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Partiste, Filho do Bairro da Cabrita

 

Enquanto os pássaros chilreavam na manhã quente, agarrei-me à ombreira da janela e entrei num pranto desgraçado. Já sabia que estavas mesmo no fim, mas aquela última vez que ouvi a tua voz alegre, continuava a ser uma luzinha ao fundo do túnel. Falaste-me em alegria, em saúde, em um passeio à praia. Todos juntos. Era assim que tu querias.

 

Nesse dia andei alheia a tudo. Fiz as coisas entorpecida com as lágrimas que inundaram meus olhos.

 

Perguntava-me constantemente o porquê de tanta resistência incrédula. Restou-me a oração, o pedido de ajuda para Nossa Senhora de Fátima te proteger.

 

Quando a noite caiu fui ver-te, Jazias no caixão coberto de flores, lembranças sentidas, espalhadas junto de ti. Estavas igual a ti mesmo.

Lá fora uma enorme multidão fazia-te companhia. Teus amigos, família e anónimos.

           

Deixamos-te com palavras de amizade, de carinho e voltamos para nossas casas.

           

Ontem, acompanhamos-te até á despedida final. Foi sem dúvida uma cerimónia fúnebre bastante emotiva. O poema lido pelo teu irmão mais velho ecoou nos nossos corações como uma balada imortal. Os aplausos foram uma oferta, um agradecimento pelo homem que foste. Um bom pai, um óptimo profissional, um homem humilde e a tua simpatia e força de viver contagiou toda a gente.

           

O teu corpo desceu à terra que te acolheu, mas onde estiveres serás sempre um filho do bairro. A tua alma continuará a brincar às escondidas, aos reis e rainhas, ao bate o pé, à bola nas ruas do teu querido Bairro da Cabrita.

           

Hoje estou triste e revoltada, mas vou continuar a ver-te sentado debaixo do limoeiro no quintal dos teus pais a desfrutares do convívio que sempre deste tanto valor.

           

Resta-me deixar uma frase que o KIKI disse há uns dias: “ – Sejam amigos e não andem em guerras. Aproveitem a vida”.

 

Eu digo-te meu querido amigo KIKI” – que a tua alma descanse finalmente em paz”!

 

Madalena Monge

 

aguianegraenator@gmail.com

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