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Romãs vermelhas e “camaradas” debotados

No meio de uma existência em tons de cinza, chega o Dia de Reis. Nos próximos meses, eles não serão bondosos para os portugueses e os camelos vêm carregados de problemas.

Certos “magos”, embora sigam proferindo disparates, deram o salto para outras paragens. Andam com medo do povo. Basta ouvir o que diz a maioria dos nossos compatriotas ou ler os comentários dos leitores da imprensa diária para compreender que a nação clama por justiça. Porém, estes “camaradas” continuam a fazer gala de si próprios em Paris e Cabo Verde, nas autarquias e outros locais que tais. Para quê a prosápia com que invocam o Estado de Direito?

Houve quem sugerisse que o primeiro apontamento de 2012 tratasse da habitual leveza de um mamute bastante conhecido. Ele ainda não se deu conta que quase tudo o que sente, crê e imagina se tornou irrelevante. Que até os lambe-botas de serviço deixaram de acreditar nele e que se alonga a lista das suas promessas não cumpridas. Para não mencionar o montão de parvoíces rafeiras perpetradas por tão intratável criatura.

É neste quadro deprimente que resolvemos escrever sobre as romãs, pois talvez seja a única forma dos milhões de pagantes sonharem com um pouco de sorte. Como sabemos, são vermelhas, doces e modestas. Por dentro e por fora. Sem graxa louvaminheira. Há mesmo quem garanta tratar-se do fruto proibido mencionado no Antigo Testamento, apreciado pela beleza, sabor e benefícios para a saúde.

Voltando às aulas de história, no antigo Colégio de Andrade Corvo, revemos o Dr. Albino dos Santos a ensinar a mitologia grega e a perorar sobre Perséfone. Explicava que, por ter comido sementes de romã, a deusa tinha sido condenada a passar parte da vida como mulher de Hades, o senhor dos Infernos. Ficámos fascinados com o poder daquele fruto. E, desde então, começámos a pensar que as romãs eram uma bela metáfora para descrever paixões furtivas e grandes aventuras.

Com o decorrer dos anos, fomos descobrindo que Geoffrey Chaucer (1342-1400), William Shakespeare (1564-1616), André Gide (1869-1951) e outros escritores também nelas encontraram inspiração.

Como se sabe, tal como os figos, as uvas e as azeitonas, as romãs são um dos frutos essenciais da antiguidade clássica. É comum afirmar que foram domesticadas no Médio Oriente, quiçá na Pérsia.

Nestas culturas, associam-se à fertilidade por causa da abundância de sementes. São inseparáveis dos pratos de cuscuz em geral, de diversas receitas indianas e paquistanesas, de peixe recheado no Líbano, de marinadas na Arménia e, aqui em casa, para darem um pouco de colorido nas vulgares saladas de alface, agrião e pepino.

Gerações de portugueses habituaram-se a pintar os políticos de diferentes cores. Da esquerda vermelha à direita azul, passando por outras cores da paleta. Com o decorrer do tempo, aprendemos que com raríssimas excepções a cor deixou de contar em política. A regra é a mesma: meter o máximo possível no bolso. Perante tal lema, votamos pelos vermelhos do fruto da romãzeira. Pelo menos são puros, genuínos e autênticos. Não enganam ninguém.

Num país pequenino, tristemente desgovernado por celebridades tão miudinhas, talvez uns bagos de romã nos ajudem a mudar de fado. Se ao menos os politiqueiros emudecessem um pouco e os tribunais funcionassem como deve de ser, já seria um alívio para 2012.

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