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Emigrantes vêm matar saudades

Não se pode negar as saudades que sentem do seu país, nem negar o brilho que trazem no olhar quando chegam à sua terra natal e abraçam com emoção os familiares, que não viam há um ano. Findas as férias voltam a partir e, o regresso definitivo ao seu país vai sendo adiado.

Foram muitos os que partiram nas décadas de 60 e 70 à procura de melhor vida. França, Canadá, Estados Unidos, Suíça eis alguns dos destinos eleitos. Uma experiência feita às escuras sem saberem muito bem o que iam encontrar. Uns de passaporte na mão e a promessa de um contrato do lado de lá da Fronteira, outros clandestinamente, iam “de assalto” como se dizia na altura na gíria popular.

Entretanto, chama-se a namorada, ou a esposa, e a família constitui-se, vêm os filhos e os netos, e estes dois últimos, já de naturalidade diferente dos seus pais, e avós começam a deixar para trás a língua portuguesa que se falava em casa, e eles próprios constituem família. Num país que para eles não é estrangeiro, é sim o seu país.

10 de Junho de 1962. Uma data que José António Alves não esquecerá. Partiu para França com a promessa de um contrato de trabalho e a esperança de uma vida mais desafogada.

Fui trabalhar para as obras, para a construção. De quinze em quinze dias, ou semanalmente mandava uma carta à minha família. Deixei cá a esposa e a filha.”

Na carta vinha o dinheiro para a alimentação e para pagar a mala. Sim a mala. A mala mandada fazer de madeira e forrada de lata para transportar os pertences de José Alves.

Lembro-me tão bem de ir pagar a prestação da mala, e o resto era para comer”, recorda Tinita, a única filha do casal, hoje, uma avó babada.

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