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O desmoronar da sociedade

           

Chegámos ao nosso tempo depois de um século que, apesar de todo o desenvolvimento e do  progresso da ciência e da técnica nos deixou uma herança de muitos escombros e ruínas. O século XX foi um tempo de grande desagregação e de crueldade inaudita exercida pelo homem sobre o homem.

 

Hoje nota-se que há inquietação e desânimo e a indiferença apoderou-se de muitos. Valores, símbolos, tradições  perdem a sua força e deixam de ter o seu papel congregador e de identidade da sociedade. O futuro é cada vez mais incerto e muitas pessoas já perderam a esperança.

 

Parece que tudo aponta para um cansaço, um esgotamento civilizacional. As organizações nacionais e internacionais são incapazes de responder aos grandes problemas que nos afectam como a degradação ambiental, a fome, o desemprego. Elas reúnem, discutem, proclamam boas intenções, banqueteiam-se e nada de realizações concretas. De cimeira para cimeira agravam-se os problemas.

 

Ao nível dos estados reina uma profunda desorientação. Sucessivos governos fazem promessas eleitorais, planeiam, discursam. E vão de fracasso em fracasso sem que os povos vejam as suas muito justas aspirações concretizadas.

 

A recente crise financeira veio pôr mais a nu os males de que a sociedade contemporânea enferma. O Capital Financeiro, o novo deus que dirige o mundo, tem como único objectivo o lucro; como desafio global, o consumo global. Gera a ganância, alimenta a corrupção. E a esperança, que os povos colocaram na democracia, definha porque se deixou de acreditar. O poder político capitulou face ao poder financeiro e os políticos servem interesses, muitas vezes iníquos, em vez de procurarem o bem comum.

 

Fala-se já em fim de regime. O poder político parece incapaz de dar respostas adequadas aos problemas. Instituições como a Escola, a Saúde, A Justiça vivem tempos de ineficácia e de exaustão. Nesta democracia sitiada é preciso que cada um tome posição. Sophia de Mello Breyner diz-nos que nada é mais triste do que um ser humano acomodado         .

 

É preciso recusar esta democracia formal e exigir uma democracia participada. Só com uma justiça igual para todos, só com uma distribuição justa da riqueza, os cidadãos se consideram irmanados no mesmo projecto colectivo.

 

No meio desta desagregação social há sinais de que as coisas podem estar a mudar. Muitas organizações estão empenhadas num trabalho positivo e dedicam-se a causas que levam o homem a recuperar a sua humanidade. Há cada vez mais vozes críticas a tomar posição sobre o estado do mundo. Uma nova consciência parece acordar. Apesar de todos os males do mundo a Esperança ainda é uma reserva da humanidade.

 

A Sociedade está a desmoronar-se?  Talvez um novo começo.

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