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Na Valura no Entroncamento

A tropa estava a acabar por volta de 1972 e eu procurava a todo o custo um emprego para o sustento da minha família pois já era um homem casado.

Fiz várias tentativas e por sorte minha foi o meu pai que procurou junto do senhor João Fojo Paulino, hoje advogado nesta praça e que na altura fazia a escrita de várias firmas entre as quais a de Joaquim da Silva Patrício, se ele não saberia de alguma firma onde houvesse uma vaga para mim como empregado de escritório.

Passados poucos dias o senhor João Paulino informou o meu pai que havia uma hipótese na Sociedade de Construção Valura, Lda. no Entroncamento. Lá fui a uma entrevista e fui admitido para o escritório, onde trabalhei cerca de dois anos.

Os patrões eram os senhores Ferreira e o coronel Vasco Ramires, pessoa muito ligada ao hipismo nacional.

A firma dedicava-se à construção civil e aos serviços de limpeza da cidade de Lisboa, tendo contratados algumas centenas de trabalhadores.

Ali no escritório fazia-se a contabilidade geral da empresa, com os pagamentos aos operários da construção civil e aos empregados de limpeza de Lisboa, estes pagos à semana, saindo dali os envelopes em papel de cimento com a semanada de cada um em dinheiro que era ali preparada e que seguia para Lisboa levada por um encarregado desses serviços.

O chefe de escritório era o meu saudoso amigo Joaquim Cunha e no escritório quando entrei já lá trabalhavam o Gonçalves, a D.Graciete e uma irmã do senhor Henrique, encarregado geral da empresa no ramo da construção civil cujo nome não me recordo agora.

Após a minha entrada foi também admitido o meu amigo Armando do Jogo, que mais tarde foi para a Comunidade Europeia, no Luxemburgo, onde penso que ainda estará.

No rés-do-chão do escritório havia a loja de materiais de construção, onde trabalhavam os ainda hoje meus amigos Ramiro e Joaquim.

Depois havia o estaleiro, com serralharia e carpintaria, à entrada de Vila Nova da Barquinha, nuns pavilhões que hoje ali continuam mas em estado de degradação profunda.

Desse estaleiro recordo o amigo Ideia de Riachos, o Inácio dos estores recentemente falecido, o Manuel José, o Carlos Nogueira e o Carvalho, este bombeiro voluntário salvo erro no Entroncamento.      Portanto, caros leitores, apesar de tantos anos passados ainda continua a recordação da amizade que havia naquela casa.

Depois os amigos do Entroncamento que recordo, como o senhor Carvalho da Farmácia com o mesmo nome, o Armelim Ferreira com o seu farto bigode, o Faustino na Casa de Pasto perto do antigo mercado, onde muitas vezes comíamos o almoço levada de casa, com um copinho de bom tinto a acompanhar, e o Café Scaf onde nos reuníamos em finais de almoço para um café e uns dedos de conversa.

O escritório da Valura era muito visitado, em especial pela popularidade do Joaquim Cunha com muitos amigos, e foram muitas as vezes que almoçámos no João do Frango Real, sempre em boa companhia e com pelo menos que me recorde, um torrejano castiço, o senhor Freitas vendedor de automóveis e um velho amigo nosso e da casa. Ali provei pela primeira vez um achigã grelhado bem saboroso, para além dos pratos típicos que deram fama àquela casa, frango, enguias e belos bifes de vaca charolesa.

Como forasteiro fui sempre bem recebido pela gente do Entroncamento e daí este recordar de dois anos bem passados e das amizades que ali fiz e que ainda hoje perduram. O meu obrigado a todos é um dever que tenho para com essa gente, com quem trabalhei e com quem tive o gosto de conviver.

Ao doutor João Paulino os meus agradecimentos pela sua intervenção na minha colocação na Valura, sendo também verdade que tudo fiz para merecer e honrar o seu nome, não fazendo mais que a minha obrigação.

Depois da Valura veio o convite para a António Alves em Torres Novas, que aceitei, não sem que o patrão Ferreira me manifestasse a sua pena por me ver sair e me desejasse a maior das felicidades.

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