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Oficinas de Iniciação ao Teatro em Torres Novas

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Oficinas de Iniciação ao Teatro – de 16 a 26 de Agosto

Gostaria de fundar um grupo semi-profissional no concelho de Torres Novas. Mas, como se aprende no teatro (e na vida), as ideias levam o seu tempo a amadurecer.”

As Oficinas de Teatro têm como principal objectivo a sensibilização e o envolvimento da comunidade na prática do teatro. Serão criados dois grupos de trabalho: um com crianças a partir dos 7 anos e outro com adultos e jovens com mais de 14 anos.

O Almonda falou com o formador Hugo Gama e quis saber de que forma se vai desenvolver este projecto.

O projecto nasceu da necessidade de pôr em prática os ensinamentos que tenho aprendido ao longo dos últimos anos como actor nos grupos teatro pelos quais passei em Coimbra e Lisboa e, sobretudo, no último ano em que concluí o mestrado em Estudos de Teatro e trabalhei como assistente de Nuno Pino Custódio e Filipe Crawford. No concelho de Torres Novas existe uma lacuna no que respeita à produção teatral. Há boas infra-estruturas para apresentação de espectáculos, conheço apenas o Teatro da Meia Via, que é um grupo amador e um grupo de teatro de Marionetas, a Barca Lunar, se não me engano. Pensei que poderia preencher esse vazio. No entanto, a minha opção por Riachos tem a ver com as condições de trabalho, que são óptimas, e com a abertura que foi demonstrada pelo presidente da Junta de Freguesia, o Sr. João Cardoso” explicou Hugo Gama, que acrescentou ainda: “O projecto consiste na criação de uma escola de teatro que possa ter uma companhia associada e que permita o desenvolvimento de todas as artes ligadas ao teatro, como a música, a dança, as artes plásticas e as artes visuais e multimédia.”

Partindo da metodologia em Máscara, as sessões serão desenvolvidas através de exercícios (o jogo do círculo, a roda-ritmo, a decomposição do gesto e do movimento, o objectivo, a criação de espaço imaginário e a história improvisada), que progressivamente introduzem o aluno no universo teatral, abordando de forma prática as regras e os princípios que estão na base da representação.

A metodologia em Máscara é um código, uma linguagem especificamente teatral que se baseia num sistema de princípios e regras que orientam o actor na representação, dando-lhe as ferramentas necessárias ao uso eficaz da sua presença cénica, para além de o considera o actor como o seu elemento primordial, um criador e não mero intérprete. Insere-se na corrente do teatro teatral e procura recuperar o teatro tradicional e popular da antiguidade grega e romana, o teatro renascentista da commedia dell’ arte e o teatro das culturas orientais, como o teatro de Bali, o Katakali na India, o Nô no Japão, a Opera de Pequim na China e o Teatro Africano. Tem um carácter tradicional, pois é uma arte que se transmite de mestre para discípulo (eu aprendi com Filipe Crawford e com Nuno Pino Custódio, que por sua vez aprenderam com Mario Gonzalez, que trabalhou com Ariane Mnouchkine no Théâtre du Soleil e hoje é professor de Masque no Conservatório Nacional de Paris); e é popular, pois dirige-se a todas pessoas, independentemente da idade ou estatuto social. No fundo é como um jogo, depois de sabermos as regras dá um enorme prazer jogar. Como o aprendiz de músico aprende a tocar o seu instrumento, a ler e a improvisar, o actor, com esta metodologia, ganha um maior controlo sobre o seu corpo e aprende a dominar a sua impulsividade e as emoções, dando-lhes uma forma esteticamente mais elaborada”, disse o formador.

Célia Ramos

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