Home > Colaboradores > Carlos Pinheiro > Janela de oportunidade – Tancos aeroporto civil “Low Cost”

Janela de oportunidade – Tancos aeroporto civil “Low Cost”

Mesmo neste tempo de crise, mesmo sem palavras de esperança de quem nos devia saber conduzir, mesmo assim e talvez por isso, não devemos enfiar a cabeça na areia e esperar que a crise passe.

Vamos ao que interessa.

O Aeroporto de Lisboa começa a estar saturado e não há dinheiro para se pensar num Aeroporto novo. É uma realidade. Ponto final, parágrafo.

Por esse facto e ainda porque os custos de utilização da Portela sejam caros, as empresas de “Low Cost”, aquelas que mais passageiros transportam em todo o mundo, procuram alternativas para servirem bem os seus clientes a custos competitivos.

Começou-se por falar da Base de Alverca, mas há dificuldades insuperáveis na medida em que os corredores de aproximação à pista serão os mesmos de Lisboa, como aliás também se passa o mesmo com a Base do Montijo.

Sintra também foi posta em equação mas problemas de vária ordem inviabilizaram a ideia.

Agora está tudo virado para Monte Real, como se fosse fácil a convivência pacífica de voos civis constantes na Base mais operacional de que o País e a NATO dispõem neste cantinho. Refira-se, e sublinhe-se, que uma Base com as características operacionais de Monte Real, precisa ter pistas disponíveis a qualquer momento. À partida, mesmo que esta hipótese muito interessasse a toda a região centro e oeste, a sua viabilização será praticamente impossível e só se está a perder tempo para ser encontrada a solução adequada. Ainda há muita gente que se lembra do único voo civil que aterrou naquela Base, o voo onde veio o Papa Paulo VI na sua visita a Fátima em Maio de 1967, e o trabalho que aquilo deu para um único voo.

Tancos é portanto a janela de oportunidade para o Ribatejo Norte, para o Norte Alentejano, para a Beira Baixa e até para a Alta Estremadura.

Tancos, a antiga BA 3 está ali, praticamente sem utilização, mesmo ao lado da A23 e da Linha da Beira Baixa e do Leste, com a cidade Templária de Tomar a meia dúzia de quilómetros, Abrantes a cidade florida, Sardoal e Mação também muito perto, Constância, a Vila Poema, ali ao lado, a Barquinha, seu concelho, com o Parque e o seu histórico Castelo de Almourol, a Golegã dos cavalos também quase encostada, a Chamusca com a sua charneca mas também com o seu Tejo logo a seguir, o Entroncamento, centro nevrálgico dos caminhos-de-ferro logo ali e Torres Novas também com todas as suas potencialidades também tão perto. Mas Alcanena e porque não também Santarém, por um lado, Ferreira do Zêzere, Sertã, Vila de Rei, Gavião e Ponte de Sôr por outro, também beneficiarão com este novo aeroporto civil. Mas também Ourém e Fátima, não se sabe bem porquê, mais viradas para Monte Real, também ficarão muito bem servidas por Tancos.

Tancos tem a seus pés o majestoso Tejo que poderia e deveria servir também de pólo de atracção turística, bem como a Barragem do Castelo de Bode a meia dúzia de quilómetros.

Tancos é pois a janela de oportunidade que deve ser aberta, com ambas as mãos, por todos os autarcas desta região alargada. E não se pode perder tempo se se quiser ver em breve um desenvolvimento sustentado que ajude a ultrapassar a crise que nos rodeia e enleia, aproveitando-se todas as sinergias existentes e as capacidades instaladas, tudo isto sem necessidade de grandes investimentos.

Mas não serão só as Câmaras a dever dar o seu pontapé de saída. Também as Associações empresariais, a começar pela NERSANT, terão uma palavra importante a dizer e uma atitude a tomar.

Se a ideia evoluir, como se deseja e se precisa, esta região alargada passará a ter todas as condições para passar a ser um centro de dinamização do interior, criar emprego e desenvolvimento sustentado, tudo para começar a ver a crise a passar ao lado. Mas se este desafio ficar em águas de bacalhau, amanhã alguém há-de responsabilizar alguém pela inércia e pela incapacidade de abrir esta janela de oportunidade que não se repetirá, e se assim for, longe vá o agoiro, depois não valerá a pena chorar-se pelo leite derramado.

Se os autarcas e os dirigentes associativos entenderem este escrito como um desafio às suas capacidades empreendedoras, acho muito bem que seja assim entendido o que se escreve e que procedam em conformidade.

Todos temos que ter pensamentos positivos.

É muito melhor jogar-se com o optimismo do que com o pessimismo, que não leva a lado nenhum.

Só há que arregaçar as mangas, darem-se as mãos e começar-se a trabalhar.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook