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Uma centena de manifestantes por um Médico

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A vigília junto à extensão de saúde da Lamarosa estava programada das 19h30 às 22h, mas nem a longa duração do evento impediu que logo às 19h30 já estivessem no local cerca de 50 pessoas, situação que rapidamente evoluiu para cerca de uma centena de pessoas. Organizada pela Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT), é reivindicada “o aumento de horário dos médicos, a contratação de novos médicos, a contratação de médicos com horário acrescido e eventualmente com vencimento e até que os médicos clínicos gerais que estão a exercer serviço nas urgências hospitalares possam fazer serviço nas extensões de saúde”, explica Manuel Soares, membro da CUSMT. Um abaixo-assinado com estas reivindicações já alcançou 700 assinaturas, número que Manuel Soares considera como sendo “significativo”, tendo em conta que a freguesia é composta por 1300 pessoas, apesar da extensão de saúde servir 3000 utentes de saúde. Porém, é o facto de metade destes utentes não se encontrarem com médico de família que tem gerado uma enorme onda de contestação para assegurar os cuidados de saúde, que os utentes consideram ser “um direito”. Já reformada, uma moradora queixa-se que antigamente “acabava-se de estudar logo no 4º ano”, o que consistia “literalmente numa vida de trabalho”. “Para acabar nisto”, lamenta-se, referindo-se aos problemas que tem no acesso a cuidados de saúde. Não conseguindo uma consulta nesta extensão de saúde, pois a médica só atende os seus doentes de família, e não sendo atendidos nas urgências do Hospital, resta a estes utentes deslocarem-se até ao Centro de Saúde de Torres Novas. Porém, o facto de existirem mais 10 000 pessoas sem médico de família no concelho para além dos utentes desta extensão de saúde, sobrecarrega os serviços deste centro. “Um senhor teve de ir com a mãe, de 90 anos, às 4h30 para conseguir consulta… e a esta hora já havia gente à espera”, revela-nos uma utente. Outra queixa-se que chegou “às 7h30” e foi atendida depois das 16h, revelando inclusivamente que já receava não ser atendida durante as 7h de espera. As manifestações de descontentamento dos presentes são seguidas da certeza de que para além da dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, existem pessoas que estão a prescindir destes cuidados. Alguns dos utentes queixam-se ainda das novas dificuldades para conseguir o transporte de doentes por parte dos bombeiros e também a pouca frequência de autocarros desta zona para Torres Novas. No entanto, tendo em conta que o primeiro autocarro sai da Lamarosa às 7h15, assumem que a essa hora já não conseguiriam consulta.

João Rodrigues

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