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Escusamos de ficar descansados!

Com o aumento constante do desemprego, que já atingiu números nunca antes vistos, com o consequente definhamento da economia, naturalmente – é dos livros da antiga instrução primária – o consumo tem descido e, consequentemente os Impostos, apesar de cada vez estarem mais elevados, todos os dias vêem as suas receitas a cair. Isto passa-se com o IRS, o IRC, o IVA, a Taxa Social Única, no Imposto sobre os Produtor Petrolíferos porque o pessoal também já não pode andar de carro e até as Taxas Moderadoras, caríssimas como estão, têm vindo a cair porque as pessoas já não têm dinheiro para se tratar. Mas ao invés, pelas mesmas razões, as despesas com a Segurança Social, apesar de todos os cortes que têm tido, mesmo assim em termos absolutos, têm vindo a crescer já que o desemprego galopa todos os dias.

Toda a gente sabia disto, menos o Sr. Gaspar que, por não saber, também não disse nada ao Presidente do Conselho. E então, os senhores não são de meias medidas. O Gaspar veio nos últimos dias dizer que vai ser difícil cumprir o défice dos 4,5% e o Passos Coelho veio dizer que, em princípio, não vai ser precisa mais austeridade este ano. Portanto, escusamos de ficar descansados.

E porque já estamos habituados a que estes senhores digam uma coisa e façam outra exactamente ao contrário, mais dia, menos dia vamos ter para aí mais um pacote qualquer para tirarem de onde já não há. Mas desta vez têm que ter mais cuidado porque essa coisa de se tirar de onde não há faz-me lembrar aquela anedota da altura em que apareceram as máquinas de ordenha automática. Penso até que a cena se terá passado numa Feira do Ribatejo de há muitos anos. O pessoal percebia ainda pouco daquelas novidades e um funcionário enganou-se e meteu o aparelho na coisa dum boi. Coitado. Berrava, berrava, mas o fulano lá ia dizendo: – Berres, que não berres, tens que dar os vinte litros como as outras. Claro que a única coisa que lhe deu foi uma valente cornada que lhe partiu não sei quantas costelas.

Quer isto dizer, sublinhando, que de facto não se pode tirar de onde não há. E, como diz o povo, cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a doentes.

Poderia ainda aqui falar de muitos outros assuntos que têm estado na berra, como por exemplo daquela trapalhada da ERC/Relvas, daquela confusão do encerramento de 54 Tribunais e virem-nos dizer que a Justiça vai ficar mais próxima do cidadão, do desmantelamento que já começou da Maternidade Alfredo da Costa e cuja decisão de encerramento até passou ao lado do Presidente do Conselho como se viu no debate na Assembleia da República, da economia paralela que cada vez é maior e ninguém se pronuncia, dos apupos que começam a ser frequentes e a perturbar as visitas do Presidente da República como aconteceu no dia de S. João em Castro Daire e em Guimarães, da reaparição cheia de fulgor do Ministro Portas cujo discurso, também do dia 24, tratou de tudo e mais alguma coisa ofuscando a intervenção de Passos Coelho e até do escândalo do preço dos combustíveis que continuam ao preço de há anos, quando o “pitrol” está já a cerca de metade do preço daquela altura. Mas não falo de mais nada. Nem da Selecção que tem estado a fazer boa figura, porque quando este artigo sair, das duas, uma: Ou vai à final ou já estará em casa. Tudo pode acontecer com “nuestros hermanos”. E cá estaremos depois para ver.

Mas acabo a dizer que gostava, gostava mesmo, que os senhores responsáveis deste país voltassem a ouvir e até mesmo a ler, pausadamente, o discurso do dia de Portugal do Professor António Sampaio da Nóvoa, porque estou certo que aprenderiam alguma coisa. Aliás, com toda a humildade, qualquer pessoa aprende sempre alguma coisa quando contacta com quem sabe mais. E isso não é mal nenhum.

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