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Socos no estômago do contribuinte

 

Referimos na semana passada como os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) apertaram o cinto e, à excepção do nosso país, diminuiram a dívida pública (Estado e autarquias).

 

Até a Casa Real espanhola entrou em regime de austeridade, restringindo as despesas de maneira inequívoca. Segundo o diário “El País” (14.09.2011), “o orçamento para 2011 levará a primeira tesourada  num valor situado entre 9 e 15%, a começar pelas remunerações do rei Juan Carlos e dos seus funcionários. O  mesmo está a acontecer com o resto do funcionalismo público da nação vizinha. O número de assessores, viagens, telefones e automóveis está a levar uma poda que ficará na história.

 

No que nos diz respeito, pergunta-se qual será a razão para aumentar os impostos a todos os níveis da “república” se esse dinheiro é tão mal administrado? Tendo em conta que o tesouro público é incapaz de assumir uma gestão financeira sã, o recomendável seria cortar a sério no despesismo estatal. Com toda a franqueza, cumpre questionar a relevância de tantas empresas públicas e municipais, dos numerosos observatórios, institutos e fundações.  Reduza-se não só os salários mas também a abundância de deputados, ministros, secretários de Estado, subsecretários e adjuntos de secretários, directores gerais e outros da mesma estirpe. Acabe-se de imediato com os governadores civis e respectivos séquitos.

 

Aos proprietários de apartamentos e moradias, fazendas ou courelas, restam poucos dias para liquidar o Imposto Municipal sobre Imóveis. As taxas variam consoante o concelho: Torres Novas 0,80%, Cascais 0,70 %.

 

Escrevemos há meses neste semanário que, em bastantes países onde a qualidade de vida é mais elevada, os impostos são inferiores aos de Portugal. Isso acontece, entre outros, na Suécia. De igual modo, paga-se em proporção menos imposto por uma casa nas dinâmicas urbes do Canadá do que em muitas das nossas vilas e cidades provincianas. 

 

E vem a talhe de foice mencionar alguns elementos para reflexão. Circulou pela blogosfera uma mensagem com dados referentes ao Estado de Nova Iorque, uma verdadeira meca da emigração internacional. Ora bem, os residentes do “Empire State” pagam a gasolina a um terço do preço que é cobrado em Portugal e as tarifas da electricidade são aproximativamente 80 % mais baratas.  Também a banca lusitana, inclusive a nacionalizada, debita o triplo pelos serviços bancários. Ainda outro exemplo: por um carro que custe cerca de 12.000 dólares (+ ou – 9.180 euros) os portuguesitos cá da terra desembolsam 20.000 euros. A diferença, ou seja 10.820 euros, é para alimentar a bulimia dos seus governantes e a máquina propagandística a ela associada..

 

Mas há mais. Devido às dificuldades da população, o governo nova-iorquino apenas recebe 2 % de IVA, mais 4 % de taxa federal, num total de 6%.  Quanto é que os portugueses pagam cada vez que fazem compras? Mesmo as de primeiras necessidade. E quanto não lhes levam os Impostos Municipais, IRS, IRC e por aí fora até às absurdíssimas taxas de reclamação!

 

Uma parte substancial destas contribuições vai parar aos bolsos da classe política e dos seus acólitos, afilhados, correlegionários e familiares. Também serve para manter à grande e à francesa a mediocridade de determinados figurões que tomaram de assalto o aparelho de Estado. Ninguém deve esquecer que o Governador do Banco de Portugal ganha três vezes mais do que o homólogo em Washington. Quiçá devido ao gigantismo da economia portuguesa, quando comparada com a americana.

 

Os eleitores sabem oh!, se sabem! o que se passa. Podem avaliar a qualidade dos serviços que recebem. Justiça? Ensino? Segurança? Saúde? Porém, alguns recusam acreditar que entregaram aos lunáticos a chave do manicómio. Ou pior, continuam a defender a cleptocracia nacional.

 

Os contribuintes não podem continuar assim “ad vitam æternam”.  A vidinha está carota e já se ouvem os trovões a anunciar a tempestade.

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