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Imaculada Maria – A Mãe

 

No nosso tempo, em consequência de tantas descobertas da ciência e desenvolvimentos socioeconómicos mas também culturais, cada pessoa sente a pressão de uma vida voltada para si, para o consumo e o prazer de desfrutar as possibilidades do mundo. Quase se poderia pensar que na mente do Homem passou a existir um horizonte infindável de poder usar o mundo a seu bel-prazer. O consumo e os centros comerciais são o espelho dessa realidade. Aspectos de desarmonia social, ecológica, cultural, económica são bem conhecidos de todos, como consequência da corrida desmedida e egoística aos bens da Terra.

 

Mas nenhum desequilíbrio é tão grave como aquele a que cada ser humano, cada pessoa, está hoje vinculado na sua acção e modo de vida, comprometendo a possibilidade de felicidade humana. Na busca diária de satisfações pessoais, vamos correndo atrás do mundo e das suas seduções, que tanto podem ser a compra de mais um electrodoméstico, um CD, um computador, um melhor acesso à internet, uma viagem, um cinema, ou um candeeiro lá para casa…, a última notícia acerca de um facto vulgar da vida de alguém que nada tem de interessante.

 

Celebrar a Imaculada Conceição de Maria, neste contexto parece pois um paradoxo, porque é valorizar a liberdade e a vida projectada para Deus que é o centro da felicidade humana, fora dos desafios do mundo.

 

Maria, uma jovem da Galileia, também ela vivendo no meio do mundo do seu tempo, era interpelada pela sociedade e preocupações do momento. Porém, admirando as coisas simples e procurando entender o sentido da sua existência, havia nela um desejo de grandeza que não sabia explicar, reconhecendo a beleza da criação e o desígnio de Deus na História. Como tantas, esperava na tradição da sua família, crescer em sabedoria e virtude, aprender a ser uma senhora, casar e constituir uma família. Na sua simplicidade, não imaginava o plano do seu Senhor para si. E o anjo veio, anunciou as maravilhas que Deus queria que se realizassem nela, sendo mãe de Jesus, o príncipe que vinha resgatar o mundo.

 

Essa experiência iluminada, em que Deus lança sobre Maria a Sua graça, leva-a a dizer o seu “Sim!”, acolhendo desde aquele instante a maternidade de Jesus. Daí em diante, aquela mulher já não é a mesma: declara o seu maravilhoso hino de exultação em Deus que é também um manifesto social. Depois, possuída por este calor divino que habita em si, parte em busca das dores da humanidade, começando pela visita a Isabel, a quem vai ajudar.

Mas a virgindade de Maria, para nós um mistério que pela fé aceitamos, não é tanto a concepção em si, mas a virgindade da vida. A pureza com que esta jovem encarnou a sua existência, esvaziando-se da sua vontade e dos pequenos prazeres, para conter em si apenas o próprio Deus, seu Criador.

 

E nós, pessoas de todas as condições que caminhamos no mundo, como poderemos ter também esta virtude, se não somos capazes de prescindir de tantos apegos e vemos no nosso rasto outros tantos defeitos, tantas incoerências e impurezas? Como poderemos aspirar a ser outra Maria, tornando presente Jesus no mundo?

 

Não somos imaculados e a virtude em nós é mínima. Mas o importante não é tanto a virgindade física – sem dúvida um dom sublime a enaltecer sempre – mas a virgindade espiritual, aquela que Deus reservou para nós. Jesus Cristo já supriu na cruz essas nossas imperfeições e limites, abrindo para cada um a possibilidade de recomeçar sempre uma vida de Amor aos outros. E deu-nos como modelo a Sua mãe, um cume de virtudes que podemos observar e espelhar na nossa actuação de cada dia.

 

Num contexto de alheamento e afastamento de muitos em relação às fontes de virtudes cristãs, cabe a cada pessoa que recebe o dom da fé e o conhecimento das escrituras, o empenho para viver intensamente a Palavra de Vida. Passando no meio dos homens, nos ambientes de trabalho, da economia e da cultura, o cristão pode ser um Evangelho vivo que chega a cada um, tendo como inspiração Maria, a mãe do belo amor.

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