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O Mercado Semanal

No nosso tempo de juventude – e já lá vão cerca de 50 anos – o Mercado Semanal era à segunda-feira e que movimento a então vila torrejana tinha. As pessoas das aldeias vinham à vila, em burros e carroças e que ficavam à entrada da vila, para não complicar o trânsito e sujar as ruas dos excrementos dos animais. Era outro tempo, sem dúvida. Para a maioria dos habitantes dessas terras, vir a Torres Novas à segunda-feira, era quase um acontecimento. Era o mesmo que os torrejanos irem a Lisboa. Ora isso hoje acontece quase diariamente e deixou de ser novidade. Os burros e carroças já fazem parte do museu ou estão em reservas para conservar a raça.

Ao recordar este tempo – não somos saudosistas – serve de reflexão sobre o Mercado Semanal e que mudou para terça-feira. Confessamos, sinceramente, ignorar qual a razão para essa mudança. Passou-nos da memória, acontece. A razão porque hoje abordamos esta questão prende-se com o movimento neste dia. É verdade que o número de carros a entrar na cidade é o triplo.

Mas isso não significa que o comércio da cidade não tenha mãos a medir, para atender tantas pessoas. Devia de ser assim, mas infelizmente acontece o contrário.

Quase que não se nota a diferença deste dia dos outros. O café onde habitualmente tomamos a bica e que fica no centro da cidade, quase que não tem movimento, a não  ser dos seus habituais frequentadores. E por vezes é a sua proprietária a chamar-nos a atenção, dizendo, já viu o movimento que temos, em dia de mercado?  É que por vezes nos esquecemos que é dia de mercado,  por uma razão muito simples, quando nos reformamos todos os dias são iguais, à excepção do domingo porque está quase tudo fechado.

Na verdade o Mercado Semanal  já não tem a importância de outros tempos. E porquê? São várias as razões: económicas, sociais e porque não dizê-lo, educacionais. Houve uma grande evolução da sociedade, criaram-se hábitos  que nada têm a ver com a nossa forma de estar na vida e o pior disto tudo é que não houve um acompanhamento na formação e educação das pessoas. Esta sociedade de consumo  que surgiu, tem os dias contados. É tudo uma questão de tempo…

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