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O GACA 2 ( Dispensa para casar)

 

Colocado no quartel do GACA-2 nesta então vila de Torres Novas, podia sentir-me um felizardo, porque estava na minha terra, porque continuei a residir em casa dos meus pais e continuei a poder dedicar-me ao que já fazia, ao namorico, ao Choral Phydellius, à Columbófila, ao Montepio e às cantorias aqui e ali.

 

A chegada foi um pouco exigente, tendo-me sido indicado para apresentação o Conselho Administrativo, e quando entrei lá estava o meu amigo furriel Bugio Lopes, com um sorriso de felicidade, que me disse ser necessário apresentar-me com os meus colegas cabos milicianos que tinham chegado, em todas as secções do quartel. E assim foi, lá me fui apresentando, serviço a serviço, “apresenta-se o cabo miliciano nº tal “ com a indispensável continência (chapelada), não sem que me tivesse por vezes desmanchado a rir, porque me estava a apresentar a pessoas com quem convivia cá fora no Café Oásis ou no Café Viela  há bastante tempo.

 

Foram trinta meses de GACA 2, convivendo com muitos sargentos e oficiais, do quadro e milicianos, trabalhando durante todo esse tempo na elaboração dos vencimentos de todos os oficiais e sargentos da unidade.

 

E não havia tempos mortos, porque se tratava de uma Unidade Mobilizadora de onde partiam e chegavam quase todos os meses, batalhões de e para as antigas colónias. Os que regressavam, queriam era fazer o espólio e marchar para suas casas que era tempo e cá o furriel Pinheiro tinha que ter tudo certinho para os Oficiais e Sargentos assinarem, receberem e marcharem e isso causou algumas noites de trabalho até de madrugada.

 

Os soldados e cabos eram atendidos pelo sargento Fonseca e pelo furriel Augusto Pereira para espólio do fardamento e até pagavam (e bem) só para saír do quartel e abraçar os seus entes queridos que os aguardavam há horas cá fora.

 

 Os que partiam, tinham que efectuar três meses de preparação e só então embarcavam para a Guiné, Angola, Moçambique e Timor.

 

Depois haviam os outros, os chamados residentes, os milicianos como eu, sargentos e oficiais que aqui estavam os tais três anos da ordem e os militares do quadro permanente, muitos deles aqui residentes, que aguardavam ordem de marcha para periodicamente embarcarem.

 

Entretanto nos intervalos, muito se jogava naquela Messe de Sargentos. O único drama que havia, com os vencimentos de alguns, era quando o saldo era zero, pois tinham de ser descontadas as dívidas do “casino” por tanto se jogar à lerpa.

 

Mas o furriel Pinheiro nada podia fazer para valer aos desprotegidos da sorte.

Dos homens do quadro, ainda relembro os sargentos Bajanca, Figueiredo, Dias Ferreira, Carreira, Bretes, Eduardo Souto, Pinto, Varela, Duílio Jorge, Maximiano, Esteves, Costa, Fonseca, Caldeira, Penteeiro, Nunes, Afonso e Meira, e sobretudo o Pimentel bom companheiro das actividades desportivas. Dos oficiais, o capitão Pedrosa e o major Amândio de Sousa, segundo comandante, sendo o Comandante que mais recordo o Tenente-Coronel Ponces de Carvalho.      

           

Alguns já partiram para a última missão, mas a maioria ainda por cá continua a viver e é sempre bom cumprimentarmo-nos quando nos reencontramos.

           

Dos oficiais milicianos, recordo os alferes e aspirantes Coimbra, Rei, Silva Pereira, Martins das Fazendas de Almeirim, Reis, Zé Maria, Moreira, Eduardo Bento, Carreto, Barbosa Leão, Ramalhosa, Bragança (ah jogador!), Chico Côco Mendes, Luís Galamba, o Mota e o Rodrigues. Dos furriéis milicianos meus contemporâneos, começo pelos torrejanos Manuel Sardinha, Augusto Pereira, Maximino Lopes, Faustino Bretes, José Carlos Sousa e Henrique Jorge, para além do Maia e do malogrado Silvestre vizinhos do Entroncamento, do Guerra, do Manuel Sebastião Lopes, de Almeirim, do Xavier de Tavira, do Ladeiras, do alegre Bugio Lopes, do Amaral de Carnide , do Silvita do Porto, do Quinito que jogava no Belenenses nessa altura, e o meu grande amigo de Barcelos, o “Pai da Guerra”, o furriel Fernandes, que de quando em vez nos aparece por aí e está na mesma graças a Deus, alegre e folgazão.

           

Dos soldados e cabos, recordo os torrejanos Maurício e Pinto Salgado, o Maia do clarim, o Joaquim Rita de Alcanena, o Crachá de Minde, o Zé Gordo dos Riachos e o Jeremias de Ourém.

           

Foram trinta meses de camaradagem. Só por curiosidade, no Domingo em que casei, estava de serviço de Amanuense de Dia. Pedi dispensa ao alferes Coimbra, que sabia ser o Oficial de Dia da Unidade nesse Domingo, 15 de Agosto de 1971, que quando soube que era para me casar me disse redondamente que não, “tens que te apresentar na parada às 7 da manhã como os outros”!.

Só na sexta-feira anterior e à tarde o amigo Coimbra me comunicou: “Vai lá casar pá e que que sejas muito feliz!”.

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