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Adiadas as reformas para isto andar!

 

Mais uma vez, como se fosse a última, como se fosse uma conversa em família, vieram-nos anunciar recentemente mais austeridade de forma galopante, corte de salários na função pública, corte de apoios sociais generalizados, aumento de impostos, idem, idem, aspas, aspas, etc., etc., e ainda o corte da acumulação de pensões com vencimentos de funções públicas, sendo que esta última medida já foi adiada lamentavelmente.

 

Mais uma vez, como se não houvesse antecedentes recentes que não se esquecem, como se não tivéssemos memória, vieram-nos anunciar que depois deste pacote não serão precisos mais cortes, como se tudo ficasse resolvido, como se fossemos cegos, surdos e mudos, como se não tivéssemos já visto este filme em várias reprises recentes.

 

Sabemos que a crise é grande, sabemos que a crise foi importada, sabemos que a crise doméstica tem sido ampliada todos os dias com grandes gastos supérfluos como se fossemos ricos, mas também sabemos que quando ela apertar mesmo a sério, quando deixarem de nos emprestar dinheiro para importarmos tudo e mais alguma coisa, incluindo os bens essenciais, desde os alimentos à energia, quando nos fecharem as torneiras, vai haver muito mais fome do que aquela que já por aí existe. E isso sendo péssimo, pode ser mesmo muito perigoso em todos os sentidos. Cuidado.

 

Venha o FMI ou não venha o FMI, deviam ser tomadas medidas exemplares, continuadamente são adiadas, como por exemplo:

 

– Corte substancial no Orçamento da Presidência da República;

– Corte substancial no Orçamento da Assembleia da República;

– Corte substancial no Orçamento do Governo;

– Corte substancial nos Orçamentos dos Governos Civis;

– Corte substancial nos subsídios mensais aos partidos políticos;

– Corte substancial nos Orçamentos dos Institutos, Autoridades, Entidades, Fundações, Empresas Públicas, Empresas Municipais, Unidades de Missão e outros sorvedouros de dinheiros públicos e empregadores da classe politica;

– Corte substancial nos vencimentos de Administradores das Empresas Públicas de modo a acabar-se com os escândalos de alguns ganharem muito mais que os seus congéneres europeus ou americanos;

 

Se estas medidas tivessem tido cabimento no OE 2011, veríamos menos carros grandes e pretos a circular, sempre apressadamente, como agora acontece todos os dias por todo o lado, saberíamos que as viagens seriam reduzidas e mais pensadas, saberíamos que os banquetes seriam raros, saberíamos que muitas mordomias acabariam, saberíamos que iam ser pedidos menos pareceres jurídicos caríssimos, e até, com estes exemplos, as Câmaras Municipais colaborariam de boa vontade no corte dos seus orçamentos, com a redução dos eleitos a tempo inteiro, e seus séquitos, independentemente dos custos políticos que estariam associados a esta medida.

 

Mas o Orçamento que está em análise não contempla nada disto. Por isso, vai tudo continuar a piorar.

 

O Estado ainda não se capacitou que tem que poupar, mas poupar mesmo, reduzindo drasticamente as despesas. Não é só aumentar os impostos e cortar apoios e vencimentos a quem mais precisa. O Estado tem que dar bons exemplos, tem que reduzir, de forma drástica e exemplar, as suas despesas, pondo inclusivamente de lado as obras faraónicas.

 

Mas porque o país não pode parar e tem que ganhar um rumo orientado e responsável, pelo menos que sejam incentivadas as exportações que se vão fazendo e continuá-las pelas pescas e agricultura, no sentido da fome poder ser sustida e criado emprego, mas também aumentadas as exportações de peixe, que podemos capturar em quantidade e qualidade, bem como de produtos hortícolas e frutícolas que podemos produzir também em quantidade e qualidade. Será preciso algum investimento, mas como é produtivo, que se faça já. É só aproveitar-se a nossa Zona Económica Exclusiva, a maior da Europa, e as potencialidades dum grande regadio à volta da maior barragem da Europa, Alqueva.

 

Já que não querem reduzir despesas evitáveis, que se aumentem as exportações para equilibrar a balança de pagamento e afastar as espadas que pendem sobre as cabeças de quem não tem culpa do estado a que isto chegou.

 

Só assim poderemos ter alguma folga para pensarmos como resolver os problemas financeiros criados com as Parcerias Público-privadas cujas facturas começarão a aparecer em 2014.

 

Não é necessário ser-se economista para se preconizar este tipo de medidas. Aliás foram alguns desses senhores que alimentaram e fomentaram, com as suas engenharias financeiras, a crise do subprime nos States que deu no que deu nesta aldeia global.

 

Tem havido coragem para nos imporem tantos pacotes, qual deles o pior, mas não há coragem para cortar onde se pode mesmo cortar. É pena. Fica tudo adiado. Que ao menos incentivem a produção e a exportação do que é possível, enquanto é tempo.

Amanhã poderá ser tarde.

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