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Pedro Barroso despede-se dos “grandes concertos”

 

“Preciso de tempo para poder jardinar a vida”

 

Foi com a lotação esgotadíssima do Teatro Virgínia, que na noite de 12 de Dezembro, Pedro Barroso se despediu dos grandes palcos. “Celebro hoje, a esta hora e neste mesmo dia, os meus 40 anos de vida artística.” 

 

Disse o compositor no início do espectáculo onde as emoções falaram mais alto e as lágrimas não foram evitadas. A sua estreia teve precisamente lugar no “Zip Zip”, programa lendário da RTP, no ano de 1969, neste mesmo dia 12 de Dezembro.

 

Foram mais de duas horas em palco, num concerto que encerrou a tournée de comemoração dos “40 anos de Música e Palavras”. “Foi um ano muito cansativo, de Arcos de Valdevez a Ponta Delgada, percorri Portugal inteiro, e a resposta por parte do público foi completamente inesperada. Recebi um carinho que nunca esperei.” disse Pedro Barroso a O Almonda, horas antes do início do concerto.

 

O concerto integrou músicas de várias épocas e que viajaram no mundo das memórias pelas canções que falam da contemplação e da resistência, canções que contam estórias de pessoas que são eternamente recordadas com o carinho que merecem, que falam da ternura, da portugalidade, da intervenção social e também do erotismo, (“vou cantar uma canção, que deve ser a única neste mundo, que fala sobre a primeira vez de um rapaz”) e ainda, outras que cantam a utopia e falam de ironia.

 

40 anos de música e palavras

 

Acompanhado em palco por Carlos Dâmaso (viola, bandolim, baixo, flauta e percussões), David Zagalo (teclados e piano), Luís Sá Pessoa (violoncelo), Luís Petisca (guitarra portuguesa e viola) Miguel Carreira (acordeão e viola) e como convidado especial, o seu filho Nuno Barroso, o autor, cantor e compositor subiu ao palco e presenteou o público com as canções mais emblemáticas da sua carreira, numa viagem que percorreu 40 anos de música, nas suas palavras, “a que fiz e a que ainda que não gravei”, num concerto marcado por muitas, muitas emoções. A presença de Nuno Barroso, ainda que bastante fugaz, uma vez que outro compromisso o esperava, foi um dos momentos altos e emotivos da noite, que culminou num abraço, longo e carinhoso, entre pai e filho.

Já na parte final do concerto, onde o tempo passou sem que se desse por isso, as emoções tomaram conta das palavras de Pedro Barroso, na altura em que foi celebrada a amizade e a memória dos grandes nomes da música portuguesa. José Vilhena, Simone de Oliveira, a poesia de Manuel Alegre, o eterno Zeca Afonso, entre muitos outros.

 

O público aplaudia de pé e com entusiasmo estes momentos de homenagem à amizade, ao mesmo tempo que, subia ao palco o vice presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, Pedro Ferreira, que em nome “do povo torrejano”, agradeceu ao compositor riachense, estes 40 anos de Música, Palavras e Poesia, assim como o memorável concerto que por esta altura se encontrava já perto do fim.

 

Célia Ramos

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