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Já comprou uma raspadinha

A crise que o País vive e as dificuldades que estão a atrapalhar muitos portugueses e torrejanos, em geral, leva as pessoas a serem imaginativas e a recorrerem a todo o expediente. Quem diariamente passe pelos quiosques que vendem jornais e revistas, apercebe-se do número elevado de pessoas a comprarem raspadinhas, de um, dois e três euros. E muitas vezes em quantidade. Não sabemos é qual é o valor do retorno. É uma forma fácil de se conseguir algum dinheiro, sem qualquer trabalho. Já temos perguntado se tem aparecido raspadinhas com volume grande de euros, mas nunca obtivemos resposta, mas compreende-se a razão. E o mais engraçado de tudo isto, são os idosos e menos jovens que adquirem mais raspadinhas, com idades muito variadas e de todas as classes sociais. Depois do euromilhões surge agora a raspadinha a marcar pontos. Um estudo que o “Diário de Notícias” realizou apresenta números astronómicos. Sabia o leitor que os portugueses estão a comprar 24 mil raspadinhas por hora? E a Santa Casa já vendeu este ano cerca de 40 milhões de raspadinhas de um euro? São números que nos surpreendem, mas que são o espelho duma crise que está a afectar as famílias portuguesas. Daí os apostadores verem nos jogos instantâneos uma solução rápida para a crise. Quando as pessoas não conseguem controlar as suas decisões e não conseguem evitar o desejo de jogar, tornando-se um hábito, é um caminho que as pessoas devem evitar. Comprar de vez em quando uma raspadinha – como nós o fazemos – não prejudica ninguém. Um euro é quase o preço de um café ou dum jornal. Os jogos são sempre uma atracção. E quando se começa demora-se tempo a desistir. Porque a ideia que fica é que pode sair a seguir. Talvez há mais de 4 dezenas de anos, numa visita que fizemos à praia da Figueira da Foz, recebemos um convite para visitar o Casino. Por sinal não levávamos gravata – que raramente usamos – e tivemos que arranjar uma para poder entrar. Uma vez lá dentro, despertou-nos logo a atenção as máquinas das moedas. E vimos o dinheiro a cair. Fomos tentar e também nos saiu. Nada de importante, mas não continuámos porque se calhar ficava lá tudo. Temos que saber parar, quando é necessário…

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