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Um Portugal ou dois Portugais?

 

No dicionário, encontrámos a seguinte definição do vocábulo delírio: “crença patológica em factos irreais ou concepções imaginativas desprovidas de base”. Assenta como uma luva à actual confusão mental de quem manda no país.

 

Não é apenas o estado de alucinação dos governantes que atormenta milhões de portugueses. Também andam apreensivos com o fosso crescente entre os interesses de uma casta que pensa ter direito a fazer e impor o que lhe convém inclusive meter a mão na algibeira dos contribuintes   e a população que é forçada a submeter-se a todo o tipo de abusos do poder. Roubalheiras após roubalheiras. No tempo da escravidão, os escravos eram pelo menos alojados e alimentados pelos “senhores”.

 

Está provado, mas é difícil de acreditar. Como uma economia falida, e que há anos é gerida por incompetentes, continua a dar-se ao luxo de desbaratar centenas de milhões em salários e prebendas para os numerosos “boys” e “girls” com o cartãozinho do partido.

 

Como não há petróleo, agrava-se a carga tributária. Quando forem votar, os eleitores não deviam esquecer a obscenidade dalgumas taxas. Aplicam-se de igual modo a ricos e pobres. Tomemos, por exemplo, o IVA sobre óleos alimentares. Saltou de 13% para 23%. A propósito, em Espanha ainda é 8%. Estes governantes perderam a consciência dos danos efectuados. Deviam ser julgados. Como o antigo primeiro-ministro da Islândia.

 

É fácil constatar que Portugal está dividido em dois países separados e incomunicáveis. De um lado, o das castas dos oligarcas e oportunistas que educam os filhos em escolas e colégios privados, não se tratam nos hospitais públicos, nunca vão para a prisão e vivem à grande e à francesa sem que ninguém compreenda donde lhes vem tanto dinheiro. Estão-se borrifando para o futuro da nação. Do outro, o dos que não têm médico de família, que esperam anos por uma intervenção cirúrgica, cujos filhos pouco aprendem no ensino oficial. São estes cidadãos que são ameaçados ou perseguidos pela justiça, que se esfolam para ganhar a vida com dignidade. Ao fim do mês, é esta maioria que vê menos notas na carteira após os descontos para os impostos, taxas e outras contribuições para suportar a prodigalidade e as fraudes do “outro” país. Aquele que os explora e rouba.

 

Estão a léguas de distância. Os honestos e cumpridores navegam a crise numa jangada de vela rota, sem leme e quase sem víveres. Enquanto os auto-proclamados sultões da política e das empresas estatais se pavoneiam em BMWs e habitam em residências com o máximo de comodidade e segurança. Nem sequer se inquietam com as despesas, pois há os “outros” sempre os “outros”! para sangrar. É assim que isto funciona: uns estabelecem as regras, decretam as leis e, de novo, são “os outros” que têm de pagar. Obedecer sem pestanejar. É o fado lusitano!

 

A santa aliança de jogos nacionais e locais, da desinformação e da injustiça, deram os resultados que estão bem patentes. A divisória entre “eles” e os “outros”.

Também os separa a semântica. Palavras como decência, honestidade, qualidade, vergonha, competência, verdade e carácter não têm o mesmo significado. Basta ver, ouvir e ler os ministros e autarcas que, com raríssimas excepções, entram na tipologia dos primeiros. Há quem se tenha convencido que, por ter tido uns votitos a mais, recebeu um cheque em branco assinado pelo eleitorado.

 

Apesar do controlo estatal dos media, é bom sublinhar que ainda não conseguiram persuadir o cidadão produtor e que obedece às leis que os membros das castas que o desgovernam sejam imputáveis em tribunal. À sua maneira, o Zé Povinho aprendeu que a democracia está para o Estado de direito, como os sultões políticos estão para os sátrapas. É preciso recordar que para eles, democracia e imparcialidade não existem a não ser nos dicionários.

 

Nota-se que há muita gente honrada a viver em Portugal como se estivesse exilada no estrangeiro. Sabe que isto é um alguidar de lacraus Tenta não dar nas vistas para não ser vítima da ira ou das vingançazinhas dos “padroni” de uma qualquer mafia política.

 

Não vá algum manda-chuva “malhar-lhe”, pois é este o aviso saído da boca dalguns ministros. Em público e sem vergonha.

 

Imagine-se o que não fazem à socapa!

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