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Deslumbramento

 

No dia 18 de Maio de 2009 enviei um e-mail com um comentário a um senhor que dava pelo nome de Carlos Castro. Li a sua crónica num semanário nacional que falava acerca do Festival da Canção e da participação do nosso país. Realmente aquele senhor, não tinha papas na língua e por isso li alguns comentários menos educados.

 

No mesmo dia recebi um e-mail seu, ao qual nunca esperava sequer obter resposta. Fiquei contente e continuei a contactá-lo. Entretanto passaram alguns dias e recebi mais notícias suas ao qual transcrevo as suas palavras. “Olá Madalena. Desculpe só agora mas tive uma intervenção cirúrgica a vista e tenho outra terça em Coimbra.Vamos ver. Grato por tudo já vi as suas coisas no www.oalmonda.net e esta de parabéns pois está a fazer o que gosta e com brilho. Muito obrigado e disponha. Carlos”

 

Enviei-lhe as melhoras e dois desenhos meus. No dia 22 de Setembro de 2010 recebo este convite: “É com muito prazer que venho CONVIDAR para o lançamento dos meus livros “As mulheres que marcaram a minha vida” e “Feitiço de Tinta” com apresentação da Dra. Maria Barroso. Dia 29 (quarta feira) pelas 18.30 horas no espaço do URBAN BEACH (atrás do KAIS e frente ao Tejo). Um abraço de amizade do Carlos Castro”

 

E há uma semana eis que ouvi a notícia da sua trágica morte via rádio. Não queria acreditar, fiquei extremamente chocada. Não o conhecia pessoalmente, apenas trocávamos e-mails e vi-o há uns anos na nossa cidade aquando se realizou na Praça 5 de Outubro um desfile de Moda.

 

Mas tinha uma ligação de respeito e amizade mesmo virtual com o Carlos Castro que foi brutalmente assassinado, mutilado e castrado por um jovem adulto de 21 anos. Claro que se passou algo e é normal os seus conterrâneos defenderem o seu “ menino”, mas o Renato ficou deslumbrado com as luzes da ribalta. E são esses deslumbramentos, que levam as pessoas a transformarem-se, ou, talvez a mostrarem quem realmente são.

 

Não escrevi este artigo para julgar ninguém, mas este rapaz sabia quais eram os gostos pessoais do Carlos. E mesmo assim foi viajar com ele. Foi atrás dum sonho que infelizmente foi mal sonhado.

 

Este crime não pode passar em branco. Não estamos na América, estamos em Portugal. O país das mentes pequeninas, em que muitos dizem que o assassino tem razão, será um herói para muitos, porque eliminou um homem que escolheu caminhos impróprios. Mas pensem bem, o mais cruel de tudo é que o Carlos Castro era apenas um ser humano, um homem que lutava sempre pelas causas inferiores. Também ele teve os seus deslumbramentos e por isso acabou por se deslumbrar em demasia.

 

Foi assassinado. Paz à sua alma e que as suas cinzas nunca deixem de brilhar nas ruas da Broadway.      

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