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Uma noite nas urgências

 

Pois bem, meus leitores, por mais que a gente não queira, mas a falta de saúde chega a todos e de repente, sem ser anunciada. Na passada quinta-feira, dia 10, pelas 20.30 horas era transportado pelos nossos Bombeiros ao nosso Hospital Distrital. Quando lá chegámos reparámos logo que era uma noite muito difícil para os profissionais de saúde, porque as solicitações eram tantas. Mais parecia um pandemónio habitual em qualquer hospital com a dimensão do nosso.

 

E quando os doentes são tantos, não há espaço que chegue para alojar tanta gente e ninguém tem culpa disso. São situações que não estão previstas. A razão deste fluxo de doentes tem uma explicação, por ser um hospital bem situado, ao contrário dos hospitais de Tomar e Abrantes. Também convém dizer que uma boa parte dos doentes que aqui chegam vêm de toda a região e isso complica tudo. Mas as pessoas recorrem ao nosso Hospital pela resposta que é dada por todos os profissionais e pelas condições que encontram. Pois é, naquela noite de quinta-feira todos os corredores e áreas dedicadas às urgências e período de observação, estavam repletas de doentes. Até os profissionais que ali prestam serviço se interrogavam com tanto movimento. Ficámos num dos corredores com mais onze doentes que não conhecíamos, mas que dava para observar as complicações que tinham, alguns com dores abundantes. As nossas eram muito fracas e depois do primeiro tratamento quase que desapareceram e que deu para descansar. Apesar de não ser agradável estar numa cama dum hospital, quase anónimo, gostámos da experiência porque deu-nos a possibilidade de viver, realmente, o que se passa numa urgência do nosso hospital de Torres Novas, o que não de ser um privilégio, ainda que acidental. Do esforço de um colectivo de profissionais – médicos, enfermeiros, pessoal de apoio – que quase não têm um minuto de descanso, no seu turno da noite, para atender tantos doentes. Chega a ser impressionante observar tudo isto. É na verdade de loucos, e uma boa parte dos torrejanos – felizmente, claro – não têm uma noção do que se passa na urgência de um hospital. Desde logo o trabalho gigante que realizam as enfermeiras – e enfermeiros, claro – de acompanhamento aos doentes, dialogando com os mesmos e explicando os tratamentos que estão fazendo, se dói mais ou menos. Mas que dizer do Pessoal de Apoio, que têm tarefas gigantes – não é exagero – pela frente. São eles que levam os doentes às casas de banho e que dificuldades porque muitos são pesados; depois dão-lhes banho e fazem a barba se o doente pedir. Um mundo de tarefas, o fazer a cama e depois transportá-los para exames complementares e como são longos os corredores. São pessoas anónimas e apesar de ser a sua profissão, por vezes ultrapassam algumas barreiras para satisfazer os doentes mais exigentes, quando precisam de mais apoio. Mas ainda existe outro exército de pessoal da retaguarda que tratam da roupa suja, do lixo – as camas são mudadas todos os dias, depois do banho –, as limpezas das casas de banho, o serviço das refeições e por fim repor as faltas, que são constantes. Eis um retrato breve do que se passa numa noite, nas urgências do Hospital de Torres Novas. Mas como tudo na vida, não existe bela sem senão e o que para nós foi o mais aborrecido é as horas que um doente espera para fazer um exame. São mesmo muitas horas. Nós sabemos agora que a culpa não é dos médicos, que fazem o que podem. São muitos doentes a exigir exames e poucos médicos. O que não sabíamos é que (eles) atendem os doentes vindos de outros lados, o que complica mais a demora aos doentes do hospital. O que provoca, por vezes, nos doentes um certo stress que leva a comportamentos menos correctos. Mas ninguém tem culpa disso, acontece.

 

A finalizar queremos fazer duas referências: a primeira à Enfermeira Rita, que faz anos no próximo dia 23, com votos de Parabéns e agradecer a sua simpatia e gentileza: a segunda, ao dr. José Telles Rocha, que nos deu alta e também pelos conselhos alimentares que nos deu. Por fim um agradecimento especial a todas as pessoas amigas que nos visitaram e aquelas que nos telefonaram e todas as outras que se preocuparam com a nossa saúde. A vida sem amigos não teria sentido.

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