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Recuperada a Capela do Carril está pronta a abrir portas ao público

A Capela de Sta Quitéria – nome dado pela sua benfeitora com o mesmo nome – foi mandada erigir em Setembro de 1749, por vontade deixada em testamento, que mandou construir uma capela no seu Casal do Carril, conforme o registo do arquivo das capelas, na Torre do Tombo. Os seus herdeiros tinham para além da edificação a obrigatoriedade de mandar celebrar missa, perpetuamente, todos os domingos e dias santos, de nomear um capelão e de o retribuir. Agora a Capela foi recuperada e irá reabrir ao público no domingo, dia 19, pelas 16h.

Há muito que a capela estava num estado de abandono. Na posse das paróquias de Torres Novas, surgiu a oportunidade de a recuperar, tendo a tarefa começado em 2008, com o arranjo do telhado. Agora o interior, especialmente o painel de azulejos e o retábulo central foram intervencionados por dois especialistas, os azulejos pela equipa do Dr. Ricardo Triães e a parte de talha pela equipa da Dra. Madalena Maltez.

Ricardo Triães é Conservador e Restaurador e também docente no Instituto Politécnico de Tomar em materiais cerâmicos. Explicou a “O Almonda” que o painel de azulejos é difícil de datar pois, embora a capela tenha sido mandada erigir pela testamentária em 1753, a sua construção só terá sido concluída em 1910. Pode-se afirmar que a construção da capela terá sido iniciada na segunda metade do século XVIII, mas os azulejos, estilisticamente, são da primeira metade desse século. De acordo com o Dr. Ricardo Triães eles apresentam «reminiscências do estilo Rococó e não se enquadram no Barroco». Além do que uma Historiadora de Arte encontrou alguns materiais que poderão ser típicos de um autor de que apenas se conhecem as iniciais PMP, que terá outros trabalhos desse início de século. Acrescentou que o painel de Azulejos não deverá ser original para a capela e há relatos de memória populares que dão conta da vinda do painel de um palácio de Lisboa. Os motivos do painel de azulejos juntam episódios de um franciscano, mercadores, cenas de batalhas entre outros motivos. Não é um painel fácil de entender, pois mistura aspetos religiosos com motivos arquitetónicos. Sublinha o Dr. Ricardo Triães que é um painel interessante por ser contínuo, o que só por si é «relevante».

A equipa da Dra. Madalena Maltez, que tratou de recuperar a talha, produziu para esta ocasião um pequeno folheto informativo onde dá conta das principais intervenções. Esse folheto, para além de ter informações históricas sobre a Capela do Carril, tem outro objetivo, o de permitir às pessoas que conheçam o seu património, pois assim, explicou a Dra. Madalena Maltez, as pessoas poderão ficar mais sensibilizadas para a sua defesa e salvaguarda. Há um conjunto de recomendações que pode ser útil ao público e a quem vai ficar a cuidar da capela, sendo ali dito que não se deve limpar o pó das obras policromadas ou douradas e aconselhando à manipulação dos objetos apenas quando for indispensável.

Luís Miguel Lopes

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