Home > Colaboradores > Carlos Pinheiro > Ano Novo, Vida Velha!

Ano Novo, Vida Velha!

Mal acabámos de sair dum ano bissexto, 2012, entrámos de imediato em 2013, e só a sua terminação, 13, dá que pensar, especialmente a quem anda em maré de azar.

Mas não é preciso ser-se supersticioso para se acreditar que o ano de 2013 vai ser diferente, para pior, do que foi o ano de 2012, que foi como sabemos.

Veja-se por exemplo, o alargado consenso que se gerou contra o Orçamento de Estado. É o Presidente da República, são os partidos da oposição, é o Conselho de Concertação Social, são os comentadores televisivos, tudo contra, ou pelo menos com sérias dúvidas, uns por uns motivos, outros por outros, mas o certo é que nunca um O.E. gerou tanta preocupação quanto aos resultados da sua eventual aplicação.

Citando o Prof. José Gil “Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspectivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida”.

O momento é deveras preocupante. Falta-nos a esperança, falta-nos a luz ao fundo do túnel, o horizonte está negro. Nem o facto de 2013 vir a ser um ano de eleições autárquicas, nem isso ajuda na procura da esperança que falta. Até porque, dada a trapalhada que passou a envolver tal acto desde que foi decidido acabarem com cerca de 1.200 freguesias, ninguém duvida que a confusão está lançada.

A única certeza que temos é que a austeridade veio para ficar, mas também sabemos que nem todos são abrangidos. Independentemente de outros juízos de valor acerca da tal austeridade, não é por acaso que um recente relatório do Tribunal de Contas, segundo o Público de 03.01.13, afirma que não existe evidência de que as despesas de funcionamento dos gabinetes dos membros do Governo tenham diminuído”. Alguém tem dúvidas?

E mais à frente a mesma notícia diz: “No estudo aos gastos dos gabinetes ministeriais, o Tribunal de Contas convida ainda o Governo a praticar maior transparência no que respeita aos orçamentos dos gabinetes de ministros e secretário de Estado”.

Ainda segundo a mesma notícia, há ainda alguns pormenores que merecem ser transcritos:

– “A inexistência de um tecto máximo para a despesa dos gabinetes e a manutenção da sua opacidade revelam que persistem anomalias, situação que deve ser ultrapassada em nome do rigor e da transparência diz ainda o estudo revelado pela TVI e citado pelo Público”.

– “Em matéria de transparência e publicidade da informação dos gabinetes ministeriais houve melhorias. No entanto, da informação disponibilizada não consta ainda, a dotação orçamental inscrita para cada gabinete, acrescenta o estudo”.

– “O Tribunal de Contas diz também que «no actual dispositivo legal, à semelhança do anterior, não constam critérios sobre a atribuição de regalias como o cartão de crédito, uso de viatura e despesas de telefone» ”.

Sobre o mesmo assunto, desta vez do I de 05.01.13, transcreve-se: “Governo tem 164 “especialistas” a ganhar até 5.775 euros por mês. Auditoria do Tribunal de Contas revela dúvidas sobre a experiência profissional destes técnicos, até porque 15% têm entre 24 e 29 anos”. Tudo fruta de cima, tudo papagaios de janela, como dizia um amigo meu.

Mesmo a terminar o ano, o Banif levou do Estado MIL E CEM MILHÕES DE EUROS. Foi mais um banco a ser nacionalizado já que o estado ficou lá com mais de 90% do capital do banco. Mas mesmo assim, nem um administrador lá colocou, certamente porque a administração que lá está é de confiança a toda a prova. Para estes casos há sempre dinheiro com fartura. Alguém tem dúvidas?

Agora para início de ano, isto não está mau de todo. Só falta agora os senhores de S. Bento considerarem o Tribunal de Contas na mesma linha em que parece que classificam já o Tribunal Constitucional.

Resta-nos a consolação de que o povo cada vez acredita mais na raspadinha que tem vindo a registar procura e crescimentos assinaláveis, próprios das épocas de crise. Entretanto, segundo os jornais, as maiores fortunas portuguesas cresceram todas em 2012. Que dizer mais? Nada!

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook