Home > Sociedade > Ronda Social – Infantário Margarida Pinto Basto e Almeida

Ronda Social – Infantário Margarida Pinto Basto e Almeida

 

O Infantário Margarida Pinto Basto e Almeida foi fundado em 1974  com o objectivo de servir os filhos dos funcionários do antigo hospital de Torres Novas que pertencia à Santa Casa da Misericórdia. Em 1977 foi celebrado um acordo de cooperação com a Segurança Social para 35 crianças. O nome dado à Creche, na altura designada de Infantário deve-se ao facto desta senhora ter sido uma das principais benfeitoras desta obra. Na última segunda-feira O Almonda visitou o Infantário e esteve à conversa com a directora e educadora Vanda Antunes. Mas antes, foi tempo para conhecer os meninos e meninas que aqui passam parte dos seus dias. 

Começamos pelos mais velhitos, que, diga-se, depressa se aprontaram para a fotografia. Era a sala dos 2 anos, onde a lotação está esgotada com 15 crianças. Oos meninos e meninas sentaram-se para a fotografia, mas ao se apanharem de livro na mão, um para cada um, não mais ligaram nem à jornalista nem à máquina fotográfica, tal é o entusiasmo quando se tem entre mãos esse amigo que tem sempre uma história para contar.

“Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa

                                                que tornou a tua rosa tão importante”

                                                                                       

                                                                                   Saint-Exupéry

 

 

Coincidência ou não, na sala dos meninos de um ano, a educadora Alda contava uma história daquelas com personagens encantadas, e apesar de entrar bem devagarinho, aqui ocorreu o inverso, a câmara fotográfica roubou toda a atenção do livro e aqueles olhitos curiosos viraram-se para mim, que afinal tinha invadido aquela sala sem pedir licença.

 

Finalmente na sala do berçário era hora de almoço. Os que já tinham a barriguinha cheia esperneavam alegremente em cima do tapete de actividades, enquanto mordiscavam os bonecos, fazendo “guerra” à aflição dos primeiros aos dentinhos. Do outro lado da sala, qual seria a admiração dos papás se vissem os seus bebés a abrirem a boquinha à sopa de legumes sem uma única reclamação, quando em casa costuma ser um castigo para comerem?

Estava a visita feita e chegada a hora de falar um pouco acerca desta valência da Santa Casa da Misericórdia de Torres Novas.

 

“O nosso projecto educativo rege-se por um pensamento muito bonito de Saint-Exupéry:  “Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante”. O tempo que passamos com estas crianças jamais será tempo perdido. A nossa dedicação constante dará frutos mais tarde ou mais cedo”, afirmou a directora.

 

As famílias e o pouco tempo que se é capaz de dar às crianças foi um dos temas abordados, e mais uma vez, como já foi dito tanta vez e por tantas pessoas, “interessa a qualidade. O tempo passado com as crianças deve ser um tempo de entrega e apenas para eles. Não será de forma alguma o mesmo estar sentada a ver um livro com a criança, a explorar aquela história em conjunto, do que estar a passar a ferro enquanto a criança observa o livro sozinha. No entanto, não posso de forma alguma culpabilizar estes pais. A nossa sociedade, o nosso governo assim o permite. E tanta vez que são as entidades patronais as primeiras a criarem dificuldades aos pais, quando por exemplo, os pais não têm onde deixar as crianças estando estas doentes”, salientou a educadora Vanda.

 

 

“Acabamos por ser parte da raiz da família, porque é aqui que as crianças passam a maior parte do seu dia. Abrimos às 7:45 e encerramos às 18:30 horas e mesmo assim temos aqui pais que têm de pedir aos avós para virem buscar as crianças. Por isso aqui tem de haver um ambiente de amor, de dedicação, de educação”, numa casa que considera a educadora ser muito ao jeito de uma família, porque “felizmente há uma relação muito boa entre toda a equipa.

 

Trabalhar com crianças de idade tão tenra não é tarefa fácil, e esta área é na opinião da educadora uma das lacunas que sentiu no seu curso de Educadora de Infância. Hoje com uma experiência vasta e a tirar o mestrado na sua área, Vanda Antunes reforça o quanto é importante esta fase na vida das crianças. Dos 0 aos 3 anos, estas crianças funcionam como “«esponjinhas»” que absorvem tudo o que as rodeia. E um dia vão copiar, e a nossa responsabilidade, vistas assim as coisas é enorme.”

 

A das educadoras e a dos pais. Quantas vezes pensamos que não estão a reparar e afinal aperceberam-se de tudo? São crianças, são meros observadores ainda, mas com um poder de observação e captação da realidade que os rodeia incrível. Já alguém dizia “A criança é o que aprende. Aprende o que vive e vive o que aprende”.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook