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Pessoas da nossa sociedade

 

Ao regressar a Torres Novas, após uma boa semana de férias, eis que deparo com más notícias. Pessoas conhecidas que partiram. Em todo o lado se ouvia falar destas mortes. E na página dos óbitos deste jornal vi o Catarino. Toda a gente conhecia este rapaz. Passava pela rua da calçada diariamente, pedindo algo nas lojas. Os comerciantes conheciam-no e lamentavam tal sorte. Era ainda jovem e partiu. Ele viveu no seu mundo, na sua órbita irreal. Ouvi muitas vezes os seus lamentos de homem revoltado. Um dia tive vontade de o abordar, de falar um pouco com ele. Porém não o fiz.

           

Após uma semana do seu funeral fui a um bar e ouvi falar no Catarino, num tom de bondade, de amizade. Não estou aqui para julgar o Catarino, porque ele tinha problemas com a droga. Mas condeno os traficantes de estupefacientes. Esses espalham sonhos e objectivos mentirosos, e quem usa essas mezinhas pode morrer.

           

E adianta dizerem que os consumidores têm a culpa porque não é bem assim. A maior parte das vezes fumam um charro numa festa com os amigos e depois continua-se e a malta e não só querem é ter adrenalina. Infelizmente há uns anos trabalhei numa empresa onde havia consumidores do fim do Mês. Ou seja compravam o produto quando recebiam o salário. E anos mais tarde vi alguns agarrados, no entanto eram óptimas pessoas. Eram os primeiros a ajudar-me na fábrica e isso nunca esquecerei.

           

Por isso apresento as minhas condolências à família do Catarino.

           

Esta semana fui a uma farmácia e na montra estava uma foto de alguém que também tinha deixado a terra dos vivos. Qual não foi o meu espanto quando reconheci o rosto do Sr. “ Zé cigano”.

           

Recordo-me dele sentado na esplanada dum café da nossa terra a conviver com alguns membros da sua família. Ou então no mercado semanal a vender os seus artigos. Era um homem respeitado pela comunidade cigana. O meu pai sempre me disse que quando havia algum alarido entre as suas gentes, o” Sr. Zé cigano” aparecia e tudo terminava em bem.

           

Trabalhei numa escola, onde alguns dos seus netos a frequentaram e reparei que eram mais educados que alguns meninos das chamadas famílias de bem.

           

Assisti ao seu funeral e vi tristeza em todos os olhares. Uma despedida dolorosa que há muito não via num enterro.

           

Com todo o respeito também dou as minhas condolências à família do Sr. “ Zé cigano”.

           

Deixo à restante população uma mensagem: não devemos chamar a morte, porque ela vem ter connosco um dia; Antes de falar em pessoas que morreram, temos de nos certificar que a pessoa está realmente morta.

           

Isto vem a propósito desta semana correr o boato que uma pessoa tinha morrido e afinal não passou de um boato. A pessoa pode estar mal, mas não se pode logo enterrá-la não acham?

           

Sinceramente ando farta de ouvir no TUT estas frases: – “ aí isto está muito mau, Daqui a pouco temos de encomendar o caixão”

           

-“ Ó homem quem te viu e quem te vê!” – “ Coitadinho é aquela doença, ele não aguenta, está de novo no Hospital”

           

Estas e outras frases ouvem-se logo de manhãzinha no TUT. Isto é que é amor à vida. Isto é que é um dia positivo. Fico irritada quando ouço estas coisas. Um dia destes a conversa estava a perturbar-me que tive de falar alto. Perguntei se não gostavam de viver? Responderam que sim. Então porque raios não aprendem a sorrir e serem optimistas em vez de derrubarem os outros?

           

Por favor tentem olhar para a vida de outra maneira. Há crise todos sabemos, há mortes, há doenças, mas temos todos juntos de dar um pouco de nós, um pouco de alegria e fazer um esforço para que tal aconteça.

           

Será que para a semana a ladainha muda para algo mais positivo?

           

Como dizia Raul Solnado “ FAÇAM O FAVOR DE SEREM FELIZES”

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