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Lagares sem mãos a medir perante tanta azeitona

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“Este ano foi excepcional no que respeita a azeitona! Em grande quantidade e com qualidade!” Esta é uma  afirmação partilhada pelos proprietários de lagares do concelho que este ano não tiveram mãos a medir para muita, mas mesmo muita azeitona que durante os meses de Outubro e Novembro chegava de dia e de noite aos lagares.

“Há mais de quarenta noites que não sei o que é uma noite bem dormida. Deito-me aqui mesmo no Lagar numa espécie de «cama da tropa», e durmo três ou quatro horas”, diz Vítor Cotrim numa curta conversa, porque não há tempo para prolongadas paragens.

 

 

Ainda como antigamente

 

O cheiro a azeite novo invade as narinas e apetece molhar uma sopa de pão naquele néctar vindo da azeitona esmagada. E este aroma ganha contornos ainda mais apetitosos quando se entra num lagar clássico, onde todo o trabalho ainda é feito manualmente. Nas Gateiras, onde falamos com Vítor Cotrim, lado a lado, dois lagares, um tradicional e do outro lado um já industrializado, onde uma máquina faz o trabalho de meia dúzia de homens.

Após pesada, lavada e triturada, a  azeitona é batida e aquecida para garantir uma melhor qualidade do azeite. Depois dois homens vão colocando a massa resultante da azeitona já moída nos já raros capachos, que em seguida são colocados uns sobre os outros num prato de uma prensa hidráulica. Os capachos vão assim sendo comprimidos de modo a garantir a separação de uma mistura de água

do azeite, nesta altura, ainda de cor negra, e do bagaço. Só depois de separada toda a impureza e da sua centrifugação é que o azeite estará pronto a entregar ao cliente.

 

Vítor Cotrim recorda-se de um “super ano de azeitona” no mesmo ano em que o Lagar tradicional foi aberto, em 1982, mas desde lá que não se recordava de um ano assim. “Tivemos dias de não saber onde colocar tanta azeitona. Já não havia espaço para mais. Nos dois Lagares conseguimos ter capacidade para transformar cerca de 40 mil quilos de azeitona por dia, mas tivemos muitos dias  em que recebemos mais de 60 mil quilos de azeitona. Nestas circunstâncias, a nossa principal dificuldade foi em ter capacidade de transformação da azeitona em tempo útil, evitando a que a azeitona perdesse qualidades, ou por estar mal acondicionada e não aguentar uma espera de quatro dias por exemplo, para se esmagada, ou mesmo pela natureza da azeitona já ser mais débil”, explicou o proprietário destes dois Lagares em Gateiras.

 

Célia Ramos

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