

            Entramos na sexta etapa em 3 de Janeiro de 1992 (nº. 3816) com um jornal inteiramente remodelado. O formato, tablóide, fixa-se em 30 x 42 cm, as páginas aumentam para vinte, às quais se juntam oito de “O Almonda Desportivo” coordenado por Joaquim Canais Rocha, o jornal arruma-se e ordena as suas páginas: Editorial, Opinião, Estudos e Temas, Comunidade Cristã, Região, Vária, Página Ímpar, Última Página. A tiragem sobe para 5000 exemplares.

            O título, muito alterado e concebido em letras negras, tem sob o primeiro “O” a sua reprodução em caracteres árabes, e foi estudado e executado por José Marques Abreu, que também concebeu o arranjo gráfico do jornal.

            Com a mesma direcção e redacção, inicia-se, assim, uma nova etapa, que não lhe altera o rumo, mas apenas lhe muda o rosto.

            Em 6 de Novembro de 1992 (nº. 3860), Joaquim Rodrigues Bicho substitui o Pe. Manuel Alves. “Foi um Amigo que esteve connosco; foi um companheiro sempre dedicado e disponível. Aceitou a direcção como um serviço e deu-lhe quanto tinha para lhe dar e estava ao seu alcance”.

            O novo director é acompanhado, na redacção, por Mário Bernardino, António Belo Barreto e Jorge Manuel Santos Correia, mas em 18 de Dezembro de 1992 (nº. 3866), por morte de António Barreto, a equipa redactorial fica reduzida a dois.

            Em 22 de Janeiro de 1993 (nº. 3871), junta-se-lhes José Carlos Fernandes Carreira, em 26 de Agosto de 1994 (nº. 3954) João Luís Antunes da Piedade Canais, em 6 de Janeiro de 1995 (nº. 3973) Ana Rita Rodrigues. Mas em 5 de Janeiro de 1996 (nº. 4025), Ana Rita ausenta-se de Torres Novas, e vem dar a sua colaboração Maria Helena Inês. A equipa fica, assim, constituída por Joaquim Rodrigues Bicho em director, Mário Bernardino em chefe de redacção e Jorge Manuel Santos Correia, José Carlos Fernandes Carreira, João Luís da Piedade Antunes Canais e Maria Helena Inês na redacção.

            Em 5 de Setembro de 1997 (nº. 4112), “O Almonda” regista a morte prematura de Mário Bernardino, que tanto deu ao jornal, em colaboração voluntária de início, e como redactor e chefe de redacção depois. Era um homem dedicado e atencioso, disponível e incansável. “Artista por natureza, era um apaixonado da música e da fotografia e trouxe às páginas do jornal imagens incomparáveis de beleza que constituem preciosa colecção”.

            Em 7 de Novembro de 1997 (nº. 4121), a direcção é assumida por Bento Barbosa Leão e a redacção constituída por José Carlos Fernandes Carreira, João Luís da Piedade Antunes Canais e Maria Helena Inês, aos quais vem juntar-se, em 21 de Novembro de 1997 (nº. 4123), Luís Miguel Lopes Mendes do Coito como redactor principal. E assim se mantém até 2000.

            Em 1 de Julho de 1994 (nº. 3946), o jornal começara a reproduzir fotografias a cores na primeira e última páginas. E em 6 de Janeiro de 1995 (nº. 3973) atingira a sua maior tiragem – 5150 exemplares.

legenda 

 

Difusão de “O Almonda”

            Esta tiragem repartia-se por: 1 177 assinantes em Torres Novas; 1 627 assinantes noutras localidades do Concelho; 573 exemplares vendidos nas bancas; 908 assinantes no resto do País; 283 assinantes na Europa (CEE); 67 assinantes na Europa (fora da CEE); 160 noutros continentes. O resto era distribuído por bibliotecas e anunciantes, ou enviado como permuta e oferta.

            Mencionemos também as localidades portuguesas onde residiam dez ou mais assinantes: Lisboa 210; Alcanena 63; Entroncamento 63; Santarém 32; Minde 29; Tomar 26; Golegã 24; Odivelas 22; Amadora 21; Coimbra 19; Almada 18; Sacavém 18; Ourém 17; Queluz 17; Parede 15; Cacém 14; Vila Franca de Xira 13; Linda-a-Velha 12; Leiria 10; Loures 10; Mem Martins 10; Oeiras 10. Com menos de dez, contam-se 101 localidades.

            Por países, também com dez ou mais assinantes, figura em primeiro lugar a França com 227, seguida do Canadá com 130, Suíça 66, Alemanha 33 e Estados Unidos 10. São 15 os países com menos de dez assinantes.

            Ficam estes números como simples curiosidade. Quando se lança um jornal, nunca se sabe até onde ele pode chegar. Galga fronteiras do Concelho, do País, do Continente, para se abrir sob o olhar interessado ou, porventura, saudoso dos Torrejanos, que o sustentam e são a causa do seu viver. 

 

Conclusão

 

            Chegados ao fi m do século XX, somos levados a concluir que, em todo o seu percurso, “O Almonda” tem sido repórter, arauto e defensor da Região. Acontecimentos, sucessos ou fracassos, perpassam nele, semana a semana, numa sintonia com o pulsar das gentes e o dinamismo que as sustenta.

            No registo do presente ou na antevisão do futuro, o jornal relata sinais de vida e aspirações ou inconformismos, que interpelam e despertam, e podem, porventura, mudar o rumo das coisas. Este contributo para a vida e história da Cidade e localidades do Concelho é reconhecido pelos Torrejanos que acorrem a consultar a colecção de ”O Almonda”, já muito danificada por tão repetido manuseamento.

            O jornal oferece matéria bastante para reviver outros tempos e deles haurir as aspirações do passado e a experiência do tempo. As suas breves notícias em “À pesca de Notícias” e “Pela Vila”, que os mais velhos de hoje poderão ter julgado repetitivas e desinteressantes, constituem um manancial de informação que permite traçar o rumo desta Terra nas últimas oito décadas do século passado.

            A imprensa tem um valor incalculável. E Torres Novas teve-a e tem-na desde o século XIX, ainda que repartida por diversos periódicos de efémera duração. Nem por isso, os que antecederam “O Almonda” podem hoje minimizar-se.

            Com a fundação do jornal em 1918 e de outros que se lhe seguiram, entre os quais “A Forja”, “O Riachense” e “Jornal Torrejano”, os dois últimos com presença ininterrupta há muitos anos, não falta matéria para historiar o século XX com segurança e pormenor.

 

Nota:

            Não se esgotam no presente texto todas as alterações registadas em “O Almonda” desde a sua fundação até ao século XXI. Procurou-se, ao menos, referir as que lhe deram nova feição e asseguraram continuidade.

            Também as datas, que assinalam a entrada em funções de novos corpos directivos, administrativos e redactoriais, ou a mudança de propriedade, são apenas aquelas que o jornal anunciou.

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