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Um outro olhar mas…

 

Quem vê caras vê corações. Temos uma nova ministra da educação. Diga-se que não acalento a seu respeito grandes expectativas para o universo da Escola. Décadas de inúteis reformas, de importação de modas, de aplicação do eduquês, de falta de exigência, criaram nas escolas um lastro de deseducação difícil de combater. Porém, mesmo sem esperança, há aqui qualquer coisa de novo. A anterior ministra desolhava-nos com um olhar perturbado, um olhar por baixo, um olhar de quem está sempre na investida. Pelo contrário, Isabel Alçada olha-nos de frente, com o olhar luminoso que traz promessas de atenção às coisas. Espero que ela não rejubile pelo facto de, ao perder os professores, ter ganho os pais, mas que saiba unir toda a comunidade escolar no bom combate pela educação e comece a recuperar do pântano em que está a escola pública.

           

Tudo o que foi reforma nos quatro anos anteriores só pode ser aplaudido pela ignorância do que se passa nas escolas, pela inveja que tira satisfação da pisadela nos professores, muito própria da mediania do viver lusitano. Ultimamente, o universo escolar foi um campo de afrontamento em que muitos dos melhores preferiram debandar a suportar o insuportável. Criou-se um clima de sufocação que torna a vida escolar insuportável. Focou-se a atenção da opinião pública em problemas como a da avaliação dos professores. Ora a questão é muito mais profunda e deveria ir muito mais além. À Escola passou-se a exigir reuniões, preenchimento de papéis, maior número de horas de entretenimento dos alunos. E nunca se cuidou de transformar a escola num lugar de disciplina e de trabalho para a criatividade e para a reflexão. Criaram-se conteúdos de ensino-aprendizagem inúteis e vazios e desvalorizaram-se outros que podem levar a criança e o jovem a aquisições úteis para a vida.

           

Muitos encarregados de educação poderão estar satisfeitos porque os alunos têm mais tempo de ocupação (até foram criadas as aulas de substituição!). Mas não nos iludamos: enquanto não se devolver aos professores aquilo que eles sabem e gostam de fazer que é ensinar, levar os alunos à aprendizagem, educar … as escolas continuarão a ser um lugar inútil de ocupação do tempo, uma fábrica de fazer analfabetos.

           

Espero, pois, deste novo olhar da actual ministra da educação que transforme a Escola, porque não podemos continuar a destruir a educação como se tem feito nas últimas décadas, sobretudo nos últimos quatro anos. Um novo olhar já é alguma coisa, mas não basta.

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