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Feira de Velharias – Uma lição de História

 

Realizou-se neste último domingo, mais uma feira de velharias e verdadeiras antiguidades. 

 

Com um olhar atento é curioso descobrir a cada passo e de vendedor em vendedor a diversidade de objectos, desde os mais pequenos alfinetes de dama, até à gigantesca balança de cobre. Garrafas, livros, muitos livros, exemplares únicos de colecções preciosas, a preços que só algumas bolsas podem pagar, bijutaria, porcelana, cassetes de vídeo, canas de pesca, jarrinhas e jarrões, candeeiros a petróleo, candeias de azeite, rádios que os mais novos dificilmente reconhecerão como tal. Talhas de azeite, as famosas panelas de ferro de três pés onde a comida era cozinhada em cima das brasas, e tinha de certeza outro sabor. Mais à frente uma concertina e um fole gigante, a mala de viagem com várias décadas de vida e o cesto da merenda em verga. Cadeiras que pareciam senhoriais e os mais diversos utensílios usados antigamente na agricultura. Uma espécie de chuveiro, chamou-me particularmente a atenção. Trata-se de um pequeno depósito, pouco maior que um balde que afunila num cano com buracos por onde sai a água “a fazer de conta” que de um chuveiro se tratava. O banho, esse teria de ser à pressa, dada a escassez da água que depressa se acabaria. Os lavatórios em porcelana e em suportes de ferro. Ah! Não podia faltar a colecção dos célebres pratos do cavalinho. Enfim, seria um nunca mais acabar de descrever as curiosidades que ali estavam expostas e que me obrigavam a abrir um sorriso, pela diferença que fazem, afinal num tão curto espaço de tempo.

 

A manhã estava agradável e o calor não era demasiado, no entanto os vendedores eram em maior número que os visitantes. A esplanada mesmo ali ao lado tinha bem mais clientela.

 

“As pessoas regateiam, querem as coisas dadas”, dizia Carlos Alberto Vieira. Nascido e criado em Torres Novas dedicou-se há pouco a este negócio “para não deitar para a reciclagem, que é pena”, conclui.

 

“O negócio está muito fraco, diz Isabel Veludo que veio de Santarém, “talvez por as pessoas estarem de férias, isto hoje está fraquíssimo.”

 

A Celeste Lopes e a Maria dos Santos não perdem uma Feira, “recorda-nos a nossa infância e sempre se compra alguma coisa engraçada”.

 

Célia Ramos

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