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O mau espectáculo da RTP

 

A crise força alguns portugueses a pensarem e a questionarem os políticos do faz-de-conta. E já que estamos a falar de lixo a preço de luxo, vamos reflectir sobre um óptimo exemplo do pechisbeque nacional: a RTP.

 

Desde logo, impõe-se uma advertência. Enquanto espectadores, há camaleões a adaptarem-se a diversos tipos de representação, mas recusam comer gato por lebre. Por isso mesmo, nunca engolem à primeira colherada notícias relacionadas com governantes. Na capital ou numa qualquer cidadeca do interior, é só paleio e fogo-de-artifício para iludir pacóvios.

 

Este assunto merece reflexão. Talvez se consiga encontrar um punhado de telespectadores com coragem para admitir que a RTP lhes está a lavar o cérebro.

 

Ninguém nega que um fragmento da população gosta da RTP. No estilo de um finca-pé em defesa da Selecção das Quinas. A melhor do mundo! Nunca faltaram cidadãos menos exigentes e com carência de espírito de análise. Com a invenção das “novas oportunidades” e dos diplomas a martelo, compreende-se como é fácil a reprodução desta espécie.

 

De facto, em democracia, as instituições só funcionam como deve de ser se os eleitores forem vigilantes. Não podem permitir que lhes lancem poeira nos olhos. No tempo do Doutor Salazar, a maioria também não criticava nada. Quando quase tudo o que via estava ultrapassado, era parcial, insuficiente ou falso.

 

Ora bem. Estivemos uns dias no nosso país. Embora poucos, foram suficientes para constatar a maneira indecorosa como estamos a ser administrados. Recordamos perfeitamente. Foi numa sexta-feira de Junho e queríamos ver as notícias. Estavam a transmitir imagens do que nos interessava no telejornal da RTP e ficámos siderados com o tom kamikaze – rastilho curto e barril de pólvora prestes a explodir! – de um célebre membro do governo. Quem o entrevistava não se atreveu a fazer a pergunta que se impunha.

 

Esta gente absorve um mar de dinheiro. Segundo Jorge Fiel (redactor principal do “DN”): “Em 2007, a RTP custou-nos 240 milhões de euros – 126 milhões directos do Orçamento de Estado, mais 114 milhões do imposto dissimulado de taxa do audiovisual que nos é cobrado todos os meses com a factura da electricidade”.

 

E vem a propósito perguntar se os leitores já prestaram a devida atenção à conta da EDP? Reparem no que vem lá escrito: Contribuição Audiovisual pelo valor de 3.42 Euros. Qual será o motivo para este pagamento? Porquê e para quem? Qual é o destino dessa quantia que lhes tiram da algibeira?

 

Nem imaginam. Até as escadas de condomínios e as casotas de apoio à agricultura pagam para os audiovisuais. Agora façam as contas. Multipliquem, por exemplo, um milhão de facturas por esses euritos e são três milhões e meio. Uma roubalheira.

 

Assim se compreende que, conforme divulgou um diário lisboeta, há jornalistas da RTP a ganharem mais do que o Presidente da República. Pois vejamos: mesmo sem contar com as ajudas de custo, José Alberto Carvalho ganha mensalmente 15.999 euros, Judite de Sousa 14.720 e José Rodrigues dos Santos 14.644…

 

Entre 2003 e 2009, a RTP obteve 2000 milhões e, embora a receber cerca de 300 milhões por ano, teve um prejuízo de 14 milhões em 2009 e um passivo bancário de 808 milhões. Como escreveu Fernando Raposo, no último número do “Portugal Ilustrado”: “A gestão da RTP é o desastre que se vê, mas não faz mal: o Estado contrabalança…com indemnizações compensatórias”.

 

Não é preciso ser barra em economia para perceber que a RTP é bastante mais ineficiente que a concorrência. Basta dar uma espreitadela nos relatórios.

 

Mais: confirmámos desta forma algumas hipóteses. Entre outras, que a nação se transformou num teatro permanente. É o corolário de uma gestão deplorável. Andarem por aí a dizer que está tudo bem, quando sabem que poucos portugueses se salvam de cair no precipício

 

Isto é sintomático do actual Portugal dos pequeninos, onde os acólitos do regime recebem salários faraónicos. Quando é que isto irá acabar? “Ite missa est”? Não será em breve, porque o defunto ainda está por sepultar.

 

P. S. – Os interessados podem preencher um formulário, na EDP, para que não lhes seja cobrada a contribuição audiovisual.

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