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As magias dos políticos e dos velhoses

Lemos no “I” (5.Dez.2012) que os próprios “governantes” responsáveis pela eliminação de tantas freguesias, tendo por desculpa a redução das despesas, vão robustecer os poderes das comunidades intermunicipais com uma centena de novos cargos bem pagos. Até o vice-presidente da bancada do CDS, Hélder Amaral, tem dúvidas quanto ao bom senso desta proposta.

Ora bem. Segundo informa o referido jornal, estes “novos cargos [vêm acompanhados] com uma remuneração idêntica à de um presidente de câmara de um concelho médio. Na prática, as CIM passarão a ter um executivo com uma composição diferente do actual, presidido pelo primeiro-secretário que receberá 45% do vencimento-base do presidente da república, ou seja, cerca de quatro mil euros. Os secretários – quatro para cada uma das áreas metropolitana de Lisboa e Porto e dois para cada uma das CIM – recebem o mesmo que um vereador a tempo inteiro”. No que toca a democracia, também ficou tudo explicadinho quando descobrimos que os membros não serão directamente eleitos pelas populações.

Mais um truque de magia da casta colada aos tachos. Ou um claríssimo exemplo de filantropia estadual para benefício dos finórios do costume. Assim se pode interpretar o desinteresse manifesto por alguns autarcas a uma eventual recandidatura. Os calotes são legião. As “obras” municipais terão de ser reduzidas. E, sem megalomanias, é mais difícil ser-se eleito por artes mágicas.

Tínhamos igualmente descoberto no blogue “tretas.org” que, segundo a Lei portuguesa, ex-presidentes da república, deputados, presidentes e vereadores das câmaras, e bem assim os membros das juntas de freguesia em regime de tempo inteiro, todos eles têm direito a Uso e Porte de Arma. Será por terem medo dos cidadãos? Deve ser por isso que criam uma montanha de complicações burocráticas aos caçadores. Não querem competição. É fácil complicar a vida a quem obedece a Lei, o difícil é controlar os milhares de armas nas mãos de bandidos.

Adormecemos a pensar nestas notícias. No entanto, não causaram pesadelos. Conhecemos os métodos desta gente. O lema imutável parece ser: “Chicos-espertos for ever!”.

E, também para sempre, são as memórias de outras épocas. Quando as pessoas tinham vergonha e ainda havia beleza no sossego da nossa terra.

Após um nevão que tudo acalmou, lembrámo-nos que daqui a pouco estaremos no Natal. Resolvemos entrar no espírito da festa e começámos por ir à garagem buscar as decorações. Também pensámos que talvez fosse boa ideia preparar velhoses.

Achámos a receita num livro de cozinha portuguesa e decidimos optar pela criatividade. No jeito de inovar dentro da continuidade, conciliando a Velha Europa com o Novo Mundo.

O desafio era preparar estas doçuras natalícias “à moda do Victor”. Por respeito à tradição, retivemos a abóbora, a farinha, o açúcar, as gemas de ovos e a raspa de laranja. Contudo, resolvemos substituir o fermento do padeiro por um pouco de bicarbonato de soda, o leite por meia taça de natas e, como contributo exótico, utilizámos rum da Jamaica em vez de aguardente. Para realçar a simbiose de paladares e aromas, não hesitámos em acrescentar umas gotas de extracto de baunilha de Madagáscar.

Como tínhamos uma longa lista de afazeres e o tempo é limitado, abrimos uma pequena excepção à “cozinha lenta” e, vai daí, recorremos a uma lata de polpa da abóbora que tinha sobrevivido a fase dos “pumpkin pies” do Dia de Acção de Graças (Thanksgiving).

Tal químico em laboratório, distraímo-nos na cozinha com esta experiência. O resultado não foi tão bom como esperávamos. Faltou a magia de outrora. Damos a mão à palmatória e admitimos a superioridade dos fritos de Natal de tradição torrejana. O sabor era melhor.

De qualquer forma, gostos não se discutem e mágicos nunca faltaram em Portugal.

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