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… Um mundo que aí vem

 

Tenho recebido alguns recados sobre o sentido do “incurável” pessimismo destas crónicas semanais. Eu diria que não vou POR ESTA ESTRADA de bom grado, mas vou, inelutavelmente por onde ela me leva. Quem dera que eu aspergisse de optimismo a visão que lanço sobre o mundo dos nossos dias.

 

Olhemos para os líderes políticos mundiais, esses condutores dos Estados, que são o exemplo claro de desorientação e de incapacidade de resposta adequada para enfrentar a situação. Atentemos como eles reúnem, conversam, almoçam e sorriem. Sorriem para a fotografia, como se ainda tivessem o controlo da Coisa. Mas não. A crise, apesar de todos os paliativos, agrava-se mais, dia a dia. Falham todas as tácticas e estratégias. E os planos inovadores aparecem furados no dia seguinte. Os problemas do nosso tempo, não se reduzem à questão financeira. São mais abrangentes e mais fundos. Vivemos uma crise humana que acelerou durante o século passado e em que o homem perdeu o sentido da sua existência, se desumanizou, transformando-se num ser vazio, pronto a sorver tudo o que a publicidade lhe pusesse na manjedoira. E este ser, perdeu a humanidade porque hipotecou a liberdade tornando-se escravo do relativo e do imediato. A propaganda, destruindo todos os pontos de referência, todos os valores orientadores, criou um ser disposto ao consumo. E este novo homem, cuja felicidade está no consumismo, acabou por ser consumido.

 

É certo que a chama consumidora desta sociedade teve origem nas engenharias financeiras e em múltiplas falcatruas que, ao ruírem, mostraram a nudez deste homem que já não pode satisfazer o seu sonho de felicidade no último modelo automóvel ou no telemóvel mais sofisticado.

 

Pessimismo? Basta olhar para as instituições e verificar que, apesar de todas as reformas e de toda a inovação tecnológica, elas falharam. Atentemos apenas em duas dessas instituições, A justiça e a educação. O que ressalta para a opinião pública é que a justiça está paralisada. Arrastam-se, indefinidamente os casos, sem conclusão, continuamos a ver dois pesos e duas medidas. A justiça vive desgarrada da necessidade da ordem pública e da satisfação de segurança dos cidadãos. A escola… a escola cada vez mais obrigatória e cada vez menos voluntária, tornou-se numa coisa anémica, opressiva onde alunos e professores experimentam a sua vida inútil.

 

Não sairemos da crise. Pois não se trata de crise, mas do fim dum sistema desumano e opressivo. Com mais ou menos terramoto o que temos aí é o nascimento de um novo mundo, dolorosamente novo. Esperemos que mais humano do que este de que estamos a sair. Então, eu não sou optimista?

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