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Premiar o género feminino e a mulher

 

Lembro-me sempre de quando era criança haver uma senhora cujo nome infelizmente não sei, que corria semanalmente a então vila de Torres Novas a pé, de lenço na cabeça, com uma cesta na mão. Vinha com um ar muito simpático e voz doce de porta em porta, a colher um ovo que depois fazia chegar a uma instituição de caridade. Na sua simplicidade esta senhora interpelava e fazia uma redistribuição de gestos repetidos de generosidade.

 

A humanidade é composta por homens e mulheres. Em todos os tempos e lugares, estatisticamente para cada 1000 bebés que nascem, cerca de 580 são homens e os restantes 420 são mulheres. Esta lei natural explica-se como a forma que a Natureza encontrou para compensar a maior fragilidade do homem há nascença, que provoca mais mortes neste género, pois a mulher é mais resistente e sem este mecanismo demográfico a sociedade tornava-se desequilibrada.

A cada dia que passa, ao nosso lado temos sempre presente a mulher. Começa com a mãe que nos acolhe no seu ventre, depois com a enfermeira ainda no hospital, a educadora e a professora, sempre acompanhadas pela avó e por – quase sempre – uma tia por perto…

Mas crescendo, vamos adaptando as nossas roupas feitas em geral por mulheres em tantas fábricas, comemos os alimentos que elas quase sempre vendem e confeccionam, vamos a uma instituição pública onde muitas vezes, somos atendidos por alguma mulher das muitas que ali trabalham. Já jovens adultos, encontramos aquela mulher que nos enche as medidas e que vem partilhar a nosso vida e constituir família, num dom tantas vezes silencioso de si, que se anula para que os outros existam, que se esquece para que os outros se lembrem, que ama para que os outros se sintam amados, que ensina os filhos na sua caminhada para a vida adulta, que espera pelo marido acolhendo-o na casa de todos que ela cuida como se fosse o seu próprio corpo, com a refeição já quente na mesa para todos, que é confidente das ânsias, dos problemas e expectativas do marido e dos filhos.

Se alguém adoece, lá está ela, que se sacrifica no seu descanso ou trabalho para ser a primeira assistente da casa, sempre preocupada com o bem-estar de todos. Outras vezes, acaba por ser o amparo de uma avó, tia ou mãe, e também de um irmão que está só, do sogro e do pai. E sacrifica até a possibilidade de se realizar numa nova família, acabando depois por ficar também ela só.

Num mundo que parece talhado e conduzido por homens, ela lá está sempre: entre os povos mais remotos da África, da Ásia, dos países árabes, dos trópicos, das Américas, da Oceânia, da Europa…, tantas vezes sofrendo as injustiças causadas pelos homens no trabalho e na guerra, fazendo frente à incerteza e à pobreza para conduzir a porção de humanidade que tem em mãos.

 

Mas não acaba aqui a descrição deste génio fantástico, pois também na organização social a mulher intervém de modo incisivo, na cultura, na arte, na religião, na ciência, na política, no desporto, no ensino, no mundo laboral, no voluntariado social…, onde muitas vezes a sua acção é decisiva para se obterem resultados de excelência na construção do destino de todos.

Não faltam na história de todos nós lembranças de mulheres fantásticas, tanto ao nível da família de cada um, como de uma nação ou do mundo. Mesmo quando ela não se vê, o povo aprendeu e diz que “normalmente atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher”, para dizer que ele nada seria sem o suporte da mulher que lhe está próxima.

E podemos lembrar-nos de rainhas e princesas, de mulheres simples, de grandes lutadoras, santas, cientistas, actrizes, escritoras, professoras e dirigentes cuja intervenção moldou o nosso mundo, como Clara de Assis, Joana D’ Arc, Teresa D’Avila, Maria Montessori, Marie Curie, Teresa de Calcutá, Chiara Lubich, Sofia de Mello Breyner, entre tantas.

 

Estamos em vésperas de festejar o dia da mãe, uma tradição que surge a partir do exemplo de vida de uma grande mulher: Maria de Nazaré, a mãe de Cristo.

Num mundo que parece valorizar e premiar cada vez mais aquilo que é vulgar ou efémero, faria todo o sentido pôr em relevo a grandeza da mulher e poder até instituir um prémio – porque não um Prémio Nobel da Mulher ou para a mulher – de forma a relevar o papel conhecido, mas sobretudo o papel desconhecido da Mulher nas nossas vidas.

 

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