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Recordar a juventude – O Luis Baltasar Farinha

Há poucos dias tive que me deslocar com a minha mulher ao Campo Militar de Santa Margarida e no regresso resolvi parar defronte da desactivada estação dos caminhos de ferro, no Café Snack-Bar Aida, de que é proprietário o amigo de infância e de escola o Luis Farinha, filho mais velho de um alfaiate com o mesmo nome que morava e trabalhava na Rua da Levada, já próximo da tarambola, de quem muita gente ainda se recordará.

Ao ver-nos, o Farinha abriu um sorriso largo de orelha a orelha e vi nele e na sua esposa um grande prazer em nos ver ali.

Como bom torrejano que se preza, temo-lo visto muitas vezes no Choral Phydellius com a família, acompanhando as práticas artísticas de uma neta sua, que é uma boa intérprete instrumental e que já faz parte do Coro Sénior.

Como assinante de “O Almonda” disse-me que devora semanalmente as notícias da sua terra manifestando agrado por alguns dos meus artigos, em especial aqueles em que recordo os amigos e a nossa juventude.

O Farinha foi jogador de futebol nos juniores do Desportivo bem como os seus dois irmãos, tudo gente com habilidade para a bola e todos bons rapazes.

A esposa, também torrejana, estava a preparar o almoço para o Restaurante, migas com bacalhau e pedia-nos desculpa por não nos dar a atenção que queria.

Tive que recusar com alguma pena o convite para almoçar que gentilmente nos endereçaram e o Farinha fez questão de nos pagar os cafés, que agradecemos.

Falou-se de pintura e foram buscar com orgulho duas telas pintadas pela neta que apreciámos.

E o Farinha falou também da nossa terra de ontem e de hoje, realçando as diferenças, mas vi-lhe um brilhozinho nos olhos quando se referiu aos encontros da malta no Café Central no Largo da Botica, no Manuel do Café por baixo do Rogério, nas várias sedes do Desportivo, no Solar do Melro do Valeriano, no Zé da Ana e no Café Portugal.

E lá dizia o Farinha que se lembrava de esperar pelo primeiro carro que chegasse ao Largo da Botica para nos dar o resultado do nosso querido Desportivo. Também se lembra ainda do foguete que se lançava ao ar, aos Domingos, quando o Torres Novas ganhava para avisar toda a malta.

E lá recordava os Sábados em que a malta se juntava no Café Portugal na Rua Alexandre Herculano (Levada) para lermos o Record a Bola e o Mundo Desportivo, para jogarmos às damas ou ao dominó e para bebermos umas imperiais com tremoços, o marisco mais à mão.     Durante a semana ia-se mais ao Zé da Ana ou ao Solar do Melro e havia movimento bastante interessante de pessoas, coisa que infelizmente hoje já não acontece. As solicitações são mais agora e a sociedade está mais individualista quer queiramos quer não.

Enfim, foi um encontro agradável e prazenteiro e ainda bem que ali parei para visitar o amigo Farinha, já a preparar-se para a anual peregrinação dos alunos dos professores Silva e Oliveira, desta vez na Quinta do Luciano, precisamente no próximo dia 13 de Maio de 2012 abençoados pela Senhora de Fátima como manda esta data religiosa.

É claro que esperamos por muitos porque felizmente ainda somos muitos na casa dos sessenta e cinco e mais, de boa cepa e com cada vez menos cabelo e algumas barriguinhas respeitáveis.

Respeito aos que já partiram e nós, ainda por cá, aproveitemos estes encontros de amigos, enquanto por cá andarmos.

Um abração à família Farinha e a todos os colegas de escola.

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