Home > Colaboradores > António Mário Lopes dos Santos > Um passo (mesmo atrás) de cada vez

Um passo (mesmo atrás) de cada vez

 

É domingo. São 14.18 minutos. Procuro mudar de canal televisivo, dos três por cabo de informação generalista: a SIC notícias, o 24 TVI e a RTP N. Não me consigo libertar do primeiro-ministro e da sua entronização régia como secretário-geral do PS. Vitorino de Magalhães Godinho, um dos ministros socialistas da educação do PREC e um dos mais importantes historiadores deste país, em entrevista recente ao Diário de Notícias, declarava: «Não temos democracia em Portugal, isso é fantasia. [Temos] um estado corporativo como Salazar sonhou e nunca conseguiu.». Oiço, ou guardo na mente, a diatribe de António Costa contra o Bloco de Esquerda –só se excomunga o que se teme, é uma das lições da história -, do anátema só contra O Público ( o meu jornal diário) e a TVI , dum Arons de Carvalho que, ao que se saiba, quando poder, mais não fez que controlar partidariamente os média, pondo-os ao serviço do seu partido.

 

Não consigo outras imagens. É uma fornada de desinteligência, de lavagem ao cérebro, de Chico Espertíssimo vendido pelas Novas Alternativas. Nunca houve, como agora, na sociedade portuguesa, tanto medo, tanta insegurança, tanto desconforto, tanta abjecção, em nome duma sociedade mais justa. Mas, pergunto, onde estão presos os que roubam milhões atrás de milhões, compram as decisões políticas a troco de cargos empresariais – quem se mete com o PS, leva, lembram-se? Ou com a Mota Engil? – , os que, em nome do banco do Estado, a Caixa Geral de Depósitos, pagam com o meu dinheiro mais um euro por acção a um Manuel Fino, oferecendo-lhe um prémio de 62 milhões de Euros, ou permitem a subida da gasolina e do gasóleo, quando descem os preços internacionais?  

 

O Partido Socialista lembra-me cada vez mais o Partido Republicano Português da véspera do 28 de Maio. Assente numa política de jobs for de boys , ilude-se com o poder absoluto, sem uma única ideia concreta para o combate da dupla crise, a nacional e a mundial. Promete tudo e nada, como uma farsa de Gil Vicente, sem medidas para a eliminação do desemprego, sem nenhuma resposta ao desemprego juvenil, à precariedade do trabalho, aos recibos verdes com descontos para a segurança social de 32%,quando estes se transformaram na única e desonesta forma de exploração do trabalho jovem, que, dispensados em qualquer momento, nem subsídio de desemprego têm. Sócrates não o diz, nem a sua juventude partidária, toda colocada em postos da administração ou similares. Mas seria necessário saber quantos desses jovens se obrigam a um silêncio temeroso, ao terem o seu futuro na corda bamba dum circo de subserviência, na função hoje ridiculamente dita pública.

 

Deste congresso retenho a encenação, a festa, o vazio, a farsa do teleponto.. O País não passou pelos discursos, apenas os negócios, os empregos, os seguros políticos de vida, os administradores socialistas deste socialismo de pura arbitrariedade e com muitos fumos de suspeita corrupção. Todos  na monotonia duma severa, apagada e vil tristeza.

 

O 28 de Maio está próximo…

 

 

 

 

 

 

 

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *