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Os Bombeiros mais uma vez na crista da onda!

Qualquer pessoa, minimamente formada e informada reconhece, sem favor, que os Bombeiros são a principal força de todo o sistema de protecção e socorro.

Mas ainda há muita gente, certamente distraída, que anda a tratar muito mal esta Instituição centenária.

Começaram, há anos, por lhes cortar a parte dos prémios dos seguros que os ajudavam a pagar as despesas com as suas missões de socorro. Esse dinheiro que lhes foi retirado, foi directamente para o Estado, Via Serviço Nacional de Bombeiros, e seus sucedâneos, mas também para o INEM.

Mais tarde deixaram de os isentar nas despesas com as Inspecções Periódicas das Viaturas Operacionais como direito conferido por Lei.

Depois deixaram de os reembolsar pelos encargos com a Segurança Social dos seus profissionais.

A seguir, quando o Euromilhões apareceu e os Bombeiros pensavam logicamente que passariam a ter as suas receitas aumentadas, foi nesse momento que o apoio dos Jogos Sociais foi reduzido para valores irrisórios.

Depois acabaram os Planos de Reequipamento dos Corpos de Bombeiros, inventando, é certo, um programa de cedência de viaturas, sendo que desde 2007 essa cedência ainda não chegou a uma centena de viaturas, portanto menos de vinte por ano.

Para completar o ramalhete, no final de 2010, os Bombeiros foram brindados com um Despacho que complicou, diria até, quase vedou o acesso dos doentes ao seu Transporte para consultas, tratamentos e exames médicos, estando esse serviço, que gerava alguma receita, a caminho do zero absoluto. Aliás, desde aquela altura e já lá vai mais de um ano, reuniões têm sido mais que muitas mas os resultados sempre a piorar. Agora consta que até quererão que os Bombeiros sejam cobradores aos doentes de valores parecidos com as taxas moderadoras. Devido a esta situação já aconteceram centenas de despedimentos de profissionais nos Bombeiros, já, pelo menos uma Associação fechou as suas portas e muitas outras estarão prestes a seguir o mesmo caminho.

Mas este ano de 2012, que tem sido completamente atípico em termos de seca e de temperaturas elevadas, tem sido mais que um Inverno um autêntico Inferno com dias com centenas de fogos. E esses combates têm sido feitos com muito esforço, com muita vontade e muito saber, mas também com muitos custos para as contas depauperadas das Associações de Bombeiros. Como se sabe, as viaturas gastam combustível e não é tão pouco como isso, os homens e as mulheres fardadas para o combate, têm que se alimentar e tudo isso custa muito dinheiro. As viaturas, face a tantas horas de trabalho violento, sofrem desgastes e avarias e tudo isso custa também muito dinheiro. E o patrão estado, insensível a todas estas realidades, faz de conta que não percebe e não assume o pagamento dessas despesas extraordinárias, vultuosas e inesperadas.

Quer isto dizer que se do lado da saúde há um ministro Macedo insensível à realidade e à prestação do parceiro Bombeiros, do lado da protecção civil há outro ministro, também Macedo, que ignora os Bombeiros e não assume os custos das operações.

Com estes procedimentos, os Bombeiro encontram-se cada vez mais fragilizados e preocupados com o seu futuro de curto médio prazo e acima de tudo preocupados com o que pode vir a acontecer a este país, se eles forem mesmo obrigados a parar por falta de combustível ou por falta de qualquer dos outros elementos que fazem funcionar a Instituição.

A não haver uma alteração de procedimentos breve, corre-se mesmo o risco de muitas Associações de Bombeiros virem a encerrar as suas portas. E, pasme-se, face à insensibilidade reinante, sente-se que o poder ainda não se terá compenetrado da possibilidade disso poder vir mesmo a acontecer e das suas responsabilidades nesta matéria.

O Bombeiros que foram criados pelas populações onde estão inseridos e onde são conhecidos e reconhecidos, estão a ficar num beco sem saída. Mas as populações que eles servem, também não ficarão melhor se eles forem mesmo obrigados a parar.

Mas quando as coisas correm mal, não há nada que não aconteça. Por exemplo, há dias, um programa de entretenimento da SIC começou a falar de despesas da protecção civil e acabou a denegrir a imagem dos Bombeiros como se fossem eles a razão do despesismo de que eles falavam. Mesmo não acreditando em conluios, com tanta coincidência de tudo e mais alguma coisa contra os Soldados da Paz, tudo isto dá que pensar.

Porém, como diz o povo, enquanto há vida, há esperança. Os Bombeiros têm séculos de história e os Governos têm história passageira e alguns até por motivos pouco recomendáveis. Quanto à SIC, o folhetim parece estar ainda no seu começo, mas vai ter desenvolvimento com certeza, porque não se enxovalha uma instituição como os Bombeiros por dá cá aquela palha. Apesar de tudo isto, quero ainda acreditar que os Bombeiros ressurgirão destes fogos todos como a Fénix, mitologicamente, sempre ressurgiu das suas próprias cinzas, desde que se saibam unir junto das suas Federações e da sua Liga, procurando uma defesa coesa, sensata e clara. Até lá, tudo poderá acontecer. Mas, para bem de todos, espera-se que venha a imperar o bom senso.

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