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Hábitos que se vão perdendo

Tudo isto vem a propósito do novo horário do comércio das grandes superfícies, particularmente ao Domingo. É mais uma machadada no comércio tradicional, o único que dá vida às cidades do interior do País. E parece que tudo caminha para as grandes concentrações, quando o mais aconselhado era descentralizar para dar vida às aldeias. E quando se diz, a nível de Ensino, que é para dar oportunidade a todas as crianças de terem as mesmas condições, é uma falsa questão para tapar os olhos aos portugueses. Uma criança aprende melhor no seu habitat natural do que nas megas-escolas com 1.700 alunos. Mas isso é um tema que merece outra reflexão e análise.

Quando éramos jovens, quando o Domingo chegava, depois de uma semana de trabalho, era o dia ideal para nos vestirmos de outra maneira, ir até ao café falar com os amigos, saber as novidades, passear pelo Jardim e muitas vezes ir à saída da missa dominical para ver as miúdas nossas conhecidas e observar a forma como vinham vestidas. Era um tempo calmo, sem pressas e onde tudo acontecia com normalidade. O domingo, era por excelência, um encontro de familiares e de amigos. Mas os tempos mudaram muito e as mentalidades tiveram que se adaptar ao ritmo da vida, obrigando a tomar outras atitudes para dar resposta às exigências que nos fazem, quase diariamente. A pouco e pouco, o Domingo perdeu a sua importância no encontro de Famílias e hoje, para muitos – não para nós… – passou a ser igual aos demais dias. A roupa que se vestia ao Domingo, já se veste a qualquer dia da semana. E de repente, sem nos apercebermos, esta sociedade consumista e assente no lucro fácil, vai-nos obrigando a perder as poucas raízes que ainda mantínhamos e que faziam parte da tradição de vida.

Apesar de continuarmos a lutar no sentido de mantermos as nossas tradições, independentemente da maioria, não pensar assim, daqui fazemos um apelo aos nossos comerciantes que não caiam na tentação de abrir ao Domingo, dado ser um tempo em que as Famílias ainda aproveitam para confraternizar. A crise do comércio tradicional não se resolve com estas medidas avulso. O poder de compra dos portugueses é que pode atenuar a crise.

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