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O Verão está a acabar

O Verão está a acabar… mas a crise está para continuar.

Tudo sobe, a começar pelos impostos e pelos bens essenciais, mas os ordenados, esses baixam para que tudo vá parando.

Até os preços das matérias primas, indispensáveis à sobrevivência do ser humano, sobem todos os dias, por obra e graça dos chamados mercados de “futuros”, a começar pelo trigo e por isso temos também o pão a aumentar mais uma vez.

As subidas da energia eléctrica, da água e do gás são constantes, mas no que respeita às gasolinas e aos gasóleos nem é bom falarmos dessas coisas.

Mas por falar em combustíveis, acabei há pouco de voltar a ver um vídeo gravado em 20.07.07, na ARTV, onde o líder do CDS, agora Ministro deste Governo, dirigindo-se ao Primeiro-ministro da altura, dizia o que passo a transcrever: “Não disse uma palavra sobre o que está a acontecer às empresas com o preço dos combustíveis e o que está a acontecer aos contribuintes com a carga fiscal sobre o gasóleo e sobre a gasolina. É absolutamente extraordinário que um Primeiro-ministro, com o país a viver a crise que estamos a viver, chegue ao Parlamento e ao fim de 10 minutos não diga uma palavra a quem está a sofrer uma crise dramática do ponto de vista da sustentabilidade das empresas com o preço dos combustíveis e com o que está a acontecer todos os dias no gasóleo e na gasolina.”

Naquela altura, Julho de 2007, o petróleo rondava os 160 Dólares por barril e a gasolina custava 1,50 euro. Agora o petróleo ronda os 120 dólares e a gasolina já ultrapassou 1,70 euro. Que dizer? ? Uma incoerência absoluta.

Socorrendo-me de palavras do orador citado, é absolutamente extraordinário que este senhor, que disse naquela altura o que bem entendia, e até com alguma razão, agora que a situação é muito mais grave, ande calado como um rato e ainda diga de vez em quando que não estará ao corrente de muitos assuntos, porque anda normalmente pelo estrangeiro a tratar dos negócios do país. Mas não está ao corrente dos assuntos, porquê? Toda a gente sabe que naquela altura as coisas estavam mal, mas agora também sabemos que tudo está bem pior. Só ele, e certamente os seus companheiros de viagem, é que não sabem de nada, o que não será para admirar muito já que, viajando muito não têm tempo para saber o preço das coisas. É como ele ainda há pouco dizia, referindo-se aos submarinos: Eles emergem e por vezes submergem. Mas quem se lixa somos nós.

Já agora, como ele viaja muito pela China, será que sabe que até os manuais escolares, usados nas escolas públicas portuguesas, estão a ser feitos na China? No final de contas, esta modernice serve, e de que maneira, para a ajudar ao crescimento do desemprego e ao depauperamento da economia. Mas disto ninguém fala, nem ele que antigamente falava pelos cotovelos e agora é o que se vê. Foram mais umas centenas de tipógrafos e ofícios correlativos que aumentaram os números do desemprego, algumas empresas que fecharam para que os objectivos, do quanto pior melhor, fossem atingidos, dentro dos prazos que os senhores acordaram, e para eles está tudo bem.

Foi o que aconteceu com a agricultura e com as pescas no tempo do cavaquismo. Os senhores, que mandavam comboios de dinheiro todos os dias, para os amigalhaços e para as obras faraónicas, muitas delas sem jeito nenhum como foram, por exemplo, o IP3, o IP4 e o IP5 de má memória, para além do polémico Centro Comercial de Belém, dos famosos Estádios do Euro e da Casa da Música, qual deles com a maior derrapagem orçamental, como dizia, os senhores deram as suas ordens e ninguém levantou o braço para dizer que o país precisava e sabia produzir. E os resultados estão à vista. Até as batatas, as cebolas e as cenouras vêm de Espanha ou da França, como há maçãs que vêm da China, peras do Chile e até vinhos dos confins do mundo.

E agora, para evitar que o povo se apercebesse da derrapagem do défice previsto para este ano, como balão de ensaio lançaram a confusão geral acerca da RTP, canais de Televisão e canais de rádio, pela voz do empregado do governo melhor remunerado, dizem até que isento de impostos, para lançar a confusão e distrair o pessoal. Só pode ter sido.

Até porque, não há ninguém de bom senso que possa acreditar que este, ou qualquer outro governo, entregue a RTP de mão beijada, a troco de nada, incluindo edifícios, meios e conteúdos históricos de mais de cinquenta anos a um amigo qualquer e ainda lhe garanta cerca de 150 Milhões de euros da taxa que pagamos na factura da electricidade e ainda mais 50 Milhões de publicidade, a troco de nada? Por alma de quem? Mas, cuidado, daquela conversa da treta, sobressaiu que, se tal negociata viesse a ser feita, o desemprego também estaria garantido para grande número de empregados daquele grupo empresarial do estado.

O lançamento daquela charada só pode ter sido um exercício acessório de distracção, para que não se falasse do essencial que é a derrapagem do défice, que na altura se anunciava como 5,3% em vez dos 4,5% assumidos e que agora já irá nos 7%. Já estávamos lixados, mas com este agravamento, aliás, há muito previsto pelo comum dos mortais, só podemos ficar pior apesar de nos andarem a anunciar o início da recuperação para 2013. Balelas. Quem é que pode acreditar nestas conversas de ocasião?

Cá estaremos para ver os resultados, mas com todas estas trapalhadas, é muito difícil ser freguês numa freguesia destas.

O Verão está a acabar…mas a crise está para continuar.

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