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Nos Antípodas – Em Christchurch, com a terra a tremer

 

Este apontamento está a ser redigido com limites de acesso à internet na Nova Zelândia, mas precisamente na cidade de Christchurch cujo centro ficou totalmente destruído por um sismo há apenas quarenta e oito horas. Foi um dia muito triste para este povo extraordinário. Um terramoto desastroso que atingiu a magnitude de 6,3 graus na escala de Richter. Fez um desgaste enorme na região de Canterbury.

 

No diário local, pode-se ler que morreram mais de cem pessoas, duas centenas devem estar ainda debaixo dos escombros, meio milhar estão nas emergências da rede hospitalar regional e outros tantos foram transportados para outras cidades. Um milhar de membros das forças armadas participam nas operações, incluindo reforços vindos da Austrália, Singapura, Japão, Estados Unidos e Reino Unido. Os casos de heroísmo são numerosos. As cadeias de televisão mostram-nos a cada momento.

 

Por incrível que pareça, apenas num país da primeira divisão – a Nova Zelândia vem sempre no topo das listas! – é que é possível montar, de um momento para o outro, centros de acolhimento, de distribuição de comida e de agua potável e começar imediatamente a determinar o que é urgente.

 

Neste canto do planeta, as cadeias de televisão da Austrália, Japão, Taiwan e toda a Ásia do Sudeste, transmitem em directo. Desta vez, os estragos são monumentais. Já em Setembro de 2010, a região tinha sofrido outro sismo. Mas tinha sido durante a noite. Este ocorreu à hora do almoço, quando os edifícios do centro da cidade estavam cheios de gente. A tarefa de resgate tem sido desgastante. Equipas internacionais, com a ajuda de cães e tecnologias de ponta, não param. Ainda há vivos debaixo dos edifícios desmoronados.

 

Estamos alojados na casa de um colega da universidade local. Não vamos esquecer os repetidos exemplos de solidariedade entre os vizinhos e o espírito comunitário. Familiares, amigos e até desconhecidos mantêm o contacto telefónico e partilham o que é indispensável. É deveras uma oportunidade rara para aprender como se pode sobreviver quando seres humanos têm um espírito de entreajuda colectiva.

 

Na nossa qualidade de visitante, claro que devíamos regressar imediatamente à Austrália, onde estamos a passar umas semanas. No entanto, não lamentamos ter ficado para observar e aprender com estas pessoas tão fantásticas. São poucas, estão isoladas no fim do mundo…mas são dignas da maior admiração.

 

Dadas as circunstâncias, concluímos aqui. Prometemos regressar com a regularidade habitual, logo que estejamos mais calmos.

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