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Apoio aos peregrinos – Parvos vestidos de miúdos?

 

Ao longo da nossa vida, enquanto escuteiros, ouvimos muitos comentários menos agradáveis, especialmente quando somos mais novos, em regra de pessoas que não conhecendo a essência do escutismo vêem apenas a farda e os acampamentos. Já perdi a conta às vezes que ouvi que “Escuteiros são um grupo de miúdos vestidos de parvos, comandados por um parvo vestido de miúdo”. Confesso que até acho graça ao trocadilho, essencialmente pelo facto de ser totalmente despropositado. Neste momento serei a parva vestida de miúda! Tenho por hábito desafiar as pessoas a vir conhecer, por isso aproveito a oportunidade para partilhar alguns momentos de uma das nossas actividades anuais.

 

No mês de Maio, muitos são os que caminham até Fátima, movidos pela Fé. Uns cumprem promessas, outros acompanham quem as cumpre, outros fazem-no simplesmente pelo gosto de oferecer o seu sacrifício a Nossa Senhora. Este ano contámos com uma presença especial no nosso país – a visita do Papa Bento XVI. Todos os peregrinos que passam pela Chancelaria, encontram ali, há muitos anos, um posto de apoio onde podem descansar, receber uma relaxante lavagem e massagem aos pés, conviver um pouco, entre outras coisas. Este posto de apoio aos peregrinos é assegurado pelos escuteiros de Torres Novas, e este ano contou com o apoio de alguns elementos da Chancelaria e Lapas. Conta também com uma série de patrocinadores que oferecem ajudas diversas, desde a disponibilização do espaço (este ano pelo Restaurante Brisa d’Aire), materiais diversos, tempo e conhecimentos. Com tudo isto foi possível, uma vez mais, prestar apoio a cerca de 500 pessoas no período de 7 a 12 de Maio.

 

Os escuteiros mais novos abdicaram do seu fim-de-semana para estarem presentes. Cada um com as suas funções, todas igualmente importantes: transportar água quente, levar o material necessário a quem está a tratar os pés dos peregrinos, conversar um pouco e oferecer-lhes um café. Alguns dos mais velhos, além do fim-de-semana, estiveram também presentes depois das aulas. Apesar das suas obrigações escolares, sociais e familiares, não quiseram faltar ao seu compromisso de disponibilizar uma parte do seu tempo ao próximo. Os tempos livres são muitos, já que os grupos de caminhantes, pelo menos nos primeiros dias, passam bastante espaçados. Houve quem levasse livros para estudar, trabalhos para fazer, até matemática se estudou. Houve também tempo para a brincadeira – cartas, mímica, desenhos… Jogou-se um pouco de cada. Essenciais nesta actividade são estes “momentos mortos” que nos permitem conhecer melhor os outros escuteiros do nosso agrupamento que conta com um efectivo de cerca de 100 elementos. De entre os adultos houve quem tirasse férias dos respectivos empregos (porque escuteiro também te uma vida profissional), para assegurar que estaria sempre alguém presente e que o trabalho se fazia. Dormimos pouco, já que muitos são os que preferem caminhar de noite. E o que ganhamos nós com tudo isto, perguntará o leitor… Além de caras felizes, partilha de experiências de quem com grande sacrifício se faz ao caminho, ganhamos a sensação que o nosso fundador, Baden Powell, fez questão de nos transmitir na sua última mensagem – a de que deixamos o mundo um pouco melhor do que o encontrámos.

 

Escuteiro ou não, este é um princípio que apenas pode trazer coisas boas às nossas vidas, procuremos por isso, como sugeriu BP, deixar o nosso mundo um pouco melhor do que o encontrámos.  

 

Catarina Cerqueira

artigoscc@gmail.com

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