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Chover no molhado

 

O título deste artigo de opinião pode ser considerado uma redundância mas também é uma expressão popular antiga que significaria não vale a pena, é sempre a mesma coisa, está tudo na mesma, etc. Veio-me à memória esta expressão que penso, infelizmente, estar bem aplicada no assunto em reanálise, as portagens, o mesmo é dizer que não vale a pena porque é chover no molhado.

 

De facto, apesar do assunto das portagens já ter sido aqui tratado ainda há pouco tempo por este modesto aprendiz de fazedor de opinião, vale a pena voltar a falar do mesmo. Estou certo e convicto que é chover no molhado. Mas o certo é que até nuestros hermanos já se começam a queixar das ditas antes delas estarem em vigor. Ainda há dias uma empresa de Salamanca, que semanalmente cá vem trazer mercadoria, se queixava que os produtos terão que encarecer devido aos novos e inesperados custos. De empresas portuguesas ainda não se sentiram este tipo de queixas, talvez porque continuamos a importar muito mais do que exportamos.

 

Sem dúvida, sabe-se que voltar a falar nas portagens da A23, agora já com calendário para entrarem a facturar, é mesmo chover no molhado. Mas mesmo assim atrevo-me a perguntar de novo onde estão as alternativas. Sei que muita gente, de todos os quadrantes políticos, defende a política do utilizador pagador, neste caso das portagens. Mas então eu pergunto quanto é que alguns senhores, beneficiários e usufrutuários de mordomias de tudo e mais alguma coisa, quanto é pagam por utilizar essas mordomias. Esses são utilizadores gastadores e não se preocupam com os pagadores, até porque terão portagens pagas, carro pago, combustível pago, motorista pago e em muitos casos até um cortejo de seguranças pagos. Tudo isso pago com o nosso dinheirinho, o dinheirinho dos nossos impostos, que somos obrigados a pagar, que pagamos mesmo, para não nos penhorarem tudo e mais alguma coisa até ao vaso de noite.

 

Os autarcas desta região alargada, destes distritos de Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Guarda, para não falar dos limítrofes como são Lisboa, Leiria, Coimbra e Viseu, o que é que dizem sobre as portagens, já que o governo é insensível a estas coisas, sabe pouco de geografia e só conhece o interior de passagem e por alto? Nada. Uns porque são do partido do poder. Outros porque aspiram a ser do partido do poder. E os outros porque pensam que não têm poder nenhum. Isto vai ficar assim porque não há sentimentos de regionalismo, de solidariedade, de transparência e de verdade. Uns porque não têm coragem para colocar os dedos na ferida, outros porque não querem prejudicar as suas carreiras, e acima de tudo porque todos pensam que tudo vai continuar a andar. Mas desta vez talvez se enganem. O pessoal tem que passar a andar menos, alguns a marcar passo e a maioria a andar como o caranguejo como as economias regionais, a estagnar ou a regredir.

 

Sei que é chover no molhado. Mas mesmo assim atrevo-me a perguntar de novo, a quem tem a responsabilidade por estas coisas do trânsito e da economia, onde é que estão as alternativas? Expliquem-me. Expliquem-nos. É mesmo chover no molhado. Mas prontos, como agora se diz.

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