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Urgências Médicas

 

Mal a temperatura subiu, Maria abriu as janelas para que o sol duma Primavera amaldiçoada lhe alegrasse o minúsculo quartinho alugado numa pensão cheia de baratas e demais insectos.

           

Há uns dias que se queixava com dores nas costas. Recorreu às Urgências e o médico receitou-lhe analgésicos. Os medicamentos não lhe fizeram efeito e como não tem recursos financeiros para ir a um consultório particular, foi de novo ao hospital. Mais medicação e nada de exames.

           

Devido aos tratamentos as dores aliviaram as costas de Maria e ela pôde continuar a limpar as escadas dum condomínio de luxo. Entretanto dois meses passaram e a sua dolorosa cruz aumentou, desta vez com uma violência atroz que acabou por acordar numa cama de hospital. Fora-lhe diagnosticado um cancro maligno em estado muito avançado.

           

Seriam umas 19h quando Pedro dera entrada nas Urgências. Estava ensanguentado, com várias mazelas no corpo. Um choque frontal. Tinha de ser operado o mais rápido possível. Entre bisturis e fios eis que algo é trocado e por engano fica no corpo fragilizado de Pedro. A operação fora rigorosa e com idas regulares à fisioterapia conseguiu recomeçar. Quando tudo parecia encaminhar-se, eis que surge uma recaída; conclusão: uma compressa esquecida causou-lhe uma infecção desnecessária.

           

Caros leitores, estes são alguns exemplos do que ,na maior parte das vezes acontece quando uma pessoa recorre às Urgências do seu Hospital de área de residência. Até mesmo na sala de Triagem, não medem a tensão arterial, dizendo que o Sr. Dr. é que faz isso. E lá dentro do consultório, se o paciente não implora, sai de lá apenas com uma catrefada de medicamentos para tomar.

           

Faz-me confusão como é que um médico sem sequer mandar fazer umas simples análises ao doente, consegue saber o mal dessa pessoa e pior receitar-lhe os medicamentos que julga serem certos?

           

E se o doente morre? A quem fica a responsabilidade?

           

Negligencia médica? As famílias revoltam-se, mas têm medo de falar porque amanhã podem precisar desse mesmo médico noutra consulta.

           

O povo fala muito, mas cala-se e os que gritam são a minoria, por isso é que temos o Sistema de Saúde desta maneira.

           

Finalizando apelo aos médicos que estão de serviço das Urgências nos hospitais deste país que façam exames antes de mandarem o paciente para casa. Assim podem-se salvar vidas e os senhores sabem muito bem que quem trabalha por amor a esta profissão sabe quão é importante salvar uma vida.

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