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II Encontros da Lusofonia trazem a Torres Novas Adriano Moreira e Joaquim Furtado

 

A segunda edição dos “Encontros da Lusofonia” vão-se realizar em Torres Novas de 7 a 14 de Novembro. A programação do evento é diversificada, com espectáculos de música, workshops, contos de história, cinema e conferências. A apresentação do programa teve lugar na Câmara Municipal, na terça-feira, dia 3.

 

António Rodrigues, recém-conduzido no cargo de Presidente da Câmara, recordou na ocasião que estes segundos encontros surgiram quase como uma obrigatoriedade, dado o sucesso da primeira iniciativa, no ano passado, e lembrou também porque faz sentido ter os encontros em Torres Novas, pois há toda uma história de cooperação com os países da lusofonia, onde se destaca a ligação a Cabo Verde, através da geminação com a Ribeira Grande, e a ligação a Timor, com o trabalho de preparação para a implantação do poder local naquele território. Sobre a geminação com Ribeira Grande o Presidente recordou, «A cooperação de Torres Novas nesse campo tem sido fantástica e por todos elogiada», destacando que o envolvimento não tem sido apenas político mas também ao nível das empresas e da sociedade civil, «Já demos formação aos bombeiros, ajudando a criar o primeiro corpo de bombeiros na Ribeira Grande e ao nível das escolas a cooperação também tem sido uma realidade», acrescentando ainda, «A cooperação tem sido de uma riqueza invulgar». Já com Timor o Presidente recontou a história de como conheceu Xanana Gusmão, num hotel em Banguecoque, e como o líder timorense lhe ofereceu o seu “Surik” (espada guerreira) o que teve um grande significado.

 

João Aidos, o Director do Teatro Virgínia, a entidade que em conjunto com a Biblioteca irá organizar os “II Encontros da Lusofonia”, deu a conhecer o programa, dando ênfase à actuação do caboverdiano “Tcheka”, no dia 6 de Novembro, às 23h, ao grupo de Batuque “Finka Pé”, também de Cabo Verde, no dia 7, pelas 23h, e à actuação de Ana Moura, que começa a rivalizar com Marina no Fado. O dia 8 de Novembro é dedicado às famílias e para isso foi preparado um espectáculo com Celina Pereira que irá cantar e contar histórias, um modo quase garantido de entreter os mais novos.

 

Entre as três conferências, que se realizam a 12, 13 e 14, há duas que mereceram o destaque da organização. Intitulada “Memórias em vida, exercício de Liberdade”, contará com a presença do jornalista Joaquim Furtado, do cineasta António Escudeiro, do cenógrafo José Barbieri e com a jornalista Inês Fonseca Santos. Nesta conferência espera-se que haja um relatar das experiências de cada um nos países lusófonos, dando-se muita importância à vivência pessoal nos países lusófonos.

 

“Lusofonia, a última janela de liberdade: O valor económico da língua portuguesa”, terá por participantes o Prof. Adriano Moreira (Academia de Ciências) e Ivo Pereira (investigador do ISCTE), e terá lugar no dia 13 de Novembro, pelas 21h30, que virão falar da importância estratégica da língua para a economia e revitalização do país.

 

“Memórias para fazer a História”

 

A conferência “Memórias em vida, exercício de Liberdade” terá um segundo objectivo. Pretende-se que seja o momento de arranque para uma recolha que se pretende que aconteça a nível da região. Quer-se recolher histórias «para que não se percam», explicou João Aidos. Portugal tem uma relação de séculos com muitos países, havendo «afectividades que se criam com esses países que não têm uma explicação racional». Tanto nos portugueses como nas populações dos países lusófonos há um imaginário sobre cada território. Há histórias. Há vivências. Há um passado. Ora a organização dos “Encontros da Lusofonia” pretende efectuar um levantamento dessas histórias, que não sejam só de guerra, mas de um passado num país distante. Histórias de vida, de como se relacionavam com as populações locais. Desde já as pessoas que tenham tido esse tipo de experiência podem contactar com a Biblioteca de Torres Novas e dar a conhecer a sua história. E, explicou João Aidos, «a médio prazo, se tivermos um bom número de histórias, pode-se avançar para um trabalho de análise antropológica, ou fazer um Centro de Estudos sobre a memória Lusófona», pois, «Temos condições para tal. Temos o pretexto de ter o monumento Henriquino, que faz a ligação aos países lusófonos, temos a experiência de campo ao nível da cooperação e somos considerados um exemplo de boas práticas nas relações inter-culturais».

 

Objectos que contam história

 

Por vezes há objectos que contam histórias. Podem ser um ponto de partida para as histórias de que se anda à procura. De um passado em terras longínquas, onde se deixou uma vida, ou um passado de que se tem boas ou más recordações. Os objectos ganham assim uma outra importância, tendo que ser contextualizados através do “contar da história”, para que «a memória individual e colectiva não se perca».

 

Luís Miguel Lopes

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