Home > Sociedade > Encerramento da II Semana de Lusofonia

Encerramento da II Semana de Lusofonia

 

p1-lusofonia

A conferência “Memória em Vida, Exercício de Liberdade”, na quinta-feira, dia 12, contou com a presença de Joaquim Furtado, José Barbieri, António Escudeiro, que se propuseram contar como utilizam a narrativa enquanto instrumento de partilha e reflexão. Pedro Canais, o escritor torrejano, foi o moderador de um debate que andou à volta do tema da guerra colonial.

 

“A guerra”, o documentário realizado por Joaquim Furtado, o jornalista da RTP, deu o mote para a conversa dessa noite. O jornalista começou por explicar por que razão quis fazer aquele documentário, dizendo que a questão da guerra colonial/ guerra de libertação, sendo um dos acontecimentos mais marcantes na sociedade, «era pouco conhecido». Foi por isso, por entender que foi um acto «determinante para a sociedade». Tanto que «ainda hoje há muitos portugueses afectados por ela», estando presente em muitas famílias, pois são muitos os portugueses que têm um tio, um primo, um filho ou um pai que a guerra levou. Em suma, justificou Joaquim Furtado, «foi um imperativo de consciência contar o que foi a guerra».

 

Antes do 25 de Abril existia a censura e a informação que havia era, quase sempre, deturpada, ou pelo regime através da censura, ou por quem era contra o regime e dava uma informação «militante». Faltava assim contar a história pelo olhar do jornalista.

 

Recolher informação

 

«Para contar a história informei-me o mais possível», explicou o jornalista, passando só depois à recolha documental e por fim às entrevistas. Joaquim Furtado realizou 220 entrevistas filmadas para a série informativa “A guerra” e quando queria contar um pouco da história e não havia imagens recorreu ao uso de fotografias e gráficos.

 

Um momento marcante foi quando levou ex-militares portugueses novamente a África, a Angola e Guiné, e proporcionou encontros entre antigos inimigos. Para o jornalista este foi um dos momentos mais marcantes da série, o reencontro de homens que antes se queriam matar e observar a troca de impressões sobre os dois lados da mesma história. Mais tarde ainda acrescentaria, «o que mais me marcou emocionalmente no reencontro foi a total ausência de ressentimentos de parte a parte».

 

Em Portugal, durante anos, «a guerra ficou esquecida e com ela as pessoas que ficaram marcadas pela amargura». Quando decidiu fazer este trabalho Joaquim Furtado sabia que já tinha passado muito tempo e tinha esperança de que as pessoas mostrassem mais abertura para falar. Inicialmente enfrentou algumas recusas, mas depois dos primeiros episódios irem para o ar houve alguns ex-combatentes que já tinha contactado que acederam falar.

Luís Miguel Lopes

 

 

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook