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Agora é que vamos começar a produzir

 

Portugal é um país pouco produtivo. Sempre ouvi este chavão, mas nos últimos anos tenho encontrado muitos motivos para discordar dele. Como é que se explica que haja pessoas que não são produtivas aqui e, quando emigram, passam a sê-lo? Tem que existir outras razões para sermos poucos produtivos.

 

Alguns argumentam que o problema está na falta de formação, posso concordar em parte, mas não me parece que a formação global dos emigrantes portugueses seja muito superior aos que cá se encontram. No entanto estes emigrantes trabalham em algumas das economias mais produtivas do mundo.

 

Eu até acho que não somos pouco produtivos. Somos é certamente pouco cívicos pois pensamos apenas nos nossos interesses e não nos da sociedade. Por exemplo, se na Alemanha, uma fábrica produz 1000 camisas por semana, porque que é que em Portugal, uma fábrica equivalente produz apenas 600? Bem, possivelmente a fábrica de cá produz bem mais do que as 600 camisas, só que declara apenas estas para assim pagar menos impostos. Com um pouco de sorte ainda se produzem outras 600 às escondidas, e bem vistas as coisas ainda somos é mais produtivos do que os outros!

 

É um facto que o peso da economia paralela é enorme em Portugal, quase 25% da economia real. Imaginem os benefícios se fosse possível acabar com esta economia paralela de um dia para o outro.

 

De um dia para o outro o país tinha um crescimento económico de 25%, saía da cauda da Europa e ficava com uma economia ao nível dos países mais ricos do mundo. Com uma economia mais produtiva, o estado poderia finalmente baixar os impostos, o que daria uma maior liquidez às famílias e que por sua vez iria aumentar o consumo privado, fortalecendo ainda mais a nossa economia. 

 

Se a solução para os nossos problemas está a vista de todos, porque é que ainda ninguém a implementou? Porque não se consegue acabar com a economia paralela, por decreto, já que temos no sangue este défice de civismo?

 

Poderá não ser possível faze-lo de um dia para o outro, mas começa-se a dar os primeiro passos, sem que tenhamos que esperar que o povo português aprenda a ser mais cívico. A partir de 1 de Janeiro de 2011 o estado vai obrigar à certificação dos programas de facturação das empresas que facturem mais de 100.000 euros e passem mais de 500 facturas por ano.

 

O Estado sabe desta situação, e vai começar a agir contra os programas de facturação que permitem contornar a lei. Muitas são as empresas que ainda me perguntam como podem alterar uma factura. Supostamente uma factura não pode ser alterada, no entanto existem programas que o permitem fazer. Segundo a lei da oferta e da procura, se o mercado procurava programas de facturação pouco sérios, então alguém se encarregava de os produzir. Mas a partir de 2011 tudo irá mudar.

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