Marta Tomé apresenta “Terra Chão”
29 de Janeiro de 2010. Etiquetas: Sociedade.
O novo espectáculo de dança de Marta Tomé, co-produzido com o Teatro Virgínia, tem no milho a sua figura central, «Tudo começa a partir daí», disse a bailarina e coreógrafa do espectáculo que no Sábado, dia 30, é estreado no Teatro Virgínia.
Este espectáculo, explicou também a bailarina, resulta de uma criação colectiva por parte das intérpretes, Maria Gameiro, Patrícia Jorge, Raquel Senhorinho e Marta Tomé. A música foi composta propositadamente para o espectáculo é da autoria de Vasco Ribeiro Casais.
«Gosto da temática rural» explicou também a coreógrafa, que diz, apesar de nunca ter tido a experiência de trabalhar no campo, sentir muito a sua influência e de ter adquirido «uma identidade rural» através do contacto com os seus familiares, amigos e vizinhos, que sempre viveram do campo, «São coisas que nos envolvem e que acabam por passar para nós», justificou.
Milho e Mulheres
Para que este espectáculo ganhasse forma foi necessário fazer alguma pesquisa, tendo para isso a coreógrafa se socorrido das fontes que conhece, o Museu Agrícola de Riachos e alguns testemunhos de quem vivenciou o ciclo do milho, como Joaquim Santana, Manuel da Luz e Manuel Carvalho Simões. Estudou esse ciclo, desde a plantação à fase em que era estendido na eira, até à sua transformação em farinha. Depois procurou elementos que pudessem ser trabalhados coreograficamente, onde as mulheres participavam no “descarolar” e nas “descamisadas”.
A co-produção deste espectáculo foi ainda da responsabilidade de um projecto também lançado por Marta Tomé, “A.tarara” – projecto de artes performativas que deambula entre a tradição e a contemporaneidade. Este projecto tem seis meses de trabalho e além do Teatro Virgínia irá procurar levar “Terra Chão” a outras salas de teatro do país.
Luís Miguel Lopes
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